1, 2, 3 - vou (re)nascer outra vez

Este ano estou com os meninos mais pequenitos, os do 8º ano. Não estão numa idade fácil, é difícil transmitir o que queremos, nem sempre conseguimos passar a mensagem da forma como gostávamos. Mas mesmo assim, continuo a aprender com eles...(espero que eles comigo).
Acho que cada um de nós tem um lume dentro de si. E há coisas que o fazem brilhar mais que outras.
O meu lume por vezes fica muito fraquinho quando me desiludo...esta semana chegou a acontecer. Mas o bom dos dias é que são sempre tão preenchidos que há coisas boas sempre a acontecer!
Eu quero sempre muito, chegar ao fim do dia e perceber e conseguir interligar as coisas que se foram realizando. A verdade é que muitas vezes dou por mim frustrada, porque me é difícil que pegar numa "ponta" diferente da do dia anterior para agradecer por isso.
Hoje cheguei à conclusão (mais uma vez) que não tenho que ter sempre a resposta e o "texto escrito" coerente ao final do dia. Consigo perceber que as minhas semanas têm estado completamente interligadas, em pequenos gestos que me fazem fechar os olhos e sorrir, e aprender com as diferenças.
Talvez esteja na altura de ser mais dura. Estou ciente das minhas fraquezas. Todos nós as temos. Tenho ouvido coisas mesmo bonitas, e sentido outras, como por exemplo: "Não tenhas vergonha de pedir que te ensinem", não sabemos tudo, e hoje ligo isso ao meu grupo de pestes do 8º ano, que têm tanto para me ensinar. Por eles vale a pena, porque serão pessoas boas!
Não posso continuar a contar que todas as amizades que tenho hoje permaneçam, mas sei que aqueles que revelam preocupação por mim, eu consegui cativar, porque estavam abertos o suficiente para se deixarem envolver por esta proximidade.
É um período fantástico de descoberta, e de interiorizar pedaços de coisas soltas, de alguma procura do viver sozinha...
Sinto-me uma criança a aprender a viver de diferentes formas, sendo tão única quanto posso ser.
Afinal, acho que estou a descobrir realmente o truque de ser adulta.
É um segredo meu que posso partilhar:
Quanto mais cresço e sou capaz de me aproximar de mim na minha essência e do que eu sou, da minha verdadeira transparência, mais me aproximo da ingenuidade de criança que achei que ficou para trás; Quanto mais penso nisto, mais acho que é por aqui... mas daqui a uns tempos nunca se sabe, se não volto atrás e risco bem riscada, esta teoria!
Uma coisa é certa. Perdi as ilusões de achar que já sofri muito ou fui muito feliz e aprendi tudo o que tinha para aprender. Dou por mim, a rir-me de atitudes que tive há um mês atrás. O mais provável será daqui a um mês, estar-me a rir das minhas agora!
Eu quero muito ser eu! Quero muito que o lume que trago chegue às pessoas. Quero saber aceitar os outros e melhorar o mundo deles, e percebê-los, e ser capaz de levar os meus sonhos para a frente!

Sou só alguém à procura de si!

E para lembrar-me de como é bom poder dar os sinceros parabéns aos meus amigos de sempre,
parabéns pelos teus 20 anos, Catarina!
Ai...nunca pensei que custasse tanto aproximar-me do fim da licenciatura...:(
Até lá...muitas águas hão-de passar debaixo da ponte rainha santa!
Andava eu no Facebook, a ver uma daquelas coisas que não sei como se chamam, mas dão frases aleatórias sobre temas diferentes, e depois de alguma selecção calharam-me as seguintes frases:
Tenho saudades de...
De quando eras realmente tu, em vez de um ser estranho em que te decidiste transformar.
De quando podia viver, sem ter que me preocupar com absolutamente nada.
Saudades de ser criança.

