De repente, apercebo-me das mudanças.
Apercebo-me das ilusões e da dificuldade que existe em me deixar desiludir.
Tomamos as coisas como nossas. Gravamos na memória o que achamos que pode aquecer sempre o coração e nem reparamos que nada é eterno. O choque é maior.
As crianças crescem, o entusiasmo dá lugar a uma certa frieza que não sei gerir. Como se tivessemos que passar ser distantes quando crescemos.
É difícil explicar que não tem que ser assim. Dói o olhar dos outros, quando digo que não temos que deixar o entusiasmo para trás. Antes era bem mais fácil, bem mais nosso.
Talvez seja a rotina.
Talvez seja a falta de tempo ou paciência.
Talvez seja a falta de amor e a mudança.
Somos a nossa história, moldados pela vida. Mas podemos contrariar o que nos acorrenta e não nos torna livres.

Quatro dias chegaram para perceber tanta (in)diferença.
Os restantes, servirão para aceitar.

"Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo poderia ser meu para sempre"
No meio de tanta coisa, tem sido muito difícil parar.
O silêncio tem sido pouco e o tempo nenhum.
Mesmo assim, tenho conseguido sentir a alegria do Natal na forma como sou tocada pelos outros e acho isso uma dádiva.
Fico de coração cheio quando recebo um postal, um e-mail ou uma mensagem de alguém que está longe e me lembra do essencial.
Tenho pensado muito que, preciso pouco, para ser a pessoa feliz que sou. Descubro a cada passo que quando faço aqueles que gosto felizes, completo a minha felicidade. Devo isso a tudo o que ao longo do meu caminho me fez ser mais eu.
As pequenas coisas são as que nos completam mais.
Não importa passar de um ano para o outro, o que importa é passar pelos dias e não os sentir vazios.
É simplesmente isto que desejo...viver cada dia e fazer dele e nele, algo especial.

Descansar em Deus

Nada mais que isso...
Descansar em Deus neste tempo atribulado de mil afazeres.
Saber viver na Paz Dele, com Ele. Caminhar lado a lado e descobrir que os dias são nossos. Aprendermos a sair de nós e vermo-nos de fora.
Olhar para dentro e perceber que há muito para trabalhar.
Conseguir ser pacientes quando algo nos rebenta no peito.
Descansar em Deus é saber que por muito perdidos que estejamos, haverá um olhar que nos conduz até casa, uma força que cola o que está partido, um beijo que nos mata a carência que temos.
O ser mais Dele é ser mais livre, mais aberto, mais encaixado. É sabermos o nosso lugar.
Daqui a pouco Ele irá nascer.
A Verdade renovar-se-à por mais um ano...um ano bonito em que como sempre, a Primavera dará lugar ao Verão, que por sua vez dará lugar ao Outono e por fim o Inverno.
Tudo em perfeita harmonia, como quando paramos no cimo de uma montanha, com o mundo aos pés e sentimos que tudo gira à nossa volta, para nós.
Porquê não acreditar?
Tenho aprendido que para fazer as coisas bem, é preciso primeiro, fazê-las mal. Não em tudo, mas em algumas situações. É aqui que entra o erro. O caminho é quase sempre o mesmo: tentar acertar, falhar, aceitar que se errou, aprender com isso.
Saber esperar, aprender a arte da paciência faz parte de um processo evolutivo que só desenvolvemos quando envolvermos a nossa história.

Outono.


Hoje permiti-me à simplicidade de trazer estas cores para casa. Nem é preciso dizer nada...basta olhar e re-parar na perfeição e em cada pormenor. Enfim...são as "pequenas coisas"
Tenho pensado em como os "nãos" são difíceis.
Quase sempre são uma expectativa não correspondida e fruto do pesar das coisas.
Mas quando nos pomos em primeiro, pela nossa saúde mental, precisamos de os saber dizer. Por muito que custe.
Têm sido dias de contrastes.
Sair da confusão, entrar na calma, manter o ritmo mas com outro estado de espírito.
O sonhar de coisas novas...

Desculpem, mas de facto...não me apetece escrever!
Até já.

A nossa zona de conforto é de facto muito ténue.
Talvez a zona de conforto seja mesmo o lugar das memórias...que são seguras porque foram vividas e temos a certeza delas.
Qualquer mudança implica a coragem de dar um passo em frente. Vivemos tanto tempo no limbo do "sim" ou do "não".
Hoje voltei ao meu lugar seguro, à minha zona de conforto - a minha infância; O retornar a mim mesma, àquela essência pequenina que nasceu comigo, mas que se foi moldando. Talvez devesse ser mais realista... talvez devesse querer saber mais do estado do mundo... mas a verdade é que o que me resta da infância é um pouco de inocência e não quero fazer nada contra ela.
Devaneios...
Apetece-me estar enroladinha qual bichinho da conta no seu canto.



Senhor...

Hoje só Te quero dizer isto:

Senhor, ensina-me todos os dias a tocar um bocadinho mais da Tua liberdade.
Ensina-me a olhar os outros com os Teus olhos.
Quero a cada dia que nasce, ser capaz de me entregar ao Teu serviço na simplicidade do Teu Amor.
Não preciso de coisas grandes, só preciso de entender-Te nas pequenas.
Mostra-me como saber esperar.
Ensina-me a medir as palavras.
Toca-me quando devo permanecer no silêncio.
Que a cada dia, seja capaz de confiar mais em Ti e despojar-me de tudo o que está a mais no coração.
Que eu saiba amar como Tu amas. Que eu saiba sempre ser-Te fiel.

Só tu sabes

"Só um gesto abre um sulco no frio.
Rasga o fundo, toca no abismo e no vazio"

Como é bom receber um beijinho inesperado seguido de um: obrigada! Sem a tua ajuda teria sido tão mais difícil!;

É a magia dos dias...(mesmo aqueles de chuva).

Deus na Fábrica



Os dias são surpresas.
Todos.
Só podemos ver quando temos o coração aberto, quando dizemos sim, quando arriscamos.
Tenho percebido de tantas maneiras como tudo se encaixa quando vivemos na confiança. Esta não é a visão inocente da vida -é, a meu ver, a coerente; "Não sei para onde vou, mas sei que o caminho será por aqui".
Hoje, permiti-me fazer uma coisa diferente (como devia permitir todos os dias). Por aqui, há um lugar chamado Lx Factory que já foi uma fábrica e que mantém o mesmo conceito, mas é utilizado como espaço de co-work. Porque não um "Deus na Fábrica"? O CUPAV resolveu levar a Eucaristia para além das paredes de uma Igreja e celebrar ali numa simplicidade (que me é) quente.
Porque não ir ouvir falar de sonhos, do vento, das sementes e do futuro? Porque não ouvir falar do Amor? Porque não re-parar aquilo em que sou pequena? Porque não rezar mais? Porquê duvidar? De repente é um turbilhão de perguntas "porque não?" e um outro turbilhão de afirmações "já agora"... e no meio da confusão, vai surgindo um sentido. É tão bom sentir aquele Amor incondicional do "Eu estou contigo venha o que vier. Eu sento-me contigo, vamos falar do que te preocupa. Não te abandono em momento algum, mesmo que não Me consigas sentir. Quero-te muito!"
Há perguntas que nos despenteiam um bocadinho por dentro. Sei que aos poucos vamos chegando às respostas. Cultivamos a paciência e aprendemos a arte do esperar. Acredito que as coisas mais bem construídas, são aquelas bem projectadas.
Sei que o que vale a pena nos torna diferentes. Sei que mudo quando sou capaz de sair do meu canto, do meu quente e lançar-me para o que é novo. Quando existem conversas que nos fazem crescer.
Por vezes tudo está à distância de um "sim".

Depois...é o sentir que Deus me segreda baixinho: sonha, que Eu sonho contigo!

Ultimos tempos

Há momentos tão preenchidos que nos levam a voar.
E há recordações e cheiros, que nos fazem simplesmente sentir bem, como se vivessemos num sonho, perdidos no tempo.
Há a prova da confiança, a dúvida e a certeza (e de repente a incerteza). Uma certa confusão alegre e leve. O limbo entre o arriscar, o ficar e o conter.
Depois há as mil coisas, as mil vidas, os mil trabalhos. Também há a onda quente que nos mistura por dentro. Os pequenos pés que saltitam e correm.
Há o chegar e o ficar.
Falar e calar.
O ler o olhar.
O ver mais fundo.
O re-parar.
E tem sido assim...

Estes dias

As saudades são memórias corrosivas.
São muito portuguesas, mas atrevo-me a dizer que são ainda mais conimbricenses.
A chuva tem um efeito qualquer, que desperta em mim toda a nostalgia de alguém que acha que o tempo, a vida passam a correr.
Hoje a nostalgia sentou-se a meu lado e deixou-se estar até me fazer abrir as dezenas de fotografias que guardo. Passeei por nomes e caras de que sinto falta. Pessoas que o quente do abraço se apagou com a distância. Para onde foram esses dias?
Senti-me pequena e frágil, com toda a sede de quem quer voltar e não pode.
Com toda a sede de alguém que percebeu que o seu lugar mudou.



Queria aninhar-me na minha mãe.
"Há árvores que secam tudo a sua volta.
Outras colonizam todo o espaço.
Mas há outras, habitualmente de crescimento mais lento, que propiciam a presença de tantas outras plantas como se se alegrassem na maior diversidade.
Imagina-te árvore...que género és?
Generosa? Fecunda?

