O exemplo



O exemplo deve ser uma fonte de aprendizagem em todas as alturas da vida.
Não devemos aprender só com os nossos erros, mas é sinal de inteligência aprender com os erros dos outros.
Nós humanos temos muito mais facilidade em aprender com exemplos práticos do que com palavras.
Há uns dias atrás, lembrei-me de um dos maiores exemplos de perdão que tive na vida, dado pela minha Avó Branquinha.
Tinha eu os meus oito, nove anos e andava na sala da casa dos meus Avós a brincar com um balão. Como em todas as casas de Avós, há pratinhos a enfeitar a sala. Ora eu que não parava quieta, fui avisada pela Avó Branquinha para sossegar, pois o balão podia partir qualquer coisa. Sempre fui teimosa (em tempos mais do que agora) e não parei...O meu lindo balão foi bater num dos pratos que enfeitavam o móvel e caiu em cima do pé descalço da Avó, que estava sentada no sofá.
O dedo pequenino do pé começou a sangrar. Fiquei muito envergonhada e aflita. E quando me cheguei ao pé da Avó a pedir-lhe mil desculpas, com o maior peso na consciência, ela olhou para mim, fez-me uma festinha na cara e calmamente disse: não faz mal, querida. Estás desculpada, não te preocupes!

Isto desarmou-me. Ela estava a sangrar do pé por MINHA CAUSA, depois de me ter dito para PARAR! E mesmo assim não estava zangada comigo? Mas...de certeza que lhe estava a doer o pé! E...

Isto ficou-me para sempre na memória.
Não tenho dúvidas que o exemplo também nos constrói.

Sensibilidade de bom senso

Não. Não vos vou falar do livro da Jane Austen "sensibilidade e bom senso" que mais tarde foi adaptado ao cinema. Vou antes falar de um problema que me tem vindo a roer por dentro.
Eu até achava que à medida que fosse crescendo ia adquirir capacidades extraordinárias, qual super-mulher, e que a paciência seria uma delas.
Houve, de facto, um tempo em que pensei assim. Talvez tenha coincidido na época em que animava grupos de jovens e, que por isso, esta fórmula invisível para aprender a lidar com os adolescentes ia sendo descodificada.
O que acontece hoje em dia é que à medida que fui ganhando responsabilidade — nomeadamente gerir uma casa (com tudo o que isso implica), entregar trabalhos a tempo e horas — fui perdendo esta competência que outrora tive. Não a perdi em todas as situações. Há uma particularmente complicada a que dei o nome de "sociabilidade sensível". Ultimamente noto que fico chocada ( e muitas vezes triste ) com a falta de sensibilidade por parte do outro. O problema é que por vezes essa falta de sensibilidade é quase sinónimo de má educação.
Coisas como um simples cumprimentar ("bom dia"), o ceder o lugar a um idoso, ajudar alguém que vá muito carregado, o encarar a pessoa quando esta está a tentar estabelecer um diálogo, ajudar alguém que não saiba resolver aquele problema (e olha! afinal eu até sei...), são pequenos gestos de amor gratuito, que demonstram uma preocupação pelo que nos rodeia.
Se calhar esta sensibilidade de que falo pode equiparar-se ao bom senso e ao senso comum. Não estamos sozinhos no mundo. Precisamos todos uns dos outros.
Andava eu nestas minhas reflexões quando me foi mostrado este vídeo:





E perante isto. Nada mais tenho a acrescentar.


Ahh! Será que já se oferecem os míticos "frasquinhos de paciência"? 

Estamos todos a crescer



Estamos todos a crescer.
O meu irmão já não é pequenino, os primos também não.
Os Avós já não se mexem com a agilidade de outrora e os Pais também não.
Às vezes esqueço-me de que todos envelhecemos, que o nosso corpo não será sempre o mesmo. Como por magia continuo a acreditar que está tudo igual ao que era e é daí que vem a nostalgia.
As pessoas mudam, o corpo transforma-se, o coração fica cansado, mas estamos todos a crescer — crescemos para Casa. Afinal...para onde nos movemos nós?
Estamos todos a regressar a casa, estamos todos a regressar a Deus.

"Vai caminhando desamarrado
Dos nós e laços que o mundo faz
Vai abraçando desenleado de outros abraços que a vida dá.
Vai-te encontrando na água e no lume, na terra quente até perder o medo...."



Não há pessoas que nos consigam ler a alma.
Já não há cartas de amor, nem cumplicidade, nem esperança.
Não há olhares profundos que nos toquem, nem abraços nossos, nem músicas nossas, nem dias de sol.
Não há futuro nas relações, nem o "amor" é o "amor".
Já não existem pessoas que rezem juntas.
Já não se acredita em Deus, nem nos outros.
Já não se confia, já não se é fiel, já nem se acredita que se consiga dar a volta.
Não existe Verdade, nem amizades de longos anos.
Não se ri com os amigos, nem ninguém se lembra de nós.
Já ninguém acredita em si mesmo.
Tudo é noite.

Não.
Nada disto me será imposto. Nem a crise, nem o desânimo me hão-de levar a Esperança.
Tenho a sorte de poder afirmar que tudo o que descrevi acima é uma mentira na minha vida. Simplesmente não existe — existem sim pessoas fantásticas que, ao meu lado dia-a-dia, me fazem acreditar que "ser feliz é muito mais do que não ser complicado". Que me enchem os olhos de lágrimas felizes e o peito de um quente imenso.
Não preciso de ter toda a riqueza do mundo, uma casa cara ou um carro deslumbrante. Enquanto tiver os meus a meu lado não hei-de viver sem Alegria. É desta Alegria que nasce a felicidade e, a Felicidade  é Deus.

M(W)e

Namorar é isto.
É o deixar para trás as minhas "grandezas", os meus egos, a minha forma de pensar egoísta e de um "EU" nascer um "NÓS". Não deixamos de ser quem somos, somos nós — mas maiores! Somos nós com um bocadinho de alguém. Aos poucos as expressões moram debaixo da pele.
O amor ajuda-nos a repensar as nossas atitudes — não que para o fazer seja preciso namorar. É preciso irmo-nos descentrando do "eu" para vermos mais além.
Não perdemos a nossa identidade, até porque foi por ela que alguém se apaixonou por nós, mas, aos poucos vamo-nos moldando e aperfeiçoando, qual barro nas mãos do oleiro. De que serviria um namoro em que não houvesse a liberdade e o espaço para a transformação?
O compromisso não nos prende, torna-nos mais livres.
"Eu escolho ficar contigo, porque é em ti que quero apostar hoje e sempre!"
Como é que temos a certeza? Como é que sabemos que vai dar certo?
Não sabemos.
Mas confiamos de que se remarmos ambos para o mesmo lado chegaremos onde nem sequer ousámos sonhar.

Hoje, vejo a vida como uma viagem.
Onde temos a oportunidade de correr atrás dos sonhos, aprender, amar, sentir o abraço e o cheiro das coisas que nos são queridas.