Aprende que...
Tudo que nos irrita nos outros pode nos levar a uma compreensão de nós mesmos.
Só entendi o valor do silêncio no dia que resolvi calar para não magoar alguém.

E realmente, mais ou menos penosas e saudosas, fico contente por me poder rever em cada uma. É sinal que tenho vivido, tenho coisas para contar...coisas boas e más, mas que não deixam de ter a sua importância e tempo exacto.
E é bom viver assim...com histórias dentro de uma maior.

Não gosto

Não gosto de pessoas que falam muito, não dizem nada, mas estão convencidas que mostram o contrário!
Não gosto de me sentir mal num grupo do qual faça parte.
Não gosto que as pessoas falem mal sem terem razões para isso.
Não gosto quando gozam com alguém que não percebe à primeira.
Não gosto de humilhações!
Não gosto de desprezo!
Não gosto de mexericos nem zaragatas.
Não gosto de falsidade...
Não gosto de me sentir enganada
Não gosto de descobrir que afinal não posso confiar...
Não gosto (MESMO) que me mintam...

Não gosto...mas este é o dia-a-dia...
Só tenho que aprender a lidar com isto....

mas ao menos posso dizer que

Não gosto...


Afinal, qual é o problema da transparência? É a exposição?
É o seres mais tu, mais eu, mais nós!
Qual é o problema do "descobrir-me a mim mesmo?"
Qual é o problema do cara-a-cara, de dizeres que não gostas, para evitar que amizades se desvaneçam?
Qual é o problema de teres alguma coisa na cabeça?
Qual é o problema de ser diferente?
Qual é o problema de dizer: EU ACREDITO! ?
Qual é o problema de às vezes te faltar confiança?
....

Afinal...qual é o problema do mundo?

Momentos


Porque há curtas tão boas que nos deixam sem palavras, aqui fica esta, que me foi mostrada pelo João.
Trata de realidades que estão à nossa volta...
Quantas vez eu não vejo uma senhora muito encasacada, à entrada da minha rua, a rebuscar e remexer no lixo? É tão duro de ver...
O que levará estes Seres Humanos a chegarem a tal ponto? A perderem a noção de si?
São coisas que me tocam, e me deixam desorientada...
Afinal, queixamo-nos de tanto todos os dias, quando há pessoas que caladas nem o alimento diário têm.
Dá que pensar...e muito.

"Cati's in Italy"


Não...a minha melhor amiga não se chama Maria, nem tem um filho e muito menos está na Índia.
Mas eu sabia que haveria um dia em que iria chorar com saudades dela.
Chama-se Catarina, e está de Erasmus em Itália. Estamos separadas há quase um mês...Ela está a crescer e a conhecer o mundo, com todos os problemas que isso traz, mas também cada dia é uma nova descoberta, uma aventura e um enriquecimento pessoal.
Tenho saudades da transparência dela, do confiar que não me mente nem inventa desculpas quando não pode por algum motivo estar comigo...
Sei que está a ser importante para ela, e fico feliz com isso...
Fica a música que me lembra muito dela, de mim, de nós...

Volto a vê-la no Natal...

"...and just see things I'll probably never get a chance to see"


Eu acho que há coisas tão bonitas que nem sempre reparamos...
A forma como as coisas nascem, a forma como as coisas acontecem... As histórias que se fazem com amor e ponderação - sem pressa.
Quando às vezes parece que está tudo encaminhado, mas no fundo há um discernimento constante da minha vontade ir de encontro à tua, do se calhar abdicar de mim para ser mais contigo, do saber esperar porque não há certezas ainda, e se calhar as dúvidas são muitas...
Depois há a dedicação, o reconstruir, o ver que o tempo só ajudou a unir as pessoas, mesmo no meio das dúvidas e incertezas.
Coisas muito pequenas, que fazem outras tão grandes.
Ela aplaudi-o de pé. Foi o único momento em que se levantou para bater palmas com tanto entusiasmo...
Ele já lhe dedicou músicas... o que a deixa com aquele sorriso cheio de brilho.
Ontem pedi muito, para que ela saiba sempre aplaudi-lo, em todas as alturas, mesmo nas difíceis, mesmo quando custar, e que ele saiba que ela estará lá sempre, incondicionalmente de pé para ele. Mas também pedi, para que ele saiba sempre dedicar-lhe as coisas com amor, com o encantamento do inicio.
Vejo neles algo de muito bonito... obrigada, porque através do vosso amor, posso chegar mais perto do que quero para mim!