Sê atento! Tu não vives só! Repara que as tuas palavras podem confundir a quem te ouve. Os teus gestos podem magoar. Pode acontecer que quem te rodeia seja mais frágil do que tu, menos seguro. Por isso, sê atento para ser justo"

...



"Porque um dia lhe perguntei, que queria Ele de mim."

Amizade/Amor


Ontem, estive no CUPAV (Centro Universitário Padre António Vieira). É o centro dos Jesuítas em Lisboa. Tenho a sorte de poder ouvir muitas vezes, uma das pessoas que mais sentido faz para mim - o Padre Nuno Tovar de Lemos - que escreveu um dos meus livros preferidos O Príncipe e a Lavadeira;
Fui ao Encontro Mensal, cujo o tema era "Amizade/Amor".
Como é de esperar, falámos de ligações/afectividade - "Como é que Deus permite que o nosso coração não seja correspondido, quando gostamos de alguém?"; Falámos também, das três forças essenciais que nos aproximam uns dos outros: 1. Eros (o impulso, a atracção), 2. Filia (a amizade, a sintonia) e 3. Agapé (o amor gratuito).
Tocámos também nas dimensões do Amor, da Paixão e da Dependência afectiva e de como são (e devem) ser diferentes umas das outras. De como a Paixão passa e o Amor (se bem construído) pode durar uma vida. Fiquei a perceber porque é a Verdade não está nos sentimentos. Precisamos de algo racional que em momentos de deserto, nos faça acreditar que aquilo de que estamos a duvidar numa determinada altura, é de facto real. Por exemplo...nem sempre sentimos Deus. Se nos baseássemos só naquilo que somos capazes de sentir, haveria alturas em que Deus, para nós, não existia, porque nem sempre O vemos. A Verdade tem que ir além das emoções. Assim como a Fé é uma decisão, no sentido em que eu decido pautar a minha vida pelos seus valores, assim é o Amor - uma decisão; Depois da Paixão o que resta é escolher desenhar o nosso futuro com os valores que fomos construindo ao lado da outra pessoa.
Há pessoas certas? "A pessoa certa é aquela em que tu decidires acertar". Mas como é que sabemos? Primeiro, acho, tem que haver admiração e segundo (não menos importante) deve existir um projecto de vida em comum. A nossa liberdade foi feita para nos comprometermos. Qual o sentido da nossa vida sem o compromisso?

Deixo por fim, cinco dicas para crescer afectivamente (e será certamente isto que um dia ensinarei aos meus filhos):
- espaço para relações diferentes (relações de amizade, haver espaço para a família);
- saber estar sozinho (quando não sabemos estar sozinhos, corremos o risco de cair na dependência afectiva);
- ser eu mesmo em todas as relações (eu, na minha verdade);
- aprender a ser senhor de mim mesmo (vou por onde decido, tendo em conta a opinião do outro, mas não fazendo só dele o meu caminho);
- capacidade de compromisso;
Pode parecer estranho começar uma história pelo final. Mas todos os finais são também começos. Só não o sabemos no momento..."
Mitch Albom in As cinco pessoas que encontramos no Céu

O ultimo segredo

Pela cidade estão espalhados por toda a parte grandes cartazes a anunciar o novo romance de José Rodrigues dos Santos de seu nome "O ultimo segredo". Ao que parece este romance está baseado em fontes religiosas, históricas e cientificas e fala sobre a pessoa mais polémica de sempre - Jesus Cristo.
Gostava de fazer notar como é tão fácil sermos levados pelos rótulos e pelas propostas aliciantes do que será um "best seller". A minha posição em relação a livros que contestem tudo aquilo em que eu acredito é muito simples: Ignoro-os; acho que é o melhor que podemos fazer. Jesus é insultado de tantas maneiras, todos os dias...se eu dou a cara por Ele, porque hei-de eu dar o meu tempo/dinheiro a alguém que vai contra Ele, se tudo o quero na vida é ir de encontro a Ele?

Não haverá coisas melhores para ler? "Ah, mas é bom que leias para saberes do que trata" - aceito, mas mesmo assim, acho preferível ocupar o pouco tempo que tenho a fazer algo útil, em vez de o gastar com coisas que só me afastam de Deus - é a força das convicções.

Há imensas coisas todos os dias que nos afastam de Deus, porque é que hei-de dar crédito a mais uma?
Não duvido da qualidade do livro enquanto romance, enquanto objecto histórico. Nem sequer duvido das capacidades deste jornalista, nem da sua escrita. Simplesmente, estou no meu direito, tal como ele esteve no dele ao publicar o livro, de escolher se o "engulo" ou não.
No fundo, tudo se prende com a escolha de achar o que me liberta e o que me pode prender. (sim, hoje estou com a mostarda no nariz).

Termino então, só com um vídeo que achei muito interessante.
Razões para não se ir à Igreja:




"Passo a passo,
Grão a grão,
Completamos esta construção"

O meu mano

Tudo o que fazemos nos leva a algum lado.
O caminho faz-se lá atrás. Começa-se lá atrás.
"Não sei o que vem a seguir, mas quero procurar."
A distância só é sinónimo de afastamento quando queremos.
Hoje recebi uma mensagem que me derreteu por dentro e me fez ver que o amor e o carinho são laços que "o longe" não cessa. Dizia mais ou menos isto "Acabei agora mesmo de ouvir o Passo-a-rezar de hoje! Identifiquei-me com ele :) Obrigado por tudo mana, boa noite".
O J. tem 14 anos. Uma vez rezámos juntos (já vos contei).
Que dizer de uma mensagem assim?
Não há cedo nem tarde para se sentir aconchegado em Deus. Não há nada que façamos no passado que não dê frutos no presente. Eu ensinei o meu irmão a rezar...ensinei-lhe o Deus próximo que sinto e que rezo para ele sinta cada vez mais. Tenho um orgulho enorme nele e na pessoa em que se está a tornar. Espelha os valores da honestidade e integridade. Perdoem-me, é meu irmão eu sei, mas sinto uma enorme vontade de falar do orgulho que tenho nele.
No fundo, é só isto que hoje quero partilhar...
Não é preciso muito para os meus olhos brilharem e este foi sem dúvida o momento do dia que mais sentido fez!
Obrigada J. :)

Amar

"A base de tudo é amar" dizia ontem o Pe.Nuno Tovar de Lemos, fazendo uma analogia ao primeiro mandamento de todos.
"Amar a Deus sobre todas as coisas" e só depois "amar o próximo como a ti mesmo", que juntamos num só e no mais importante mandamento. Santo Agostinho dizia: "Ama e faz o que quiseres"...
Tenho pensado muito, que amar nem sempre é fácil. Há muitos estigmas que nos impedem de amar. Além disso, a palavra "amor" está demasiado banalizada. Perdemos o sentido do amar. Por tudo e por nada "amamos". Acho mesmo, que hoje precisamos de pouco para amar (no sentido que todos dão).
Amar, está na minha opinião, a ser demasiado confundido com "gostar"/"estar entusiasmado".
Respeito muito a palavra "amar". Tento usá-la bem, a seu tempo e com quem a devo usar. Nem sempre é fácil quando somos levados pelo entusiasmo e pelas coisas que nos fazem bater o coração.
Amar também implica uma seriedade à qual não podemos fugir, mas que nem todos os que acham que amam, querem assumir.
Penso que este mandamento do "amar" é o mais importante não por ser bom, mas sim por ser muito mais do que isso. É que no fundo, é um mandamento exigente de entrega, de sacrifício, de despojamento, de ceder (e a lista poderia continuar). É também o saber deixar partir.
Sei que somos feitos para amar, mas ninguém poderá preencher toda a sede de amor que temos, a não ser Deus, que nos faz sentir completos e em casa. É arriscado confiar? Sim, é. Mas os frutos são maiores. É o preço de viver da confiança em Alguém que não vemos, mas que no entanto nos está debaixo da pele...
E amá-Lo é tão bom!
Tão quente...
Tão nosso...
Tens que te sentar no chão.
Despojar-te!
Prostrares-te e largares o que és.
Chama o bom que podes ser!
Descalça-te.
Sente o chão.
Aprende que o serviço é uma dádiva e que podes fazer dele o teu dia-a-dia.
Sê simples...
Porque é simples!

Deixa-te ficar...

"Tenho livros e papéis,
Espalhados pelo chão...
A poeira de uma vida deve ter algum sentido
Uma pista um sinal, de qualquer recordação...
Uma frase onde te encontre e me deixe comovido.

Guardo na palma da mão o calor dos objectos,
Com as datas e locais...porque brincas? Porque ris?
E depois o arrepio...a memória dos afectos...!"
Tenho pensado nas distâncias...
Do que nos separa uns dos outros.
E definitivamente as distâncias físicas não são as mais intransponíveis, mas sim as distâncias da alma. A distância entre o dar a mão e não dar. Entre o falar ou não falar. Entre o querer estar ou não querer.
Afinal o que nos liga são os laços que criamos com as pessoas. Esses laços têm que ser alimentados muitas vezes seja com um telefonema ou com uma simples mensagem.
O lado quente da saudade, é todo aquele que mexe cá dentro quando alguém nos vem à memória.