Cada bocado de caminho é um passo que nos torna mais livres e, ao mesmo tempo, mais encontrados.

Ao soltar amarras, percebemos o quanto podemos ganhar ao retribuir o afeto que nos foi dado.

Com amor, conquistaremos o impossível.

Nesta viagem, só há uma direção. Não se admitem recuos ou longas paragens. O caminho será sempre em frente enquanto houver esperança no coração.

"Eu fui para longe e Tu estavas aqui" Santo Agostinho



Os dias de chuva tornam-me nostálgica. Fazem-me sentir pequena.
Ajudam-me a lembrar do grande Deus que caminha comigo todos os dias, o qual eu tantas vezes tento calar ou não defendo. Recordo aqueles tempos em que O sentia tanto na pele, porque estava pré-disposta a tal.
Deus não pode ser — nem é — longe.
A verdade é que Ele nos aproxima de pessoas verdadeiramente especiais.
A nossa história é realmente bonita. Não sei dizer o dia em que O conheci. Sei que Ele me conhece desde sempre e nunca ninguém esteve ao meu lado como Ele está.
Recordo aqueles dias de calor em Madrid ou os momentos difíceis em que me abraçou enquanto chorava. Em que transformou as noites escuras em manhãs, os tempos de trovada em sóis radiosos e a mágoa em perdão.
Com Ele aprendi muita coisa, apesar de nem sempre perceber os "para quês". É por Ele que existo. É por Ele que me tenho que manter integra e verdadeira, porque mesmo sabendo que sou frágil, não O quero fazer chorar.
Gostava tanto que toda a gente O conhecesse!

... eu vou para longe e Tu estás sempre (sempre) aqui.
Ando afastada. Não quer dizer que ande longe.

Diante dos outros

Ultimamente tenho pensado bastante num texto que é o re-focar de valores.
Tenho-o lido várias vezes porque me dá força.
Era importante que todos o lessem e o pusessem em prática.
Eu não diria melhor:

Vive para os outros e, enquanto depende de ti, procura que estes vivam mais felizes. Aprende humildemente o SERVIÇO de quem está à tua volta mas não te faças escravo de ninguém. Tudo o que fizeres fá-lo livremente e por amor e nunca por sujeição ou sentimento de inferioridade. Conhece bem as tuas carências e necessidades mas não deixes que o mundo se feche em torno de ti próprio, seria um mundo demasiado pequeno e solitário. Olha para quem vive perto de ti como se tivesse sido o próprio Deus a confiar-te respon¬sabilidades. Dá-Lhe graças pelos amigos e dedica-te a eles de coração. Pede-Lhe perdão se podias ter ajudado alguém e não o fizeste, se feriste e não pediste desculpa ou se em vez de bom ambiente deixaste à tua volta uma nuvem pesada ou fria. Arrepende-te humildemente se roubaste ou se prejudi¬caste gravemente o teu irmão por palavras ou por acções. Foi a um filho de Deus que o fizeste. Se é possível, tenta repor com bem o que com o mal estragaste.Sê verdadeiro em tudo o que fizeres, aprenderás a liber¬dade de ter uma cara só e de nada ter de esconder de ninguém. Sê honesto e não te refugies nas mentiras. Aos poucos deixarão de te incomodar. Sê fiel a ti próprio em todas as situações e diante de todas as pessoas. Levanta a cabeça e enche o teu peito de um grande desejo de INTEGRIDADE. 

Alimenta o amor, segundo a tua vocação pessoal, seja ela qual for. Ama o prazer - foi Deus que o inventou - mas tem cuidado com as fugas, pois de algumas não há retorno. Pede perdão a Deus se procuraste no álcool ou se projectaste na droga aquela felicidade que só Ele pode dar. Confia nele e tem coragem de pedir ajuda. Não percas energias a alimen¬tar mundos solitários de fantasias que te isolam da vida real. Enquanto de ti depende evita a masturbação e afasta-te de filmes e de pensamentos que não levam a parte alguma. Aceita o desafio de construir pacientemente, no mundo real, relações de afectividade e de amor. Por vezes é mais difícil, mas os frutos são infinitamente maiores. Se és casado, entre¬ga-te de todo o coração a construir a felicidade de quem Deus pôs no teu caminho. Procura o seu prazer e não só o teu. 

Investe no diálogo, no carinho e na criatividade para que a rotina não tome conta do vosso futuro. Sê-lhe fiel, mesmo que te custe, é uma questão de respeito e de honestidade. Dá valor à tua intimidade e nunca a desbarates só por aventura ou por paixão ou por medo da solidão. Antes aprende a dar tempo ao tempo até que estejas preparado para entregares não só o teu corpo mas a tua vida toda num projecto de futuro. E quando chegar o momento, aceita sem medo a responsabilidade de assumir uma outra vida por amor.Por mais desfigurado que seja um ser humano que passe a teu lado, nunca te esqueças que o seu pai é Deus e ele um filho a quem a vida apenas roubou um pouco de dignidade. Limpa o olhar e aprende a ter pelo teu irmão um RESPEITO sagrado, qualquer que seja a sua raça ou a situação de vida em que se encontre. Pede perdão a Deus se a violência da vida fez endurecer o teu coração e já nem te perturba ver um irmão deitado a dormir na rua só porque não podes fazer nada. Pede-lhe perdão pelas tuas racionalizações. Em tudo o que de ti dependa promove a paz e afasta-te dos comporta¬mentos violentos. Aprende a olhar com respeito sagrado a gravidez de uma mulher. Pede perdão a Deus se mataste a vida que crescia em silêncio sob o olhar do amor de Deus. 

Confia ao Senhor os teus pecados. Dá-Lhe graças pelas tuas virtudes. Sê forte nas tuas tentações. “Não te deixes vencer pelo mal, vence antes o mal com o bem." (Rom 12,21).


Nuno Tovar de Lemos, O Príncipe e a Lavadeira.

Que queres de mim?


A partir de uma certa idade (talvez aquela em que comecei a ter noção real das coisas), surgiu a minha maior a dúvida existencial — como é que sei o que Deus quer para mim? E qual o Seu projecto de vida?;  Tudo isto levantou outras milhares de questões como: e se o que eu quero para mim, não é o que Ele quer? Como posso saber se Ele não fala (pelo menos da maneira a que estamos habituados)? E se "fala" por sinais, serei eu capaz de os perceber? Poderei ser feliz se não for pelo caminho que Ele sonhou?...Mas afinal...COMO É QUE SEI?
Atrevo-me a dizer que ser Católica é o maior desafio da minha existência. Põe à prova toda a minha maneira de agir, obriga-me a repensar constantemente o meu dia, aquilo em que não fui "tão eu", mostra-me que devo servir e não estar à espera de ser servida, diz-me que me devo preocupar com o bem-estar dos que me rodeiam, entre tantas outras coisas que não são fáceis de pôr em prática todos os dias.
Não é fácil rezar sempre. Ainda mais difícil é sentir Deus todos os dias. Nem sempre há a pré-disposição e é nestes momentos em que me sinto a pessoa mais ingrata do mundo. Como é que tenho a lata de "me deusificar" ao ponto de achar que não tenho tempo para Alguém que está sempre (SEMPRE) à minha espera? Alguém que trato por "tu" e em Quem tanto confio?
Pois bem, este Deus de Amor foi-me respondendo a todas estas questões e nem sequer me atirou à cara as vezes que me esqueci (e esqueço) de estar com Ele. A resposta que me foi sendo dada é tão simples quanto isto: se vem de Deus é uma escolha que te dá Paz.
O caminho vai-se fazendo. Na verdade, não precisamos de saber no imediato o que Deus quer de nós. Ele vai, devagarinho, mostrando que caminho havemos de seguir, desde que Lhe digamos: faça-se em mim segundo a Tua vontade (um dos maiores riscos de sempre, daqueles em que não se volta atrás).