para o Diogo e Catarina :)

P.s. - mais uma vez, obrigada Diogo, por aqueles dois papelinhos que me fizeram ter uma noite espectacular!
Às vezes consigo-me imaginar daqui a uns anos, a olhar para trás, para a minha e as vossas vidas, a rir-me de problemas tão simples de agora, que parecem enormes e que daqui por uns anos não valerão de nada...

E gosto...

P.s. - A frase de hoje vem mesmo a calhar: "Cada um é tão infeliz quanto acredita sê-lo" Séneca

O telemóvel perdido

Tenho mesmo que escrever isto antes que me esqueça. E se me esquecer, um dia mais tarde não vou poder rir-me disto, portanto, ora aqui vai:
Há coisa de um mês atrás, estava eu (muito linda) a pôr o lixo no contentor quando encontro um telemóvel no chão. Apanhei-o, meia duvidosa, porque ele estava embrulhado numa capinha vermelha e dizia: continente mobile....eu só pensei: Ok! Alguém que tem um telemóvel do continente, deve ser alguém com alguma idade.
Procurei na lista algum nome com um parentesco antes, e encontrei um tio António. Lá liguei eu, expliquei-lhe que tinha encontrado o telemóvel no chão da minha rua e que o queria devolver ao dono, segue-se a seguinte conversa (espectacular!):

Tio António - Telemóvel? Oh menina, é assim, eu hoje não saí de casa não perdi.
Eu - Pois, percebo. Mas este telemóvel é de um sobrinho ou sobrinha do senhor. Eu estou a ligar para tentar devolver, se me puder dizer o nome da pessoa...
Tio António - Olhe, eu não sei, hoje não saí de casa, o meu telemóvel está mesmo à minha frente, eu estou a vê-lo!
Eu (com algum esforço para não me rir) - Pois, mas eu não encontrei o seu. Encontrei o do dono/a do telemóvel pelo qual lhe estou a ligar. Qual foi o número que apareceu no seu visor quando eu lhe liguei?
Tio António - Pois, não sei menina não é? Quer dizer, não dá para "beré" tá-me a ligar para o fixo!
Eu - Pois...
Tio António - Olhe, eu estou a tou a perceber o que me está a dizer menina, mas olhe, a sério, eu tenho mesmo o meu telemóvel aqui ao meu lado! Juro..e hoje não saí de casa, por isso não posso ter perdido.
Eu (após uma pausa para não me escangalhar a rir) - Pois...pronto, então se não pode ajudar-me eu vou tentar outro número, sim? Obrigada na mesma!
Tio António - Olhe, sim sim...tenho muita pena! Muito obrigado, olhe muitos beijinhos minha menina!

Ahahahah! Ai meu Deus, fez-me lembrar aqueles apanhados tipo "Boalhosa" em que o mudo fala para o surdo!
Acabei por contactar com a irmã da senhora, e era a vizinha do prédio da frente. Lá devolvi o telemóvel e descobri que o Tio António era do Entroncamento.
E pronto, a história acaba aqui!

Nota: O Tio António pronunciava "munina", "dezere", "muto", "telemóbel", "bê-lo"...e por aí fora!