Assumir o que é(s)



Como dizia num dos últimos textos: Ser fácil ou difícil, é diferente de correr bem ou mal.
Ontem, como muitas vezes já aconteceu, tive a experiência de falar do que eu sou e daquilo em que acredito, a pessoas que me conhecem muito pouco.
Lembrei-me daquele texto que gosto imenso, em especial da frase: "Expor os seus sentimentos é arriscar-se a expor o seu verdadeiro eu" e eu resolvi correr o risco.
Tive que mostrar a força das minhas convicções. Mostrei-o de uma forma natural, como penso que deve ser feito, respeitando a opinião de cada um, assim como respeitaram a minha e isso foi importante. A maturidade dá-nos a força de dizer o que sentimos e o que é parte de nós, com olhos de respeito.
No entanto, senti-me sozinha naquele barco, apesar de saber que não estava, continuava a ter os Três comigo, mas não fisicamente e isso às vezes custa. Mas num milésimo de segundo, vieram-me à memória imagens de dias quentes de Agosto, em que um milhão e oitocentos mil jovens gritavam: Esta es la juventud del Papa.
Tudo fez sentido e o coração ficou quentinho!

Compilação de músicas da casa em obras

Que se pode fazer na hora de almoço enquanto a nossa casa continua em obras?
Ora, pusemo-nos a adaptar músicas que se encaixam num senhor pedreiro em especial, que baptizamos de Lenio!
Aqui está a bela da compilação, quem conseguir identificar todas as músicas ganha uma bolacha!

"Foste entrando sem pedir e marcaste os teus sinais....Vasculhaste os meus segredos e (eu não deixei)...Sujaste quase tudo e quase tudo foi demais" - Ou não fosse a guitarra ter dedadas de tinta!

"A casa vai torta jamais se endireita o Lenio persegue esconde-se à espreita" - e também esconde o nosso limpa-vidros!

"E mexe remexe em tudo o que gosta" - até pode não gostar da vassoura, mas o facto é que a nossa aparece em sítios diferentes de dia para dia.

"Os dias passam devagar e noite me diz que você vai voltar. Os moveis saem do lugar e corro a casa e não consigo encontrar: o limpa-vidros, a vassoura, o edredon e até o frasco de champô!" - a verdade é que o nosso sabonete liquido está a diminuir exponencialmente!

"Eu quero-te roubar pra mim, eu que não sei pedir nada...Eu só quero saber quando é que obras acabam nesta casa!!!! AHHHHH eu só quero saber quando é as obras acabam nesta casaaaa "

"As saudades que eu já tinha da minha casa limpinha como eu a aqui deixei"

Enfim! Amanhã (esperamos) que seja o ultimo dia!
Os nossos objectivos de vida, têm que se prender com algo que nos liberte.
A liberdade passa pelo interior. Por fora podemos ser livres de muitas maneiras...podemos ser independentes, morar sozinhos, não dar satisfações a ninguém, ter carro e casa própria, mas é a liberdade interior que nos torna grandes por dentro.
Muitas vezes, a nossa liberdade está limitada por pré-conceitos e por falta de visão. O saber olhar é algo que se treina e se corrige em nós. Quando estamos em frente a uma árvore, não conseguimos ver o resto da floresta. Precisamos de nos afastar para poder ver o todo. Isto acontece com os nossos problemas.
Tenho aprendido a relativizar o medo. O medo fará sempre parte e estou ciente disso, mas também sei que não lhe posso dar um lugar de destaque na minha vida.
Ser fácil ou difícil é diferente do correr bem ou mal - uma coisa não implica a outra. É como o ser feliz ou estar feliz. Podemos viver uma vida que corre bem mas pode não ser fácil. Há coisas pelas quais temos que lutar e chegamos lá, por muito complicado que seja.
Amanhã começa uma nova etapa.
Confiar...
Confiar...

Há sempre...

Já dei quase todos os abraços que faltavam.
Como outrora, é um "até já" e não uma despedida. As malas estão feitas, as coisas preparadas. O espaço futuro ainda está vazio de mim, mas em breve irá conhecer o cheiro do movimento, da agitação, das entregas e do re-começar.
Questiono-me quando é que comecei a aprender a voar...quando fui capaz de sair do ninho? E por falar em ninho...ele agora está tão quente. Voltei a sentir-me bem por aqui e mais uma vez a vida me leva para outros rumos, a refazer outras casas e descobrir outras pessoas. Vou porque há coisas novas a construir noutros lugares, sou chamada a partilhar o que sou com outros sorrisos abertos (assim o espero). E medo? Sim, também vai comigo...mas esse, normalmente costuma desaparecer. É o que se chama "medo do desconhecido". Tenho aprendido a relativizar as situações, com o medo é o que posso fazer. Vou só torná-lo relativo. Não adianta esconder-me no: Ainda me sinto tão pequena para passos tão grandes!; No fundo, isso não é verdade. Tomei consciência que sou capaz de coisas bem mais radicais do que mudar de cidade, de caras e de casa.
É só porque...eu crio sempre raízes onde quer que vá....
Hoje descobri esta música da Mafalda que se chama "ficar mais perto". É mesmo isto. Quero ficar mais perto de mim, mais perto das coisas que aprendo e que me realizam! Aprendi que não deixo nada para trás. O que vivi é o que sou.
Há sempre uma maneira de recomeçar o que se quiser!
Eu quero. Mesmo sem vontade...hei-de encontrar um entusiasmo escondido dentro da alma.


"Deixa-me só seguir o rumo
De outro sentimento
Que acontecer
Nem tudo o que nos ata
Nos pode prender
Porque há sempre uma maneira
De recomeçar
O que se quiser
Há sempre uma maneira
De recomeçar
O que se quiser
Há sempre uma maneira
de recomeçar"

Ir...e voltar

O ir e o voltar...
Sempre foi uma coisa que me fez confusão, quando se trata de estar na vida das pessoas.
Ou estamos, ou não estamos. Quando entramos, entramos para ficar. Quando temos que sair, saímos.
Não gosto da indecisão de estar ou não na vida das pessoas. Não gosto de me sentir "nem quente nem fria".
Gosto de organizar o coração e a cabeça e sentir que o faço com um propósito porque a vida a ele me levou. Continuo a achar que o tempo é relativo quando queremos bem a alguém.
Para os amigos há sempre tempo...
Mas há tantos valores trocados por aí...

Sorrir e sorrir...

Acabei de chegar de um dia fantástico!
Há uns anos em Taizé, tive uma das conversas mais marcantes na minha vida, sobre a Verdadeira Felicidade. Nessa conversa partilhava que para mim, a verdadeira felicidade só pode vir de Cristo.
Hoje, estive no encontro das pós-jornadas. Basicamente serviu para nos (re)vermos. Partilhava com a C. que a verdadeira felicidade, continua a ser para mim, a que vem de Deus, porque hoje senti mesmo uma alegria imensa. Toda aquela alegria dos dias quentes em Madrid. É tão bom abraçar as pessoas que nos marcam e sentir que esse abraço vem retribuído. É bom dizer: tive tantas saudades tuas! Como estás?;
Sinto-me tão grata pelas pessoas que tenho conhecido em Deus! Cada um me toca à sua maneira. Sobretudo saber que Ele nos ama com todos os nossos defeitos e que mesmo assim nos junta para gerarmos energia positiva!
Afinal...o que nós somos são as nossas histórias, as nossas vivências - o nosso passado. É isto que nos apaixona pelas pessoas.
Se havia partes de mim a precisar de força, acho que hoje elas foram preenchidas com a alegria do viver enraizados e edificados em Cristo.
Sinto o quentinho de cada abraço, como uma casa onde todos somos família e onde basta olharmos uns para os outros para entendermos o que sentimos.
Hoje, tenho um sorriso enorme dentro de mim que me chega ao rosto e inunda a minha vida.
Há dias em que sabemos sorrir com o coração!

Mudanças

Ando por aqui em mudanças.
Mudanças de muitas coisas...que nem sempre são fáceis de gerir. Têm sido tempos de grandes decisões e trocar as voltas.
Tenho sentido que há muitas histórias que se repetem e outras que nem sequer poderão acontecer. Há mágoas nessas decisões do dia-a-dia...há os "e se um dia..." e há dúvidas;
A minha frase preferida ultimamente tem sido o "deixa-te surpreender". Não é nada fácil perante as incertezas e os medos de um espaço novo.
Foi um dia estranho.
Foi literalmente um dia de muda(nças) (n)a Rita.
Há quatro anos atrás não me imaginava onde estou agora a chegar (se calhar nem sequer há meio ano), mas sinto que vai ser muito importante. Sobretudo, quero deixar-me chegar e quero voltar a sentir que pertenço a um espaço que é criado por mim, devagar, como eu gosto...
Começo por baixo, com calma e paciência (ou pelo menos, tento).



"Não há decisão que não implique deixar algo.
Escolher um caminho é sempre optar por não percorrer o outro.
Mas o Amor tem sempre um lado de cruz, o Amor pede fidelidade mesmo quando é difícil ou não apetece.
Seguir Jesus implica abraçar a cruz. Deixar egoísmos e preocupações próprias e abraçar as preocupações e dificuldades dos demais
Isto é o perder a vida para que outros tenham vida."