Hoje, acho que sei o que Ele quer de mim...(...o que Ele quer de nós)

Catarina

                            



A Catarina é uma grande amiga. É daquelas pessoas que nos conquista com muito pouco: um sorriso e uma doçura que lhes estão inerentes.
Teve a coragem de passar o último ano na Missão dos Leigos para o desenvolvimento em S.Tomé e Principe.
Não estamos juntas tantas vezes quanto gostava, mas ontem presenteou-me com uma surpresa do coração bonito que tem — enviou-me uma mensagem tão simples quanto isto:
"Vimos uma baleia mesmo ao lado do nosso bote quando regressavamos da ilhota de s.Miguel!!!! Que alegria e deslumbramento! :'D Era tão grande e tão delicada ao mesmo tempo!...não dá para descrever. Hoje, adormeço feliz e agradecida :)*"

Há coisas tão pequenas, não há?
O que um "sim" pode mudar na nossa vida.
Não adianta falar sobre o facto desta escolha condicionar o poder ver ou não culturas diferentes, ou a possibilidade única das experiências acumuladas ao longo deste ano.
Podemos antes pensar que "sins" há para dar hoje na nossa vida. E na quantidade de beleza interior que isso nos trará.

P.s.- Tenho saudades do teu abraço e da tua doce voz!



Confia em Deus

"Não te inquietes com as dificuldades da vida.
Pelos seus altos e baixos, pelas suas decepções,
pelo seu futuro mais ou menos sombrio.
Quer o que Deus quer.
Oferece-Lhe no meio das inquietações e dificuldades o sacrifício da tua alma simples que aceita os designios da Sua providência.
Pouco importa que te consideres um frustrado se Deus te considera plenamente realizado, a Seu gosto.
Perde-te confiando cegamente nesse Deus que te quer e que chegará a ti, mesmo que nunca O vejas.
Sente que estás nas Suas mãos, tanto mais seguro,
Quanto mais decaído e triste te encontres.
Vive feliz, em Paz.
Que nada seja capaz de tirar-te a paz.
Nem o teu cansaço, nem as tuas falhas.
E no fundo do teu coração coloca tudo aquilo que te enche de paz.
Por isso, quando te sentires desanimado e triste,
Adora e confia."

Teilhard de Chardin

Esta é só...

Eu não sei explicar.
Eu não sei explicar as partidas e as chegadas.
Sei que gosto muito de algumas pessoas que se me cruzam o caminho e, com elas, sou sem dúvida bem mais preenchida. Há sorrisos que me fazem transbordar o dia, abraços fechados que são tanto, e pequenas surpresas.
As noites à volta de uma mesa, as longas conversas, as horas ao telefone...memórias que se perdem no tempo, mas que não se perdem da alma.
Está tudo diferente, mas quase tudo na mesma. Os de sempre estão cá.
Acredito que para fazer as coisas com amor, temos que nos sentir profundamente amados. Criar implica tocar o mais fundo de nós. Encontrar dentro. Talvez aquela sensibilidade que faz a diferença, talvez aquele brilho que ilumina, que nem sempre consigo ter.
Só há uma música que me faz lembrar de toda a gente que é chão para mim.


O tempo faz, de facto, tanta coisa sem nos avisar. Os dias escorrem para um lugar onde a memória é a única coisa que nos resta.
É bom saber e sentir, quem realmente é regaço para mim.
«Senhor…
Dá-me pés de barro, para que,
quando vierem terrenos pedregosos,
eu sinta que só Tu és a força e o caminho…
Dá-me um olhar cristalino,
para que possa ver-Te sempre presente
em cada rosto desfigurado, marginalizado,…
Dá-me mãos abertas para acolher
todos os que são abandonados,
vivem na solidão,…
Dá-me um coração de carne para amar sem medida,
sempre…
Dá-me coragem para denunciar a mentira,
Humildade para assumir os meus erros,
Humor para rir das minhas asneiras,
E, quando no fim,
como grão de trigo eu cair à terra,
a minha Fidelidade e Felicidade,
nesta entrega total a Ti,
Façam germinar Homens e Mulheres
loucamente apaixonados
pelo anúncio do Teu Evangelho. 


Ámen»

Descobertas

Por vezes, é tão difícil pôr em palavras o que sentimos no mais íntimo do coração, onde cabe tanta coisa. De súbito percebemos que este assume formas estranhamente confortáveis e caberá sempre mais alguém, cúmplice de quem amamos. É o caso da família.


Este meu pequenino orgão, bate a um ritmo diferente dos demais. Houve um dia, em que encontrou um coração semelhante e, desde aí, tem aprendido a acompanhar o ritmo do outro (do qual tanto gosta).  Passou a ser dois, mantendo as características (e até o mau feitio) mas tem sido feito o esforço de dançar no mesmo compasso.


Tal como nos degraus de uma escada. Pé direito. Pé esquerdo. Pé direito. Pé esquerdo. E, a cada momento, sentimos que damos mais um passo. Estes dois corações sabem que nem sempre será assim, mas põem todo o amor naquilo por que se batem. 


O olhar está posto no Céu.


Deste ritmo nasceu a coisa mais bonita de todas - o amor; Um amor que é alimentado pelo próprio Amor.


E estará sempre focado na felicidade primeira do seu companheiro.



Porque quando dois corações batem ao mesmo tempo, há algo mágico que acontece - um puxa pelo outro e nenhum pode ficar para trás.


É a beleza das pequenas coisas :)

Boca do mundo




"Se a chama chega e ninguém chega à chama, de que vale arder?
Se o barco parte sem velas, de que serve a maré?
Não se mostra o trajecto a quem parte para se perder...
Não se dá boleia a quem precisa de ir a pé.
E é como quando pensas que estás a chegar e não deste um passo.
(...)
E é todo o meu cansaço..."