After Ben - o amanhã que nos espera




Não.
Não vim falar dos caos que está Coimbra porque está cá uma das maiores e melhores bandas de sempre (pelo menos para já). Vim falar de algo que também foi estrondoso, não contou com 8o mil pessoas, apenas com 800.
800 jovens entre os 16 e os 30 anos que vieram passar um fim-de-semana onde a compreensão foi fácil, pois falávamos todos as mesma linguagem - a do amor de Cristo.
Descobri que as dúvidas que eu tenho, muitas mais pessoas as têm, e que estamos todos em busca, uma busca permanente no encontro ao invisível.
Neste After Ben, a ideia era aprofundar as palavras de Esperança que o Papa veio trazer quando visitou o nosso País. O que Bento disse, é que devíamos fazer do mundo um lugar de beleza, e isto implica construção, conquista, calos e dores de costas :) Mas Deus é agora!

A abertura do encontro, foi algo do outro mundo! Estava de génio. Batuques, jactos de tinta sobre uma tela branca, dança, luzes, fogo...uma barca onde eram projectadas as imagens..e Fogo de artificio. Dessa tela toda pintalgada de tinta, nasceu a imagem a negativo do Papa :) Brilhante!

Uma das dinâmicas deste encontro são os workshops, e eu fui a um em que o tema era: "Pela Igreja" ou Pelo Corte-Inglês"? Casamos para fazer o outro feliz, para completar o nosso projecto de vida e criar um em comum com o outro, servindo os outros através do nosso amor. O casamento é para o mundo poder contar connosco, deve libertar-nos. É um compromisso com a humanidade e uma missão para com o outro. "Sim, quero" quer dizer "sim, eu creio/acredito/confio" na fé de Jesus.
Ouvi o testemunho de um casal mesmo querido. Que quando começaram a namorar "inventaram" uma oração deles para poderem rezar juntos... Acho isto lindo...então quando casaram passaram a rezar dois mistérios do terço, um por cada um deles, mas agora como a Marta está gravida rezam três, mais uma pelo filho :) "Comprometido com o mundo, dando a vida a cada um".

Sinto que a minha Fé não anda nos picos mais altos, pelo contrário, anda bem cá em baixo, mas sei que isto faz parte das relações. O que acho importante, é nunca deixar de confiar, mesmo em tempos de deserto como este, em que não venho completamente renovada, mas venho mais aberta a receber Jesus. Continuo com "sede" de busca e de encontro, por isso estou mesmo ansiosa que cheguem as Jornadas Mundiais da Juventude 2011 :) Claro que não estou à espera das Jornadas para voltar a ter a minha Fé lá no alto, mas acho que vai ser um encontro muitooooooo bom!

Agora pronto! Vou falar dos U2! Que por acaso também estiveram bem presentes no meu fim-de-semana e nas minhas reflexões. Há coisas mesmo engraçadas, que quando notamos nos sentimos assim meio sem jeito. A minha amiga Tânia ligou-me ontem do concerto numa música que nunca liguei muito, mas que descobri que nesta altura está cheia de sentido - I still haven't found what I'm looking for... lembra-me da minha procura de Deus, e de tudo o que O envolve...mas também as buscas de toda a gente, por algo bom, por algum sentido.
Queremos saber tudo demasiado rápido, achamos que a vida tem que nos dar o que queremos quando queremos. O tempo de encontrarmos o que precisamos, é outro.

Na verdade não fui a tempo dos bilhetes (nem a minha carteira), mas como a boa portuguesa (e pobre) que sou, lá fui eu dar a voltinha ao estádio, e sendo assim posso dizer que vi meio concerto, porque ouvir, ouvi tudo, só não estive lá dentro a ver! (e não, não levei a lancheira atrás, tipo as fãs do Tony Carreira).

No fim de tudo isto...só quero dizer que as coisas realmente fazem todas sentido, mesmo parecendo que U2 nunca se poderia ligar a After Ben, mas sim, foi um fim-de-semana em que aprendi a amar mais a Igreja e a querer ser mais, vivendo os desafios do dia-a-dia.