Oração de S.Francisco

Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz;
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé;
Onde houver erros, que eu leve a verdade;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei com que eu procure mais consolar,
que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado;
Pois é dando que se recebe;
É perdoando, que se é perdoado;
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

Todo o tempo do mundo

Nunca vamos conseguir ser plenamente felizes, se não aceitarmos as nossas fraquezas.
Nem sempre conseguimos perceber a dimensão das coisas em que nos propomos a dar de nós. Nem sempre entendemos que não devemos viver só para uma coisa.
Passamos os dias a correr, sem darmos o privilégio a nós mesmos de parar e olhar. Vivemos por fora, quando devíamos viver por dentro, sentir por dentro e sorrir de dentro. Impomos à nossa Vida um ritmo frenético de prazos, entregas, deadlines, coisas que têm que ser cumpridas! A pergunta é: Estás contente? És feliz?; É que estar contente é muito diferente de SER feliz.
Quando um dia re-pararmos, vemos que afinal este ritmo sufocante só nos fez mais fechados, mais pequenos e mais solitários. Precisamos de respirar.
Ser Adulto não é, e nunca será sinónimo de ser infeliz, até que nós o deixemos.
Enquanto depender de mim, não será a minha idade que me torna fechada, mas sim disponível aos outros, por saber-me uma pessoa com uma história feita de quedas mas também de vitórias.
Nunca conseguirei ser perfeita, mas hei-de conseguir ser melhor e para ser melhor, tenho que querer. E eu quero! Quero muito!
Hoje, esta música mas sobretudo esta letra andou-me muito na cabeça...
Espero que algum dia também ela faça sentido noutras vidas.



Podes-me interromper e contar a tua história
O dia que aconteceu
A tua pequena glória o teu pequeno troféu
...
Agora em tudo o que faço, o tempo é tão relativo
Podes vir por um abraço, podes vir sem ter motivo
Tens em mim o teu espaço

Até já ou...
Até sempre
Há uns tempos achava que trabalhava bem sob stress.
Ultimamente tenho reparado que a sobrecarga me deixa exausta e completamente deitada por terra.
A minha convicção em cumprir prazos e não deixar os outros na mão está sinceramente a deixar-me muito cansada. Até já comprei uma agenda, porque não sou capaz de memorizar tudo como antigamente.
Tenho saudades da calma.
Daqueles dias lânguidos em que via filmes e desenhava sem ter a obrigação de entregar o que imaginava.
Talvez não esteja a racionalizar bem as coisas. Há dias mesmo muito complicados em que não vemos nada de positivo.
O meu exercício tem sido sair de mim e olhar-me. Conseguir minimizar o problema. Visto de fora é sempre mais fácil.
Gosto do que faço e espero fazê-lo para toda a vida...
Tudo o que preciso é de desligar...só assim...uma semana!

Palavras...


You secretly made
Castles of sand that you hide in the shade
But you cannot hold the tides that break them
And you build them all over again

Love, ain't this enough
You push yourself down
You try to take comfort in words
But words
They cannot love
Don't waste them like that
Cus they'll bruise you more
Há um espaço que controlas e dominas.
Foges do que não te está nas mãos.
És grande.
Vives da correria dos dias.
O sono é escasso.
Esqueceste da felicidade da simplicidade de não ter pressa.
E eu...que pequena sou, continuo a pensar cada vez que te olho: Para que corres afinal? Para onde corres? Onde queres chegar?

Sem Ti


"A tua vida sem Deus fica a meias"
Cada vez mais acho que as pessoas são a maior caça ao tesouro que podemos jogar!
Não é fácil aprender a conviver com os defeitos.
Não é fácil lidar com o que nos irrita.
Sei apenas que precisamos uns dos outros, com tudo o que se traz na bagagem.
É tempo de olhar para dentro e fazer escolhas.
Não quero que me agradem, quero só sentir verdade na outra margem.
Encaixar que não posso perceber tudo, mesmo que pareça que consigo entender.
É tempo de me sentar no chão e despojar-me. Ser livre.
Há outro degrau mais acima que está à espera para me ensinar o preço de subir consciente de que passei por todas as etapas.
Há coisas que precisam ser feitas com calma, sem tirar espaço para não sufocar.
Devagar...
Bem devagar....
Com honestidade e verdade - sermos cada vez mais nós em todas as coisas; E mesmo assim, continua a não fazer sentido para muitos.
E as águas continuam a correr como sempre correram....

Saudades do Céu

Por vezes, tenho saudades do Céu...daquele Céu cheio de estrelas que tão bem conheço.
Aquele onde uma vez, enrolados em sacos-cama, passámos horas e horas a divagar.
É um Céu cheio de estrelas cadentes. Acredito até que seja mágico. Único é, certamente.
Há lugares que são autênticos abrigos...
Não olho aquele Céu há dois anos...
Não guardo fotos, nem desenhos. A perfeição só se pode guardar num lugar - na memória.
É aí que guardo aquele Céu.
Tão meu, tão nosso...

Linguagem Universal

Hoje percebi que não há linguagem mais universal que a música.
Podemos falar muitas línguas, mas haverá sempre uma barreira, uma forma de não nos compreendermos. Não quer dizer que não sejamos capazes de nos fazer perceber. Acontece que a música é genuína, é sentida e é expressada de uma forma tão natural que chega a qualquer um. Cada um sente o que a música lhe pode dizer...
Porquê tudo isto?
Porque hoje a Gosia (a minha amiga polaca que me veio visitar) esteve a tocar piano (um dos meus instrumentos preferidos) e nem sequer consigo pôr por palavras o que a música que ela tocou fez em mim... Sinto-me muitas vezes afectada (positivamente) pela Arte, por algo que sinto mas que não sei expressar. Sim, é fácil deixar-me tocar e emocionar-me mas há coisas que me ultrapassam completamente e me deixam tão livre quanto posso ser. Não é um sentimento de ter amarras, mas sim de uma queda livre em algo que conheço tão bem que nem consigo atribuir forma.
Esta música tem este efeito em mim...não conseguir expressar o que ela me passa, porque tudo o que poderia dizer ficaria aquém da verdade mais pura. O máximo que consigo é talvez: Inspiração; mas continua qualquer coisa em falta!
Agradeço a Deus a Música! Agradeço as pessoas que lhe sabem dar forma, cor, sentimentos...o tocar ao de leve e depois mais forte sobre as teclas brancas e pretas!
Agradeço estes momentos que fazem um dia tão valer a pena...

Depois disto, o Inglês é sem dúvida muito limitado para a nossa comunicação possivel! O silêncio entre nós, também tem destas coisas...

Back for good

Houve um tempo em que me preocupei em estar de acordo com o que todos achavam bonito ou na moda!
Estou a falar sobretudo de música e os gostos de cada um.
Faz parte da adolescência dizer que gostamos todos da mesma coisa, ou que isto ou aquilo não presta (mesmo que gostemos). Eu também o fiz e por vezes tenho a tentação de o voltar a fazer...acontece que agora, o mais importante para mim é a verdade e estar de acordo com o mais genuíno de mim. Isto implica muito trabalho pessoal de contrariar o que pode passar para o exterior. Implica exposição do nosso verdadeiro "eu".
Há alturas em que tenho muitas saudades da minha adolescência, se bem que tenho plena noção da época difícil que foi. Lembro-me das lutas interiores, do chorar sem saber porquê, das revoltas e do ficar bem de repente. À distância (não sei porquê) tudo parece mais bonito. É por isso que tenho saudades. Porque sei que não vou voltar a vivê-lo. Mesmo assim, não quero deixar de partilhar uma música que me apeteceu muito ouvir hoje e me lembra esses tempos. Sim, gosto dela e gosto sobretudo desta versão...
Não temos que perder a inocência, temos só que a saber viver de outra forma!

A força das convicções

Hoje, quem andou pelas Docas de Coimbra durante a tarde, concerteza que reparou num rapaz que estava a fazer Windsurf . Se sim, deve ter reparado que este rapaz esteve a tarde toda a cair da prancha e a tentar equilibrar-se ao sabor do vento.
A primeira reacção claro que é rir e pensar "vais cair de novo não tarda muito". Acontece que depois de pensar isto, me veio à memória uma grande Alma - o Nick Vujicic - que diz: Se eu cair 100 vezes hei-de levantar-me 101; Realmente, o que me impressionou nesta pessoa foi a determinação e a persistência em conseguir erguer-se.
De facto, seria tão fácil e tão seguro para mim desistir, perante as dificuldades. Admiro este rapaz porque apesar de todas as gargalhadas e olhares de gozo, manteve-se ali, firme na convicção de que iria conseguir!
Quero só partilhar que...quando acreditamos muito que somos capazes, somos mesmo! Mas nada nos cai do Céu. Precisamos de ser persistentes e valorizarmos as nossas capacidades que nos ajudam a ir mais longe!
Importa dizer que uma hora mais tarde, quando passei para o outro lado do Rio, este rapaz estava erguido sobre a prancha a navegar ao sabor do vento...

Preciso de espaço


É muito bom ter amigos!
É muito bom fazer amigos!
Esta semana andei a mostrar Lisboa a uma amiga que conheci há dois anos em Taizé. Nunca mais tinha visto a Gosia, até Quarta-feira, quando ela chegou com um sorriso e um abraço vindos directamente da Polónia!
Ando por aqui e por ali a conhecer com ela, com a irmã dela e com a Catarina o melhor que tem a nossa linda Lisboa!
Ontem, fui pela primeira vez ao Museu do Fado. Encontrei por lá este poema/fado que me disse alguma coisa...achei por bem partilhá-lo!

Coração apertadinho

As saudades já são muitas.
Trata-se de um choque térmico nas emoções. Voltar é sempre difícil!
Deixamos o mundo como eramos e voltamos como somos.
Quando entramos nestas experiências, não podemos voltar iguais!
Dizer que foi espectacular é ficar completamente aquém. Por isso...guardo no coração os dias que vivi em com mais um milhão e oitocentos mil jovens.
E a jornada...continua dentro de mim.
É este o grande desafio.