Vida


Está simplesmente magnifico.
O mar...(a vida)
O remar...(o caminho)
A baleia...(Deus — sempre presente, nem sempre visível)

Nada pode importar mais do que encontrar a Deus!
Ou seja: apaixonar-se por Ele
de um modo definitivo e absoluto.
Aquilo por que te apaixonas agarra a tua imaginação
e acaba por isso deixando a sua marca em tudo.
Será o que decide porque te levantas da cama pela manhã,
o que fazes com os entardeceres,
em que é que empregas os teus fins de semana,
o que lês, o que conheces,
o que rasga o teu coração
e o que te comove de alegria e de gratidão.
Apaixona-te! Permanece no amor.
Tudo será diferente!

Padre Arrupe sj

Tudo posso


Posso, tudo posso naquele que me fortalece
Nada e ninguém no mundo vai me fazer desistir
Quero, tudo quero, sem medo entregar meus projetos
Deixar-me guiar nos caminhos que Deus desejou para mim e ali estar
Vou perseguir tudo aquilo que Deus já escolheu pra mim
Vou persistir, e mesmo nas marcas daquela dor
do que ficou, vou me lembrar
E realizar o sonho mais lindo que Deus sonhou
Em meu lugar estar na espera de um novo que vai chegar
Vou persistir, continuar a esperar e crer
E mesmo quando a visão se turva e o coração só chora
Mas na alma, há certeza da vitória
Eu vou sofrendo, mas seguindo enquanto tantos não entendem
Vou cantando minha história, profetizando
Que eu posso, tudo posso... Em Jesus
Pe. Fábio de Melo
Vou de regresso a casa,
e a Ti me dirijo para pedir
os meios que me permitam aproximar-me de Ti.

Se Tu me abandonas, a morte cairá sobre mim.
Mas Tu não abandonas ninguém que não Te abandone.

És o sumo bem, e ninguém Te procurou devidamente, sem encontrar-Te.
E procuro-Te devidamente aquele que Tu quiseste que assim Te procurara.

Pai, que eu Te procure sem cair no erro.
Que ao procurar-Te a Ti, ninguém me saia ao encontro em vez de Ti.

Vem ao meu encontro, pois o meu único desejo é possuir-Te.

E se há em mim algum apetite supérfluo,
elimina-o Tu, para que possa alcançar-Te.
Peço à Tua clemência que me converta plenamente a Ti
e desterre de mim todas as repugnâncias que à minha conversão se oponham.

E, enquanto levo sobre mim a carga do meu corpo,
faz que seja puro, magnânimo e prudente,
perfeito conhecedor e amante da Tua sabedoria,
digno de morada e morador do Teu beatíssimo reino.

Amén


Sto. Agostinho

Grande Encontro

Voltar a casa é sempre muito bom!
Sobretudo quando sabemos que vamos passar (quase) dois dias com pessoas que nos são muito e nos marca(ra)m.
Nem sempre há espaço para estar por inteiro. As caras confundem-se — "já não sei bem de onde é que o conheço"— mas a alegria do reencontro é tanta que o resto pouco importa.
Não sei falar de nenhuma época da minha vida que não tenha sido feliz. Talvez tenha sido muito abençoada com as pessoas que Deus põe no meu caminho. Sinto-me realmente sortuda por, aos poucos, acertar o meu passo com o Seu projecto de vida.
Estou rodeada de pessoas lindas, que têm muito para dar. Algumas talvez ainda não o tenham descoberto dentro de si. Todos sem excepção temos valor. Reabraçar alguém de quem se gosta muito, é um tesouro e não há nenhum bem material que o substitua. Por alguma razão o Ser Humano é dotado de afectos.
Alguém ontem dizia: mas afinal o que te faz seguir Jesus? A resposta foi tão clara quanto isto:
-Ter encontrado o Amor que o meu coração procurava. Faz sentido estar aqui, porque faz sentido estar onde Ele está;

Há coisas que não são ditas porque não precisam de se transformar em palavras. O brilho do olhar e o quente no coração é mais forte. Percebo perfeitamente esta resposta.
Fazer uma experiência de Amor é fazer uma experiência de Deus. Daquelas que nos abanam e não nos deixam mais ser os mesmos.



Somos o sítio que nos faz falta

Hoje li uma frase que me deixou a pensar — "Nós somos o sítio que nos faz falta".
Ainda sem perceber muito bem todos os sentidos que esta expressão pode ter, lembrei-me da Homilia de ontem, no CUPAV, em que o Pe. Nuno falava de nos virarmos para fora.
Quase sempre, demoro tempo a chegar e a compreender tantos conceitos que me podem tornar melhor. Isto porque, sinto que os preciso de remexer e interiorizar bem (ainda ando a mastigar os Exercícios Espirituais), tudo isto me faz compreender que somos Seres com uma forte vertente espiritual e que grande parte do que somos, provém deste entendimento.
A felicidade não é algo distante, nem algo que se apanhe. É uma construção que começa em coisas pequenas. Não está depositada no seu todo em alguém, porque há muita fragilidade nas relações humanas. Está fora mas também está dentro de mim. Se somos "o sítio que nos faz falta" é porque há um vazio por preencher e não é seguro que estejamos contentes todos os dias, porque não estamos. A verdadeira felicidade pode ser construída na entrega de cada dia, seja na cedência de um lugar de autocarro, seja no lavar mais um prato que está no lava-loiças e não fui eu que sujei. Isto são pequenas coisas, feitas a pensar no outro e no seu bem-estar.
Penso que Deus nunca nos pede nada que ache que não consigamos concretizar. Se me eleva a fasquia, é porque sabe que eu estou à altura e isso, deve ser um motivo de orgulho e humildade, não de desespero. É uma questão de encararmos as alturas atribuladas como oportunidades de crescer e sentirmo-nos profundamente agradecidos por isso. É dar Graças pelo cansaço e pela tribulação. Precisamos de dificuldades que nos lancem.
Andamos tão ocupados a procurar a Felicidade, nos sítios fugazes que não percebemos que é importante olhar para dentro, arrumar as prateleiras do coração e olharmos as coisas do alto.
Como sempre, descubro que há maneiras de ver e pontos para ver.


"Acho que o Senhor Deus deve ser muito bom músico para conhecer os nomes de todos os acordes. Talvez Ele não se importe de saber que a gente lhes dá nomes diferentes desde o momento que saiba que o tocamos."

in Senhor Deus, esta é a Ana

O Céu é a tua casa

Olhou para mim, com o mesmo olhar meiguinho de sempre.
Já perdi a conta às vezes que repetiu este pensamento, mas é mesmo assim quando já se tem muitos anos. Ouvi novamente, como se da primeira vez se tratasse:
- Não sei como é que é possível caber tanta gente no Céu! Tem que ser muito grande...será que nos vamos encontrar todos?;
Respondi:
- Cabemos lá todos, Avó. Sabes? Quando lá chegares vais conseguir andar como quando eras nova, sem a bengala, vais voltar a ver o Avô e a Tia e todas as pessoas de quem tu gostas muito e já não estão ao pé de ti!
- Espero ir para o Céu! Mas antes ainda tenho que passar pelo purgatório para me redimir dos meus pecados!
- Tu já quase não tens pecados, Avó. Vais para o Céu, de certeza! És uma grande mulher...fazes uma coisa muito importante: rezas muito.
- Rezo por todos, muito e todos os dias!