Jornadas Mundiais da Juventude






Não sei se já é o momento certo para falar.
Não sei sequer se já cheguei.
Sei apenas, que tenho muito dentro do coração e que o quero partilhar, para que seja sempre possível recordar o que vivi, nos últimos 10 dias.
Fui uma das pessoas que teve o privilégio de viver as Jornadas Mundiais da Juventude de Madrid. Muitos mais gostariam de ter estado, mas por diversas razões não conseguiram. Eu fui. Voltei. Mas ainda não cheguei. O coração fica sempre preso a estas grandes experiências em que tocamos Deus.
Tudo começou no dia 11 de Agosto, com a Missa de Envio celebrada pelo novo Bispo de Coimbra na Sé Nova. Creio que pela primeira vez em muito tempo, me senti enviada e responsabilizada pela pessoa diferente que iria voltar. A música tanta vez cantada por mim fez pela primeira vez sentido: "Não fiques na praia com o barco amarrado e medo do mar. Tudo aqui é miragem, mas na outra margem há Alguém a esperar". Parti daqui, com muitas dúvidas e incertezas quanto ao futuro e sinceramente, não estava à espera de respostas. Fui só aberta a receber o Cristo que me ama e que muitas vezes não entra na minha vida porque eu não deixo.
Partiram seis autocarros da diocese de Coimbra para Talavera - Toledo, para viver a pré-jornada. Não fazia ideia do que esperar, mas honestamente, não queria esperar nada. Queria só deixar-me surpreender, tal como o Pe. Dinis nos pediu na missa de envio. Todos os dias me deixei guiar pelo que Deus tinha à minha espera e aos poucos fui percebendo de que maneira me foi tocando.
Em Talavera contava ficar numa família de acolhimento, o que não aconteceu. Mas isso, só me mostrou que podia sentir-me plenamente acolhida junto das Irmãs Agostinhas, que naqueles cinco dias de pré-jornada, foram autênticas mães, sempre dispostas a dar-nos tudo para que nos sentíssemos em casa. Todas as noites tínhamos garrafões de água fresquinha à porta dos quartos (e se estava calor!).
Na noite em que chegámos a Talavera rezamos todos juntos no pátio do colégio. Soube nesse momento a sorte que tive em ficar ali. Na verdade, quem foi para famílias não teve este momento de oração, que apesar do cansaço, foi tão intenso. Rezamos sobre uma das minhas passagens preferidas, em que Jesus diz: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja". Gosto muito porque, Jesus confiou na Fé forte de Pedro e incumbiu-lhe uma missão, a missão de O levar aos outros. Portanto, a Igreja é muito mais do que um conjunto de pessoas, é uma missão dada pelo próprio Cristo!
Nestes cinco dias foi-nos dada a oportunidade de conhecer Toledo e Talavera. Nesse tempo, senti Deus nas vozes fantásticas e no sorriso das Irmãs Agostinhas, assim como nas pessoas que fui conhecendo. A histórias de cada um...conhecer alguém é algo muito complexo. É a maior caça ao tesouro de sempre.
Partimos para Toledo no ultimo dia de pré-jornada, onde nos reunimos com todos os jovens que tiveram esta experiência nos arredores da cidade. Onde quer que fossemos faziamos sempre muita festa e no nosso rosto estava estampada a alegria de Cristo. Ao olharmos para as pessoas de outras nacionalidades tinhamos esta mesma alegria em comum. Trocamos pequenos objectos como lembrança do que estavamos a viver. Nessa noite, houve algo que me tocou em especial. Depois da missa celebrada ao ar livre, estava sentada ao pé de uma fonte quando passaram duas raparigas dos Estados Unidos. Uma delas tinha uma pequena guitarra, a qual lhe pedi emprestada para tocar uma música. Não sabia qual havia de ser, mas gostava que todos a pudessemos cantar. De repente lembrei-me da "One of us" da Joan Osborn e comecei a tocar. Fez realmente muito sentido! Eu partilho a mesma fé que uma pessoa também sente do outro lado do Oceano. É maravilhoso! Só Deus pode unir alguém desta forma.
Se as Jornadas tivessem consistido na Pré-jornada eu já me sentia completa e preenchida. Mas Deus, tem sempre algo mais para nós. Chegamos a Madrid no dia 16! Muitas pessoas no metro, muitas pessoas na rua. Em comum continuávamos a ter a alegria.
Normalmente, de manhã tínhamos as catequeses e Eucaristia, que foram celebradas pelos bispos portugueses e de tarde tinhamos tempo livre. Decidimos conhecer Madrid por dentro, por isso andámos muito a pé, visitámos Igrejas e praças. À noite, num desses dias, uma amiga minha perguntou se queriamos rezar juntamente com o grupo dela e assim fizemos. Foi muito bom dar graças pelo dia bom que vivemos.
As condições no colégio de Madrid não eram as melhores. Os banhos eram no pátio, com água fria e à mangueira, mas todas estas situações me ajudaram a descentrar-me de mim e a entregar-me ao essencial. O que tinhamos chegava perfeitamente para nos sentirmos bem. Temos muito mais no nosso dia-a-dia do que realmente precisamos.
No dia em que Portugal se juntou para o encontro do País, marcou-me muito um casal de Aveiro que faz parte de um grupo chamado "SIM". "SIM" de é possível viver edificados e enraizados em Cristo, nos dias de hoje. E também umas frases em especial, proferidas pelo D. José Policarpo: Descobri há uns tempos que dizer "eu acredito em Ti", é a mesma coisa que dizer "Eu amo-Te muito" e ainda: "Quando pensares na tua relação com Jesus não tentes perceber tudo, pensa que primeiro que uma relação de amor com Ele é possível, porque Ele ama-nos muito: Não fostes vós que me escolhestes, fui eu que vos escolhi"; Voltou-me à memória o tema de um encontro que fiz há uns tempos "A força das convicções" e pensei que realmente passa tudo por aí, pela nossa vontade em querer ser coerentes.
Nessa mesma tarde, realizei um sonho: Ver os Rosa de Saron!; apesar do calor e da sede que sentia, foi um concerto muito tocante!
Durante as Jornadas, quis-me abstrair do facto de não saber o que seria de mim para o ano, visto que não sabia se entrava no mestrado ou não. No penúltimo dia, andava eu no Museu Rainha Sofia a ver uma exposição temporária, quando recebo uma chamada da faculdade a que me candidatei, a dizer que tinha sido admitida e que não precisava sequer de fazer entrevista! Aí percebi, que não precisamos de procurar respostas porque a seu tempo Deus, põe-nas no nosso caminho. De um momento para o outro, o ano que aí vem tomou forma e sentido. Confiar não é fácil, mas vale muito a pena!
Tive a sorte de ver o Papa a passar à minha frente, apesar da velocidade a que ía o Papamovel, consegui vê-lo a poucos metros de mim!
Pelas ruas de Madrid ouviram-se gritos de protesto contra a Igreja, contra os cortes no orçamento e represálias sobre as despesas que as Jornadas trariam a Espanha. Mas em cada coração dos peregrinos gritava a certeza de que nós somos a juventude do Papa e que levámos muita alegria a esta cidade, para não falar na parte económica que tudo isto envolveu! Todo o marketing aos restaurantes etc.
Para mim, o dia mais vivido e difícil na Jornada foi o penúltimo, em que fomos para um descampado onde estaríamos em vigília com o Papa nessa noite e no dia seguinte seria celebrada a missa de encerramento. Madrid é muito quente, temperaturas de 40 e tal graus. Nesse descampado não existia uma única sombra e nós chegamos em plena hora de almoço. A água potável faltou a certa altura. Estávamos rodeados de um milhão e oitocentas mil pessoas. Ninguém imagina o que é viver um dia nestas condições, rodeado de tanta gente. Conseguimos improvisar uma sombra que nos safou do sol escaldante. Havia muitas queixas, desespero e pessoas a sentir-se mal. Por várias vezes, senti-me num campo de refugiados. Tudo o que queria era chuva e que a noite chegasse muito rápido para o sol desaparecer. No entanto, a certa altura houve um clique na minha cabeça e consegui descentrar-me do mau e pôr os olhos no bom.
É certo que eramos muitos, é certo que não havia água, é certo que o calor era insuportável e que não iriamos tomar banho no final do dia, mas havia muito mais coisas boas que más. Tinhamos uma sombra, porque uma rapariga tinha levado um pano que nos serviu de toldo, tinhamos água no nosso grupo que estavamos dispostos a partilhar, tinhamos alimentos suficientes. Vistas as coisas, o caminho para a Santidade não é feito só de coisas boas e bonitas. Exige sacrifícios e coisas duras! Eu estava ali pelo meu Salvador! Não podia sequer ter a ousadia de comparar o meu sofrimento, ao sofrimento de Cristo quando deu a Sua vida por mim, portanto, limitei-me a aceitar o bom que aquele dia me trouxe! Sei que foi ali que a minha Fé se fortaleceu! "Deixem-se surpreender".
Nessa mesma noite, durante a vigília, choveu e trovejou! Iamos dormir ali, ao relento mas não havia problema! Tinhamos um grande Deus do nosso lado! No momento de fazer silêncio, aquele 1 800 000 pessoas souberam calar-se e estar a sós com Jesus!
Tenho a dizer que, a viagem para Portugal teve um momento muito especial. A certa altura começamos num grupo pequenino a ler os contos de um livro do Miguel Sousa Tavares que se chama "Não te deixarei morrer David Crocket". Senti carinho neste momento, primeiro porque os contos são muito bonitos e poéticos e depois, porque no fundo é isto, a partilha entre todos!
O que acho maravilhoso é que cada pessoa viveu tudo isto de uma forma diferente mas tão coincidente.
Arrepia-me a ideia de Alguém que não vemos arrastar tantas pessoas só porque ensinou que o Amor é a base de tudo!
Deixo algumas frases que me tocaram em especial:
"Amar é morrer. Mas toda a morte tem a ressurreição"
"Tu és o meu filho muito amado"
"A tua Vida sem Deus fica a meias"
"Se abrires o teu coração a Cristo tudo vai mudar"
"Conhecer-se a si próprio não é senão uma forma de chegar a saber o que Deus pensa de nós" Sto Agostinho