Os 84 anos da Avó já não lhe permitem ir à rua sozinha. É das coisas que mais lhe custa.
A conversa continuou com histórias de milagres e de pessoas boas que cruzaram o caminho dela.
Chegada a casa, lembrei-me de uma letra do Padre Fábio de Melo que fala do Céu.



Quem foi que disse que é o fim
que não há nada a fazer
E que o sol não vencerá a madrugada?
De onde vem esta voz
que resolveu te mentir
e que insiste em condenar teu coração?
Acima do chão existe o céu
Acima do "não" existe o "sim"
Depois dessa curva eu sei
Que existe nova estrada
Acima do medo está o amor
Acima da queda o teu Senhor
Sorrindo a dizer-te: vem, o Céu é tua casa!
Levante os olhos, vê além
Não te condenes por perder
Mais importante é ver que há luz no fim da estrada
Se no sequestro da emoção
Perdeste o próprio coração
Recorda-te que Deus te fez pra liberdade
Desconsidera o que passou
Põe teu olhar no que será
Portas abertas: vem, o céu é tua casa!
Afinal...estamos todos a caminho de casa...


A outra metade, é quando olhamos nos olhos, e percebemos que mais ninguém nos poderia completar tanto, sem dizer uma única palavra.
A Vida é tão bonita (mesmo em dias de chuva, como o de hoje)!
Sinto-me tão agradecida por tudo o que tenho vivido. Pela minha história, pelas dificuldades, cansaços, alegrias, mas sobretudo, por tanta gente que tem cruzado o meu caminho. Tenho pessoas tão bonitas à minha volta. Apercebo-me de que a bondade nos torna mais livres. O que nos liga não se vê.
As pessoas grandes são inteiras. Não se ficam pela metade — autênticas inspirações e aspirações;
Nada se compara ao abraço de um reencontro, porque há tanta saudade no meio da eternidade da separação, que a alegria nos arrebata (se pudesse, abraçaria ainda com mais força).
Sabem que mais? A saudade não se explica mesmo... e muitas outras coisas também não. A cumplicidade anda de mãos dadas com a nossa própria entrega.
Os dias passam, a agenda é cada vez mais preenchida e para trás fica tanta gente que nos preenche. É isto que me sufoca nos meus mil afazeres diários — não poder dar o que de mais precioso e, ao mesmo tempo, controlado tenho — o meu tempo.
As minhas verdadeiras amizades não precisam de prendas caras, nem de programas sofisticados. Ao fazermos tudo ou nada, será especial. Só precisamos de tempo.
Gostava que fosse mais fácil.
Gostava de não complicar tanto...
No fundo, todos complicamos porque não aprendemos a relativizar.

"Por favor cativa-me"

Meio milhar fez mais do que um aborto em 2011

Ora aqui está uma coisa que me tira do sério.
Com que então o número de abortos ia baixar por ser legal...não se estava mesmo a ver?
Quantas vidas foram "interrompidas" porque a facilidade chegou ao extremo? A interrupção voluntária da gravidez, não está a ser feita como ultimo recurso, está a ser feita como método contraceptivo! Incrível como se brinca assim com a Vida Humana.

Por favor...não se venham queixar que Portugal é um País envelhecido, enquanto os apoios forem dados às "interrupções". Afinal somos tão modernos...temos que acompanhar a Europa (por este andar, só for de bengala e com uma dentadura no lugar dos dentes).

Podem ler a notícia aqui
Isto é que é a felicidade...estar envolvido em algo completamente grandioso!
Willa Cather

Exercícios Espirituais



Finalmente me sinto capaz de partilhar uma das experiências mais fantásticas que vivi até hoje. Uma experiência de silêncio, abandono e profundo encontro.

Foi há cerca de quinze dias.
Acho bastante humano o medo do desconhecido, mas acho igualmente humana, a capacidade de nos lançarmos para novos desafios mesmo sem saber muito bem o que serão eles. Estou a falar de Exercícios Espirituais. Três dias de silêncio (logo eu que gosto tanto de falar).

Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio, são uma viagem. No meu caso, foi uma viagem de três dias, uma escuta e um objectivo. Não é o silêncio pelo silêncio, nem o silêncio descabido de estar simplesmente calada porque não posso falar. É estar em silêncio para escutar. Escutar o quê? No meio dos dias, da confusão e dos mil afazeres, é muito difícil parar e perceber o que é que Deus quer de nós - o estar atenta para conseguir uma maior liberdade afectiva - que não é um desprendimento, mas um encontrar-me no meio do que sinto; É arrumar as ideias na estante.

Descobri que as maiores viagens que podemos fazer, são ao nosso interior e que não vamos de maneira nenhuma sozinhos. Ajudam-nos a descobrir um bocadinho mais do que somos. Percebi que a linguagem muitas vezes é uma fonte de mal-entendidos. As palavras podem ferir, assim como as expressões utilizadas. Há coisas maravilhosas que se constroem no silêncio - como a cumplicidade, o discernimento e o entendimento.

Deus está em todas estas descobertas. Não existe para me resolver os problemas, mas estará sempre para me ajudar a resolvê-los. Faz-se à estrada comigo quando experimento a desilusão, a frustração e o desencanto. Eu, como Ser Humano, sou a minha história e bocadinhos das histórias dos que me rodeiam. Para isso, preciso de ter quem amo dentro de mim. Só há amor quando os outros estão dentro do nosso coração e Jesus, vem mostrar-nos que estamos todos dentro do coração Dele. A Fé como relação, também precisa de afectos, de detalhes e pequenas surpresas. É uma história que se vai construindo como qualquer outra - feita de altos e baixos e desalentos.

No fim de tudo isto, percebi que só há mesmo uma Pessoa que me conhece no mais profundo do que sou, essa Pessoa é Deus. Qualquer relação humana, por mais bem construida e segura que seja, me vai desiludir de alguma forma e isso é completamente natural.

Os Exercícios Espirituais, não se tratam de uma abstracção da realidade - isso não seria de Deus, porque Ele está no concreto, no prático, na acção; São dias de parar e dar lugar a Alguém que nos coloca sempre em primeiro. Alguém que nos tem ternura e carinho, em que a oração e o silêncio, estão acentes em pistas de oração diárias.

Há duas linguagens. A das pessoas que conseguem ver para além do óbvio (onde Deus está presente) e a daqueles que não percebem nada (por não ser tempo, porque não se deixam tocar ou porque têm uma ideia errada de Deus).

Para quê complicar?

O P. partilhou no facebook este delicioso texto.
Não pude deixar de fazer o mesmo.
Afinal de contas, Deus é simplicidade...para quê complicar?