Rezar juntos


"Agora não venhas ao meu quarto...vou rezar. Quer dizer, se quiseres vir rezar vem, mas é só para dizer que não quero que me interrompas enquanto lá estiver."
Instantes depois, a porta do meu quarto abriu-se e entrou o meu irmão. Sentou-se no chão em frente a mim e ficámos os dois quietos a ouvir o Passo-a-rezar do dia de hoje. Durante os 10 minutos de oração em formato áudio, passaram-me muitas coisas pela cabeça como: "Oh, a música que hoje puseram não é do agrado do meu irmão" ou "espero que o evangelho seja fácil de perceber para ele não apanhar seca" ou ainda "esta ainda não deve ser bem a forma dele rezar"; Depois destes momentos de insegurança pensei: Rita, ele está aqui porque quis vir...Deus deve ter algo a dizer-lhe, por isso, não te preocupes, relaxa, concentra-te na oração e vê o que ela te traz a ti.
Quando a oração acabou, resolvi falar com o nosso Amigo como de costume. A chorar, disse-lhe muita coisa que sentia e o meu irmão ouviu atento e de seguida também partilhou, na simplicidade, aquilo que queria agradecer e pedir.
Demos um abraço e falámos sobre o momento que tinhamos acabado de viver. Coisas que ele não percebeu muito bem, dúvidas.
Partilhei com ele a minha forma de viver e a minha vontade de fazer um caminho para a Santidade sendo do mundo, mas não mundana.
São momentos assim que nos unem às pessoas. Quem tem Fé percebe a importância de rezar juntos. Quem não tem eu explico: É como viajar com alguém. Não tem piada ir sozinho, porque assim não temos alguém com quem partilhar a experiência. Ao rezarmos, estamos sempre a partilhá-la com Deus, é certo, mas todos sabemos que Deus não nos responde como alguém responde; Rezar em conjunto aproxima as pessoas, cria laços.
É muito bom ter um irmão. É muito bom ele fazer parte assim da minha vida e deixar-me fazer parte da dele!

Caminhar....

Acredito que somos imesuravelmente mais felizes a fazer o que gostamos e o que nos realiza.
Tenho a sorte de, aos poucos, ir percebendo para onde vai o meu caminho.
Têm-se aberto várias portas nos últimos tempos e sinto-me muito grata por isso.
Sei que a alegria vem do que nos torna capazes de olhar e perceber o lado bom das coisas, mesmo naqueles dias farruscos em que o sol se escondeu de si mesmo.
O facto de a felicidade que nos habita nem sempre animar os nossos dias, não é sinónimo de que não a tenhamos construído. Simplesmente, fazem parte os dias de deserto, as frustrações e depois a aceitação. A aceitação não é o ficar parado à espera que a vida nos traga uma solução. Vejo o aceitar, como a única alternativa ao que já não se pode mais fazer.
Neste momento, não sei onde estarei no próximo ano lectivo. Sei que tenho que confiar em Deus e na Sua luz condutora e construtora. Se confiar, sei que fico bem aconchegada no colo do Pai que me ama.
Para mim a existência de Deus é tão óbvia que chega a ser quente e palpável na maravilha das pequenas coisas. Gosto de olhar para trás e perceber que os meus rumos têm sido traçados pela mão Dele. Desde que me lembro que Lhe peço: Vai-me mostrando o meu caminho, para que eu saiba sempre o que escolher;
Como já disse, o bom das frustrações é mesmo lançarmo-nos e desafiarmo-nos a procurar caminhos. Muitas vezes, depois de postar aqui alguma coisa penso: outra vez a falar de Deus, Rita; e imediatamente percebo que, se eu quero pôr Deus em tudo o que faço, Deus tem que estar nos meus dias, nos meus textos, nas minhas ilustrações e em cada serviço que eu fizer pelos outros. Mesmo que nem sempre eu consiga ver.
Hoje só quero partilhar que nem sempre tenho dias bons, nem sempre sinto o calor no peito, nem sempre confio como devia, mas agradeço por conseguir construir o caminho que se faz andando e que amanhã ou depois, o dia será melhor, menos cansativo e com mais sensação de dever cumprido.

Um pouco mais de ti


Gosto quando dás um pouco mais de ti...gosto quando posso dar um pouco mais de mim!
Gosto de começar por baixo, pelo que passa do superficial ao profundo.

Sabes Rita? Quando aprenderes a fazer as coisas para ti, saberás fazê-las para os outros.
Mais uma vez...a minha consciência tem razão!

Um noite pra comemorar

Andava por aqui a tocar guitarra, coisa que já não fazia há meses como deve ser.
Acabei por parar na Mafalda Veiga, numa das músicas que mais me diz e me faz lembrar da Andreia e da Catarina - "Uma noite pra comemorar" - em que a certa altura diz:

"Esta é só uma noite para me lembrar
que há qualquer coisa infinita como firmamento,
um sorriso, um abraço
que transcende o tempo
e ter medo como dantes de acordar
a meio da noite a precisar de um regaço"

Fez-me lembrar hoje, a minha ida a Fátima na vinda para cima.
O que nos leva a buscar sentido e o infinito.
A Fé.
O que aquele lugar diz a cada um.
A Presença que se sente.
A Paz.
Gosto muito de observar e tentar perceber os outros.
Gosto de ouvir histórias bem contadas que nos ponham o coração quente.
Naqueles crentes vejo tantas histórias...umas mais pesadas que outras, mas que tocam a vida de cada um e a própria construção pessoal.
Tudo se conjuga e interliga.
E a minha vida?
Como será de hoje para a frente?
Ando muito em "céu aberto" e um bocado perdida a tentar encontrar o caminho certo...
"Não é preciso correr, não é urgente chegar...o que é preciso é viver"

Silêncio


Não faz mal se não falas.
Não faz mal se ficas no silêncio.
O silêncio, é quase sempre, a fonte do olhar para dentro e do tocar o que somos.
Transporta-nos para as decisões ponderadas e para o re-parar dos recantos mais sombrios que nos habitam.
É nele que encontramos as diferenças e as respostas para elas.
É nele que sabemos e percebemos o que vale ou não a pena.
Apesar do silêncio, continuas a falar-me...todos os dias.
A verdade é que o teu silêncio me silencia a mim também.
Tenho a sorte de ter aprendido, que o silêncio não é mau. Às vezes é doloroso, mas mau não é.
É apenas verdadeiro quando há confiança suficiente para ele existir.

Do Alto da Pedra



Ultimamente tenho-me questionado acerca do "porquê" de algumas coisas (apesar de saber que devo procurar os "para quês" da vida).
O nome deste blog é um desses "porquês".
Não sei como soa aos ouvidos de quem o descobre, nem se o que escrevo para aqui interessa. Sei que no inicio, foi uma forma de deitar para fora coisas que iam cá dentro. Não tinha de todo, o intuito de ter "seguidores", era simplesmente uma forma de criar um chão.
O nome "Do Alto da Pedra" vem, tal como referi algumas vezes, de uma música dos Rosa de Saron - uma banda rock católica brasileira. No entanto, como ando "em arrumações" cá por dentro (de mim) tenho pensado que quando estamos no meio: de uma multidão, de um problema, de uma situação; não conseguimos ter distanciamento suficiente para olhar de uma forma ponderada e realista.
A Pedra é algo firme e sólido, que me lembra a parábola da casa sobre a rocha - é onde nos podemos apoiar, para além de dar esta possibilidade de nos pôr noutro nível - ao mesmo tempo liberta-nos. Ficamos despojados de tudo e focamo-nos no essencial.
E no fundo, é assim que quero viver. Sabendo que no meio dos problemas, tenho que saber olhar suficientemente de fora para tomar as decisões acertadas, estando disposta a confiar no Invisível (mas presente Deus).
"Do alto da pedra eu busco impulso pra saltar mais alto que antes e mais que tudo eu quero ir(...) Em Você eu sei me sinto forte, com Você não temo a minha sorte e eu sei que isso veio de Você".

Ballet

Penso que...a alma fica sempre, em tudo o que damos.
Seja a idade que tivermos.
Fica a alma e saudade e tudo o que aprendemos.
Hoje tive muitas saudades do Ballet.
Do quente das aulas aos Sábados de manhã. Da sala, do cheiro do balneário.
Das coreografias.
Do nervoso miudinho antes de cada actuação.
Das sabrinas e do cabelo perfeitamente apanhado.
Acho que as saudades vêm quando a cabeça pensa, pensa e a vida não chega para alimentar o coração.

Em arrumações

Há que dar o nome certo às coisas certas.
Um "até já" não é um "adeus". Há que aprender a dizer "adeus".
Muitas vezes somos confrontados com a partida. São bastantes as despedidas que fazemos durante a vida, seja de outros, seja de nós mesmos.
Temos que nos ir despedindo.
Temos que aprender a despedirmo-nos - das nossas rotinas, de pessoas ou de relações.
Não é fácil. Nem é fácil a despedida, nem o aprender a dizer "adeus", mas tem que fazer parte de um processo de crescimento e auto-conhecimento.
"Esta situação não me faz bem" então, tenho que reconhecer que é importante perceber que ela não é positiva para mim. Encarar o problema e passar a olhá-lo de outra forma.
Isto acontece muito com as expectativas que criamos apesar de ser imperativo esperar alguma coisa e saber sonhar.
O que quero dizer, é que me ando a despedir, por dentro, de algumas coisas que não são exactamente o que eu achava, como modelos de vida a seguir que afinal não passam de vazio. Isso custa, mas a única forma de me aproximar mais de tudo aquilo que de bom posso ser, é esta. Tirar as pedras da mochila e continuar caminho. Mas estes obstáculos, são quem faz de mim quem sou.
Deste lado, ando em arrumações!

De onde vem a felicidade...

Quando depositamos a nossa felicidade em alguém, mais cedo ou mais tarde, o mais certo é virmo-nos a desiludir.
É importante conseguirmos ser nós em tudo o que fazemos, em todas as relações, em todas as situações. A felicidade vem desta busca de coerência e verdade em cada acto.
Tenho aprendido a ser (muito) feliz e a fazer-me feliz. Permito-me fazer coisas novas e diferentes sempre que possível, como tirar um dia só para estar comigo, ou levantar-me às 3 da manhã (por não conseguir dormir) e pintar uma tela. São pequenas coisas em que digo: Porque não?; e sabem tão bem!
A música tem um poder qualquer em mim, que não sei definir. A lembrança da minha mãe, diz que eu "dei a volta" na barriga dela, ao som da Lambada e isso deve querer dizer alguma coisa. Hoje, ouvia vindas da rua, várias músicas que conheço e gosto.
Uma banda rock estava a tocar covers no palco improvisado para o tempo de verão. Eram de facto muito bons. "Terminal 16" era o nome deles. Às tantas, no meio de tanta música animada, cantaram o "por quem não esqueci" e aí eu pensei: Percebes Rita? Temos aqui um momento daqueles que são para ti; e de facto foi aconchegante e quentinho.
Acho que temos de viver mais na simplicidade do(s) encontro(s). Temos que dar oportunidade a nós mesmos de nos aproximarmos daquilo que gostamos e nos traz algo de bom.
Sentar no chão e rendermo-nos.
Tirar as sandálias.
Pisar a areal à noite.
Boiar no mar alto.
Seja o que for....
A felicidade só acontece quando permitimos a nós mesmos viver o que mais gostamos, viver os "porque não"? Afinal, os limites são quase sempre impostos por nós. Não, não temos que fazer asneiras, nem loucuras e muito menos desculpar as situações. Quero dizer que, temos que ser capazes de entender, que a felicidade está em pequenas coisas procuradas por nós. Se depositarmos a nossa esperança de "ser feliz" em alguém que não nós mesmos, é muito fácil sermos confrontados com pensamentos derrotistas do "eu não sou capaz", mas de facto, somos. É só mudar um bocadinho a perspectiva!
De onde vem a felicidade?
Do dia-a-dia (porque sei que só eu a posso construir).

A Fé

A Fé de algumas pessoas deita-me por terra.
A força das convicções daqueles que construíram com Deus uma relação forte ao longo da vida dá-me esperança de lá chegar.
A forma como são capazes de argumentar e defender o nosso Jesus, inspira-me e faz-me querer ser assim.
Sem conhecimento não é possível falar, mas sem Fé também não.
A Fé vem do Amor.
O Amor vem da construção.
A construção vem da vontade de querer as coisas bem feitas. Começar pelos alicerces e as fundações da casa.
Sou ainda muito pequena, mas isso não pode ser desculpa. A minha pequenez não pode, nem deve impedir que eu queira crescer na Fé e na coerência.
Sinto hoje, que a família é a minha base para este crescimento espiritual ao longo da vida. Sinto-me muito grata por ter tido (e ter ainda) exemplos que me vão guiando e mostrando o que é ser coerente e o que é ser Católico.
Hoje quero rezar por todos os que se dizem Cristãos mas que não sabem ser congruentes com o que mostram ser. É importante dar a cara mas não menos importantes é dar o exemplo.

Parar

Parar nem sempre é fácil.
Encontro-me naquele de período de procrastinação de que tanto gosto. O levantar, ir para a praia, o ler, desenhar, voltar à praia e vir para casa, dar ou não a voltinha da noite.
Parece imensa coisa para fazer, ou talvez não, mas a verdade é que no meio de tanta coisa que acaba por ser vazia, há imenso tempo para "parar" no verdadeiro sentido da palavra.
Sabe bem não fazer nada depois de um ano tão cheio de tanta mudança, de pessoas novas e de até uma vida nova. Creio que esta paragem é importante, mas é difícil. É difícil desocupar a cabeça das mil coisas em que estamos metidos. É difícil desligar de problemas. Ainda não soube "chegar" aqui, porque não consigo desligar-me de ideias, de vários pedidos e também de lugares.
Sei e percebo, que tudo tem que ter um tempo, mas mesmo isso não é fácil de aceitar.
Gostava de ter a sabedoria de aterrar e chegar. Mas não tenho. Stresso se não tenho nada que fazer, se não penso em novos projectos...
O limite está mais uma vez, em sentir-me ou não útil. Posso deixar de ser útil durante 15 dias? Posso tirar férias de mim e para mim? Posso ser a Rita se deixar de inventar só por este período de tempo?
Acho que posso parar e conseguir chegar, de facto, continuando a ser útil, continuando a ter ideias, mas aprendendo a viver tudo a seu tempo. Hoje é hoje e amanhã será amanhã.
Até conseguir separar as águas estarei a crescer...(e bem que preciso de crescer)!

Cheguei

A fidelidade dos pequenos gestos nem sempre é fácil, mas não impossivel.
O sentido do comprometer-se ou do estar comprometido, é muitas vezes uma prova de fogo com a qual lutamos, mas que com determinação levamos em frente.
Os desafios que nos sabem a vitória, são normalmente os mais complicados de alcançar.
Mas tudo isto, é necessário para nos sabermos realizados e seguidores de um projecto de vida que construímos a cada decisão.
Sinto-me feliz por ter objectivos e por ir realizando, aos poucos, a minha vida completando as partes do puzzle que estavam esburacadas.
Hoje posso dizer que sou licenciada.
Entrei na segunda fase. Tive cadeiras que achei que não eram passiveis de fazer. Chorei frustrada. Quis por momentos desistir, mas desistir era simplesmente dar-me por derrotada e os problemas não se resolvem com fracassos.
Sinto-me muito grata por todos os que lutaram junto a mim e me fizeram chegar mais longe, mesmo nos dias de desânimo.
Aprendi o preço de ter uma só cara e uma posição defendendo os meus valores.
Sinto que ao realizar mais uma etapa, estou mais perto do que posso ser para os outros e isso é bastante gratificante.
"É pelo sonho que vamos
Comovidos e mudos
Chegamos?
Não chegamos?"
...
Sebastião da Gama
Há problema em às vezes não nos sentirmos assim...especiais?

Coisas que eu sei

Gosto tanto, tanto de músicas que nos transportam, que nos fazem sentir cheiros e o vento na cara.
Esta capacidade de nos fazer viajar para sítios calmos e nossos.
Há músicas mesmo "físicas", que nos despertam a sensibilidade.
Sabe mesmo bem quando elas voltam para nós:


Se fosses uma árvore, que árvore serias?



Nem sempre os dias correm como planeado.
Trazíamos o carro cheio de tralha (tralha de quem vive cinco meses fora do ninho) e acenderam-se umas luzes estranhas no painel (e eu percebo tanto de Mecânica como de Geografia). Parámos na área de serviço mais próxima. Desliguei o carro e quando tentei ligá-lo de novo...SURPRESA...ele não se mexeu - estava sem bateria.
A solução foi ir encontrar um mecânico rapidamente que nos pudesse ajudar, mas quem apareceu foi um motorista (não interessava, nestas coisas só interessa encontrar um homem, porque encontrar um homem na maior parte das vezes é sinónimo de "eu sei o que tem o teu carro e resolve-se fazendo isto ou aquilo"). O alternador está avariado e a bateria não carrega! Entre chamar o reboque (a um Domingo) e esperar saber como chegar a Casa, passou-se uma agradável tarde ao sol quente de Julho.
Antes, tinhamos planeado ir a Alcobaça passear, mas entretanto a minha vontade de conduzir já era tão pouca que decidimos vir directos para Coimbra.
Finalmente tudo se resolveu, e perto das 20h chegamos a Casa. Foi tomar banho e comer qualquer coisa à pressa para eu e o J. irmos (a pé) para a missa no Penedo da Saudade.
Como sempre o brilhante Padre Carlos Carneiro tem o dom de desconstruir e transformar o que está acomodado em nós. O evangelho de hoje é o da parábola do semeador. Vem com ele toda a questão do olhar para dentro e saber-se plantado, saber-se fértil e saber-se regado. Tudo isto, tem a ver com as nossas escolhas do criar raízes, criar laços e escolher o terreno em que queremos semear.
Pensámos no grão de mostarda na sua pequenez, na sua fragilidade e em como, se regado e bem tratado se transforma numa árvore. Um grão transforma-se em árvore... que bonito! Então o Pe. Carlos dizia: Se um grão se pode transformar em algo maior, nós como pessoas podemos transformar-nos em algo melhor!; Que frutos queremos que a nossa vida dê? Em que valores nos pautamos? Qual é a simplicidade com que encaramos as coisas? No fim lança a pergunta: Se eu fosse uma árvore, que árvore seria?; Ainda ando a pensar nisto...e cheira-me que ainda me vai dar que pensar, mas sem dúvida, que gostaria de ser uma árvore grande para dar abrigo, com raízes profundas e compridas para chegar a outros lugares e de fruto para poder alimentar quem a fome tivesse.
No fim deste dia, sinto-me grata por no meio de tantas peripécias, termos chegado bem a Casa. De facto, a nossa intenção na oração que fizemos no inicio da viagem foi essa mesmo: Faz-nos chegar bem a casa; Não pedimos para chegar depressa.
Então juntando isto...para já, quero ser uma árvore que se deixe regar porque Quem sabe cuidar e por Quem sabe o qual é o melhor adubo para me fazer crescer.