"Não sei bem o que querem dizer algumas palavras dos crescidos quando falam do Jesus e nem consigo dizer direito rechuci-reçuchi-reçuchitado. Mas sei o que quer dizer ter um amigo de verdade que nunca faz de conta que não me conhece nem nunca tem nada mais importante para fazer do que estar comigo e cuidar de mim. 
Se é isso que os crescidos estão a dizer do Jesus quando dizem que ele estava morto mas Deus não deixou, então eu percebo. Se é outras coisas, então não, e não me importo. Se não estão a dizer nada de especial, que é o que às vezes me parece, então é pena. Sei que Jesus é meu amigo e não acredito que ele está vivo porque alguém mo disse. Sei que o Jesus está vivo porque está perto de mim. É por causa dele estar sempre comigo que eu sei que ele está vivo. Estas coisas não se sabem por ouvir dizer, pois não? Há muitas maneiras de estar com alguém e o Pai do Céu do Jesus sabe de uma maneira de poder estar sempre perto sem nunca nos obrigar a acreditar nisso. 


É fantástico, não é? Mas eu acredito. 



Rui Santiago Cssr

Coisas pequenas, feitas com Amor


Abri a porta. 
Sorriu para mim e fez daquele instante curtinho, uma eternidade.
O plano mudou. Sem entender muito bem como ou porquê, saltou-me à vista uma flor.
Há coisas tão pequenas, tão minimas mas tão cheias de amor.
O valor destes momentos não se pode quantificar.
Se repararmos nos gestos, seremos tão mais preenchidos. Não é pela flor, é por tudo o que está por de trás dela.

Tens de ter muita paciência. 
Primeiro, sentas-te longe de mim, assim, na relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada.
A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas podes sentar-te cada dia mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte.
(...) disse a raposa. — Por exemplo, se vieres às quatro horas, às três, já eu começo a estar feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sinto. Às quatro em ponto hei-de estar toda agitada e toda inquieta: fico a conhecer o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca vou saber a que horas hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito...

in "O principezinho" 


Já dizia a Madre Teresa de Calcutá: "Coisas pequenas, feitas com Amor"



Era uma vez...






Hoje começa uma nova história.
Uma história discernida, pensada mas também amada.
Uma história a três (daquelas a sério). Que nos deixam com um brilho nos olhos e uma felicidade que quase rebenta o peito.

"Só há amor quando os outros estão dentro de nós"

Enfim...uma história bonita!
"Se depois de eu morrer quiserem escrever a minha biografia
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus"

Fernando Pessoa

Não é maravilhoso? Talvez seja bom relembrar..."Tu és pó e ao pó hás-de voltar". 
E assim somos pequenos.

Coisas que eu (não) sei



A principio é difícil.
Estamos fechados na nossa concha. O silêncio não é cómodo.
Depois, lentamente (porque acredito que as grandes coisas precisam de tempo) vamos dançando e conhecendo o ritmo de cada um.
Tudo passa pela cara limpa, o sorriso único e a firmeza das convicções. Chegamos mais dentro, mais fundo. Percebemos que caminhos necessários, mas sobretudo percebemos que há coisas a moldar.
Queremos desiludir-nos e ver o que realmente existe de verdadeiro - é uma busca.
Há o balançar do entendimento e há as arestas a limar.

Sei de pouco. Sei de muito.
"Sentir" é-me quente. É-me claro. Talvez seja a única coisa de que sei realmente falar, sem me atrapalhar, tendo as ideias arrumadas - os afectos; Sei falar de mim e, mesmo que não saiba o que quero, sei o que não quero. Porque para ser para os outros, tenho que me conhecer a mim primeiro e não há outra maneira de chegar a mim, senão, tentando ser eu própria. Sem máscaras.

Em tudo isto está Deus.

Mostrando-Lhe o meu coração tal como é...pequenino, desajeitado, mas com uma sede e vontade enorme de saber querer o que Ele quer para/de mim. Aprendendo a não trancar o que sinto e dizê-lo aos outros.



Tu És




"Tu És a primeira estrela da manhã
Tu És a nossa grande saudades
Tu És o Céu claro depois,
Depois do medo de nos perdermos
E voltará a vida sobre este mar.

Tu És o rosto único da Paz
Tu És nas nossas mãos a esperança
Tu És o vento novo sobre as nossas asas,
Sobre as nossas asas soprará a vida
E encherá as velas sobre este mar...

Soprará, soprará o vento forte da vida
Soprará sobre as velas e as encherá de Ti!
Soprará, soprará o vento forte da vida
Soprará sobre as velas e as encherá de Ti."


História de um homem que se fez pequeno, sendo grande

Há muitos anos, num lugar muito longe daqui, aconteceu algo bastante difícil de perceber.
Um homem foi julgado injustamente por assumir quem de facto era.
Defendeu a verdade até ao fim e aceitou todas as suas consequências - o preço de ter uma só cara e um só coração.
Era um homem brincalhão, honesto, inteligente, forte, meigo e ía de encontro aos que eram marginalizados por todos. Deixou de lado o pré-conceito e lavou os pés aos seus amigos (mesmo sabendo que o negariam mais tarde). Ia ter com os pobres, fazia milagres e punha toda a gente a pensar. Era um excelente contador de histórias. Nunca roubou, nem matou. Mesmo assim, foi pregado a uma cruz e coroado com espinhos. Teve sede e deram-lhe vinagre para beber. A Mãe assistiu a tudo. Ambos sofreram na pele a dor que a pessoa humana pode sentir.
A história poderia ficar por aqui...e seria só mais uma história triste, como tantas as que acontecem todos os dias.
O que o faz ser quem é, foi o que se passou depois...

Três dias mais tarde, tal como havia prometido, este Homem venceu a morte - ressuscitou!;  
Trouxe-nos de novo a esperança do Acreditar. Fez-nos perceber que o Amor nos leva mais longe e que toda a morte tem uma ressurreição. Precisamos de morrer muitas vezes, muitos dias, durante a nossa vida - morrer para muitas coisas.
Jesus, foi o maior exemplo de Entrega, Honestidade, Verdade. Quem acredita no Amor, tem que acreditar n'Ele, porque Ele é o próprio Amor.
Este Homem marcou de tal forma a Humanidade que determina a passagem do Tempo, mesmo sendo o "antes" e o "depois". Caminha entre nós, todos os dias. Não se ri de nós, ri-se connosco, dança connosco, chora connosco - é muito mais do que um simples Amigo - Ele é connosco.
Tenho muita sorte em conhecê-Lo.
Uma vez disseram-me: Quando Jesus me tocou, nunca mais pude ser o mesmo; e é isto! A partir do momento em que Lhe chegamos perto, só queremos ser como Ele, pelo exemplo fantástico que Ele é!
É por Ele que quero ser eu em todas as coisas, que quero perceber antes de julgar, que quero olhar e reparar.



Já não sou eu que vivo, és tu quem vives em mim
Em tudo Jesus és o meu tudo
Em tudo, Jesus é o meu tudo em tudo, em tudo...
Jesus és o meu tudo.