Até já



O quarto voltou a ser o mesmo de há 5 meses atrás.
Os móveis saíram do sítio e estão agora onde sempre estiveram.
Aos meus pés, tenho tudo o que precisei (ou achei que precisava) para me aguentar por cá, sem sentir a falta de casa.

Mas afinal... que casa?
O "meu" espaço, por aqui, já não é meu porque já não me tem, nem tem o que é meu. E outro também não. E afinal...o que faz um espaço ser nosso? As pessoas que nos acolhem? As coisas que trazemos? ou... As coisas que levamos?
Ando em meias medidas, meias casas, meios lugares. Sempre digo, e continuo a achar: "Casa, é onde te sentes bem".
Foi um tempo muito bom, de muita aprendizagem. Foi um salto para a vida, sem dúvida. Mas quero ficar.
Há alturas em que sentimos que o nosso lugar é outro.
O bom de se poder guardar coisas no coração é saber que cabe sempre mais alguma coisa e que para guardar, não precisamos de tirar nada.
Continuo a trazer Coimbra, e a amá-la por tudo. Muito do que sou, deve-se à forma como cresci e aprendi a viver. As formas de estar têm que ser diferentes.
Não quer dizer que não sinta saudades do Avós e da restante família, quer só dizer que a vida vai mudando e os nossos lugares também vão sendo outros.
Por enquanto, o meu lugar é onde eu tiver coisas a acrescentar e outras a aprender... seja onde for.
Então...(quiçá) - até já, Lisboa!

A mentira

O que me irrita não é o conteúdo das mentiras.
É a falta de transparência das pessoas.
Por muito simples e inofensiva que seja a mentira, o que mexe comigo é o não sentir da outra parte a mais pura das sinceridades. Uma tentativa de agradar, de conquistar através de algo falso e fácil.


É cantando
Que Te abraço, que me tens
É cantando
Que Te falo bem de dentro
É cantando
Que me dizes para ficar
Foi cantando
Que me quiseste acordar

Mas é chorando
Que o coração Te vê
E é caindo que Te estendo a mão
E é sofrendo
Que a gente aprende a ser
Todo Teu...todo Teu!
Simplus

Recomeça

Recomeça…

Se puderes,

Sem angústia e sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro,

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,

Vai colhendo

Ilusões sucessivas no pomar

E vendo

Acordado,

O logro da aventura.

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga, Diário XIII

Precisamos de ser Santos

Precisamos de Santos sem véu ou batina.
Precisamos de Santos de calças de ganga e sapatilhas.
Precisamos de Santos que vão ao cinema,
ouvem música e passeiam com os amigos.
Precisamos de Santos que colocam Deus em
primeiro lugar, mas que também se esforcem na faculdade.
Precisamos de Santos que tenham tempo para rezar
e que saibam namorar na pureza
e castidade, ou que se consagrem na sua castidade.
Precisamos de Santos modernos, Santos do século
XXI, com uma espiritualidade inserida no nosso tempo.
Precisamos de Santos comprometidos com os pobres e
as necessárias mudanças sociais.
Precisamos de Santos que vivam no mundo, se santifiquem
no mundo, que não tenham medo de viver no mundo.
Precisamos de Santos que bebam coca-cola e comam hot-dogs,
que usem jeans, que sejam internautas, que usem walkman.
Precisamos de Santos que gostem de cinema, de teatro,
de música, de dança, de desporto.
Precisamos de Santos que amem apaixonadamente a Eucaristia
e que não tenham vergonha de tomar um ‘copo’
ou comer uma pizza no fim-de-semana com os amigos.
Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, amigos,
alegres e companheiros.
Precisamos de Santos que estejam no mundo;
e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo,
mas que não sejam mundanos."
João Paulo II

Uma causa Nobre


Todos temos sonhos. Uns maiores que outros.
Este é o meu maior sonho!
Às vezes está adormecido, mas não esquecido.
O que é que pode ser mais gratificante que "ir", ficar e aprender, entrar na cultura, transformar e remexer. Um mês...um ano... uma vida(?)
Dou por mim, tanta vez, a pensar: Mas a vida não é mais que isto? Tirar um curso, trabalhar, casar, ter filhos, morrer. Temos mesmo que ser "formigas de carreiro"? Onde está o limite?
A questão vem toda dos limites que nós pomos, ou que alguém impõe. "Agora não dá, porque tens que tirar mestrado", "agora não dá, porque tens que organizar a tua vida", "agora não dá porque namoras e isso ia dar cabo da tua relação"...tantas pedras que pomos no nosso caminho. Tantas vezes que podíamos ver mais alto e mais longe, mas há alguém a dizer: não podes!
Tudo vem da simplicidade do espírito aberto à missão e ao serviço. Penso muitas vezes nos meus dias, quando não tenho vontade de fazer alguma coisa, "Rita! Servir onde é preciso", e aí, por muita preguiça ou tédio, as coisas tomam outros contornos e andam para a frente.
A minha família sempre me ensinou que não podemos olhar só para nós e para o nosso umbigo.
A Igreja fez/faz a ligação do que Eu sou, para o que Tu és. Deus dá-nos esta dimensão de ver mais longe, do ver para dentro, e do ver para lá do que está fora.
Por isso sim...quero ir.
Os projectos de Vida são algo valioso de mais para poderem ser varridos para debaixo de um tapete. Não pode haver um medo maior que a vontade de transformar a nossa vida (transformando a dos outros).

Só espero que um dia consiga explicar porque é que fui e como voltei diferente!
Obrigada David!
Obrigada pelo teu exemplo!

Bem! Há dias mesmo cheios de vida e de histórias.
Comecei o dia a tentar descobrir uma gráfica, com a qual já tinha falado. Quando lá cheguei não pude imprimir o que queria, porque não tinha levado as coisas prontas a serem reproduzidas (que esperteza!) - "Volte amanhã sff!" - lá terá que ser!
Pude praticar um bocadinho do meu (já bastante mau) inglês, com um senhor alemão que estava com umas dúvidas relativamente ao cartão do metro/comboio - e pensar que há quatro meses atrás, estava eu no meu bom português a perguntar isso e muito mais. Agora sou eu quem as esclareço!
Lá ia no meu comboio quando uma ciganita e mãe se vêm sentar ao meu lado! A pequena mal olhou para mim desatou a fazer perguntas e mais perguntas. Quando perguntou para onde é que eu ia e lhe respondi: olha, vou trabalhar!; surgiu de imediato: Onde está a tua mamã?
- Olha, a minha mamã está a trabalhar também! - disse eu
- Hum... - e virou-se para a mãe dela e disse baixinho - acho que ela não tem mamã!
Ri-me muito com isto...então o facto de a minha mãe não estar ali comigo, para aquela criança era sinal que não tinha mãe já! Garanti-lhe que tinha mamã e papá só que não podiam estar ali comigo.
O interrogatório continuou até eu sair. Chamava-se Irene, a pequenita.
No supermercado, uma senhora velhota que estava toda carregada passou à frente da fila e veio por-se atrás de mim. Ajudei-a a pôr as coisas no tapete rolante e às tantas lembrou-se que lhe faltavam uns chocolates. Mal virou costas, a senhora que estava à minha frente diz: esta gente, só quer passar à frente e deixa os outros à espera. Enfim....; Imediatamente pensei: tens que aprender a perdoar. Tens que aprender a tirar pedras do caminho. Há pedras que já lá estão, mas há outras que somos nós a pôr. E as que pomos, a maior parte das vezes não têm sentido nenhum....
Estamos constantemente a ser confrontados com mudanças.
Com ilusões que passam à realidade.
O quente e o frio. O escolher ficar ou escolher ir.
As saudades e o sentir falta.
O alterar.
O chegar e partir, para chegar e partir outra vez.
O bom disto, são as pessoas e paisagens que trazemos de cada degrau que subimos.
Pomos à prova maturidade e experiência e achamos, muitas das vezes, que os outros não crescem quando nós crescemos.
Mas depois há as surpresas.
O desinstalar o que já estava instalado.
E construímos na medida em que queremos mais, mas quando há possibilidade de subirmos mais um bocadinho, retraimo-nos. Há sempre algum receio na mudança.
Estava tudo arrumado e organizado, e de repente desorganiza-se. E há frio no estômago de novo e encontram-se placas de direcção na estrada.
Que escolher?
Acolher o presente?
Deixar crescer?
Ficar acomodada?
Largar as ilusões?
Quebrar amarras?

Ou simplesmente... não fazer nada de nada e...aprender a confiar?

Como é que se Esquece Alguém que se Ama?

Faço minhas (mais uma vez) as palavras deste grande senhor:

"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar. "

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'