E quem faz a experiência de Deus na sua vida, é necessariamente mais feliz.
Obrigada Senhor, por TUDO o que És!

Nos desenhos animados

Há dias meio perdidos.
Talvez o tempo não ajude. Talvez as pessoas não ajudem ou talvez seja o vazio do deixar.
Tenho muito carinho por um pequeno livro que comprei há uns anos. Chama-se: "Quero falar-te dos meus sentimentos". Nesse livro, fazem uma analogia entre o diálogo e um jogo de atirar a bola. Podemos ver as conversas de diferentes maneiras. Quando eu atiro a bola (discurso) e a pessoa a apanha, estabelece-se um diálogo. Mas nem sempre a pessoa a apanha, ou eu posso atirá-la para muito longe e aí existe um monólogo.
Tenho sentido que ao "atirar a bola", muitas vezes do outro lado não há uma receptividade para a apanhar e isso custa-me muito. Custa-me a falta de transparência, de coerência e verdade.
Aos poucos vou entrando no mundo real e vou conhecendo a cabeça dos que me rodeiam (é de facto complicada). Não é "entendendo" é "conhecendo". De facto, é-me difícil entender que as pessoas não pensam que com simples palavras podem magoar e que se calhar, por trás de um silêncio, há uma dor escondida. Cada vez se pedem menos desculpas e cada vez menos se reconhece que se errou.
Não há nada de mal sermos nós em todas as coisas.
Não há nada de mal na verdade.
Não há nada de mal em dizer o que sentimos, mas com palavras que não firam o outro.

Ora bolas!..
Hoje estou para isto e há tão poucos que o percebem!
Ninguém está habituado a (re)parar.



"Nos desenhos animados, nunca, quase nunca acaba mal"



Obrigada por tanto, Mãe!




Certeza


"De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre a começar,
A certeza de que precisamos de continuar,
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar.

Portanto devemos:
Fazer da interrupção um caminho novo,
Da queda um passo de dança,
Do medo uma escada,
Do sonho uma ponte,
Da procura um encontro,
E assim terá valido a pena existir!"



Fernando Pessoa

O amolador de facas


Tenho o corpo estendido e a janela aberta.
Lá fora, oiço o som do amolador/afiador de facas. É-me estranho neste rodopio de carros, aviões, cafés e mil afazeres. Mais estranho, é perceber que ele existe e anda pelas ruas a tentar ser visto. Aqui?

Se não fosse o som, não saberia que ele se passeia entre as gentes desta cidade (e que grande cidade).
Há qualquer coisa na pequenez deste gesto que me desperta e impele a pensar.
É o pequeno sinal da música que lhe associo.

Estendi-me derrotada na cama, por não saber lidar com algumas situações (aquelas em que me sinto pequena e me apetece ficar simplesmente enrolada), mas agora que o oiço percebo que muitas vezes a marca que deixamos não é visível.

Não será o próprio Deus semelhante?
Anda por entre as ruas, dá-nos sinais, mas nem todos os vemos. Nem todos O escutamos. Talvez porque nunca paramos por momentos para ouvir o que Ele nos pode dizer. Anda entre nós disposto a limar as nossas arestas, dando o melhor de si. Tal como o amolador não se impõe, assim reconheço Deus. Com calma, apenas chamando aqueles que O conseguem ouvir.

Lá fora, o som do apito continua...
Nunca vi este amolador. Provavelmente nunca verei...
Mas o som da sua passagem continuar-me-à presente.

Aos meus amigos, irmãos que escolhi

Obrigado, Senhor, pelos amigos que nos deste.
Os amigos que nos fazem sentir amados sem porquê.
Que têm o jeito especial de nos fazer sorrir.
Que sabem tudo de nós, perguntando pouco.
Que conhecem o segredo das pequenas coisas que nos deixam felizes.

Obrigado, Senhor, por essas e esses,
sem os quais caminhar pela vida não seria o mesmo.
Que nos aguentam quando o mundo parece um sítio incerto.
Que nos incitam à coragem só com a sua presença.
Que nos surpreendem, de propósito, porque acham mal tanta rotina.
Que nos dão a ver um outro lado das coisas (...).
Obrigado pelos amigos incondicionais.
Que discordam de nós, permanecendo connosco.
Que esperam o tempo que for preciso.
Que perdoam antes das desculpas.
Essas e esses são os irmãos que escolhemos.
Os que colocas a nosso lado para nos devolverem a luz aérea da alegria.
Os que trazem até nós o imprevisível do teu coração, Senhor.

Pe. Tolentino de Mendonça

"Vede como eles se amam"

"Não sabia como começar a escrever. Resolvi pedir ajuda ao Gabriel.
- Gostas de viajar? - perguntei.
Os olhos brilharam; sorriu e acenou com a cabeça, dizendo que sim.
Tem três anos, mas vê-se logo que sabe o que quer.
- Porquê? O que é viajar?;
Fitou-me só, sem responder. Fiquei na dúvida se teria percebido a pergunta e repeti mais devagar:
- Sabes o que é viajar?
Então surpreendeu-me, encolhendo os ombros e desviando a atenção para o que estava a fazer antes de começar a conservar. Ele percebia a pergunta, mas não sabia responder.
"Caminho". "Comunidade". "Encontro". São palavras destas que me fazem que me fazem compreender o Gabriel. Quem já experimentou, fala de contrariar a rotina e da oportunidade de ser verdadeiramente "eu" (na certeza que o "eu" de cada um é único, irrepetível e fascinante). Contam que a alegria é tão profunda que fica connosco mesmo quando se regressa a casa. Mas, apesar do relato entusiasta de tudo o que se vive e sente, quase ninguém consegue explicar ao certo o seu "conceito". Os olhos brilham e sabemos que é bom. Mas tenos alguma dificuldade em perceber o que se passa.
Hoje, o desafio é grande. Propomo-nos a partir para longe: muitos quilómetros, muitas horas de viagem. No destino, a certeza de uma novidade intensa - de espaços, pessoas e sons. Tudo isto nos enche de imediato. Mas, no fim de contas, a provocação vai muito mais além: deixar de procurar o significado literal e ir em busca do sentido último. E esse sentido está em Deus (a palavra mais inexplicável de todas). Esse último sentido, resume-se num vocábulo só: o "Amor".
Que o bom Pai nos ajude, a cada um, a deixar que a viagem que agora começamos não seja só exterior. Que se espraie para bem fora do desenho da estrada e nos inunde; nos transforme. Por certo que, quando percorrermos o caminho de volta, o sentiremos diferente - porque nós seremos pessoas diferentes.
Desejo que, em breve, se alguém nos perguntar sobre esta peregrinação, os nossos olhos brilhem sem que saibamos falar do Amor que experimentámos. E que, como o Gabriel, nos sintamos pequenos."

Como estas palavras são suficientes para explicar o inexplicável, fica o brilho nos olhos.



Gosto das coisas feitas com alma.
Simples.
Cheias.
Quentes.

"Põe quanto és no mínimo que fazes".



A cada dia que passa, peço a Deus a dom de O conseguir sentir na minha vida, na minha realidade, nos meus projectos.
Vou percebendo que quando Lhe entrego as minhas dores, os meus medos e os meus pecados, Ele faz de mim uma nova mulher, mais feliz, mais confiante. Há muitas coisas que não percebo, mas que têm sido uma benção.
A verdadeira liberdade é aquela que alcanço quando Nele confio.
Eu gosto das coisas simples. Deus não é complicado.
Gosto da calma e de perceber o que vem Dele. Gosto de Lhe dizer "sim" e sentir que estou no caminho que Ele escolheu para mim. Acredito na construção da confiança e na Verdade.
Sei que tudo isto vem Dele. Tudo o que o Amor pode, vem Dele, porque Ele é Amor.

Hoje, estas frases tocaram-me em especial:
Não basta falar, nem escutar, é preciso aprender. 
Há ambientes onde é preciso coragem para falar e coragem para calar.
Há momentos em que o silêncio é ouro e outros sabedoria. 
É tão fácil não cumprir o que se promete.


De facto é tão fácil irmos na corrente.
Mas é tão mais gratificante quando fazemos o que está certo.

Luz terna e suave no meio da noite, leva-nos mais longe.

(re)encontros

Há sempre uma pequena surpresa à espreita, por muito cansados que sejam os dias.
Ontem foi uma noite de (re)encontros inesperados, mas tão bonitos que me encheram a alma. Os abraços ainda sabem melhor, depois de um pouco esquecidos.
Iamos devagarinho, com um objectivo traçado. De repente ouvimos aplausos e resolvemos entrar. Por ali, cantava-se José Afonso e as guitarras soavam a esta cidade de histórias. É como se o tempo parasse e pudessemos recordar. Encostei a cabeça na pedra fria e fechei os olhos. Sabe bem. Soube bem.
Sentimos que, de facto, podemos ter asas e raízes. Fazemos parte de muitos lugares, mas este será sempre "O" lugar, onde não há medo, onde não nos perdemos, onde sabemos de cor um ritmo tão nosso.


Há qualquer coisa no voltar



Estou precisamente em modo "regresso".
A calma faz parte deste voltar e os lugares são quente. O tempo passa normalmente, nem depressa, nem devagar. Chego a horas mesmo que faltem só cinco minutos. Recebo abraços e fico paredes meias com algumas mudanças.
Há qualquer coisa no voltar aos lugares... um cheiro que nos acalma e nos faz sentir que pertencemos ali.
Hoje voltei. Recordei sorrisos, histórias, partilhas, momentos, sentimentos, fases... 
Há lugares que são tão nossos que não precisam das pessoas que por eles passeiam. 
São cantos do tempo onde crescemos e recebemos força para seguir com a vida. Onde a Verdade pode ser conjugada com a realidade.
São recantos que preciso para respirar de vez em quando. Onde me apresento diferente, mas com a mesma alegria dos reencontros.

Há qualquer coisa no voltar.
(muito boa)


As coisas boas e bonitas, constroem-se devagar, com verdade e com tempo.
São feitas de partilhas, segredos e cumplicidade.
As coisas bonitas constroem-se na confiança e nas pequenas entregas.
As boas...essas, são feitas de sonhos.

Memórias



A Memória é talvez a única coisa que nos pertence.
Só pode ser roubada pelo Tempo que nos leva ao esquecimento.
Lembro-me do quente da mão da Avó nas minhas costas, dos jogos com o Avô e da sua infindável paciência, do beijo de "boa noite" do Pai e da forma inigualável de me tapar com os lençóis, da Mãe a embalar o mano e da primeira vez que o vi - era tal e qual como o sonhei - lindo!
Lembro-me de ser tão pequena que achava a Mãe enorme. Devia dar-lhe abaixo do joelho e ela usava aquela saia roxa de Inverno.
Lembro-me dos piqueniques em família, de me pendurar nos Pinheiros, de rebolar na areia, de sentir o quente do casaco do Pai sobre os ombros quando eu tinha frio. Consigo sentir as minhas mãos unidas às da Mãe, no mar, enquanto saltávamos nas ondas e, tudo isto, continua a ser eterno, apesar de hoje já não o viver.
Lembro-me do primeiro dia de infantário e da despedida Mãe. "Onde foi a minha Mãe?" perguntei eu. Os meus colegas estavam a pintar, talvez eu gostasse de experimentar também. Olhei para todas as cores e escolhi a amarela. Pintei um sol, que ainda hoje guardo. Creio que foi aí que descobri tudo o que podia ser. Talvez tenha começado antes, mas a minha memória diz-me que a minha história começou aí.
A minha história é feita destas Memórias e de Passado.
Gosto muito de viver.
Não tenho medo de morrer, mas também não tenho pressa. Sei simplesmente que vai acontecer e que a cada dia me aproximo mais do recomeço. Tenho medo sim, das pessoas que poderão morrer primeiro que eu, isto porque as amo e, sem elas, a Vida parece-me vazia.
Há muitas pessoas que já não estão na minha vida, mas que eu guardo na Memória - na parte onde cabem as Saudades e a Nostalgia.
Eu faço as coisas com o coração. Ensinaram-me a ser honesta e verdadeira com todos, mas sobretudo comigo. Magoo-me facilmente, porque muitas vezes não me sei desiludir. Custa-me o confronto, assim como a humilhação. Custa-me não entender as atitudes e os "porquês". Não percebo a vingança nem a sede de poder. Não faço tensões de mudar o mundo, porque nunca vou conseguir e desde cedo percebi. Quero simplesmente chegar ao fim e dizer: mudei a vida das pessoas que tive à minha volta! Consegui passar-lhe algo bom!; Não quero ter balúrdios, nem barcos, nem mansões. Quero casar e ser capaz de educar bem os meus filhos. Formar pessoas honestas e boas. O mundo precisa de pessoas boas! Não quero ser feliz. Não! Eu já sou feliz. A felicidade não está no futuro nem aparece. A felicidade está agora e constrói-se. Está no apostar em alguém, em decidir arriscar, ter fé e acertar. Ter fé não é mais do que dizer "eu confio em ti!".
Penso que tudo isto não faz de mim fraca, parva ou alguém sem ambição. Estou unicamente à procura do meu caminho, sem pressas, sem angústias, com o ritmo do coração a bater ao ritmo do de Deus. Tudo se resume ao querer acertar o passo no ritmo certo.
É isto que me vai na alma...
São as memórias e os risos que guardo cá dentro.

Peço-te, Tempo...não me leves nunca as Memórias.

Do meu Terraço...




Ontem, antes de adormecer resolvi ir até à pequena varanda.

Na verdade, é um terraço sobre um saguão. Não tem nenhuma vista em especial, mas há qualquer coisa nele - talvez o facto de não ter tecto...e de o sentir tão meu (e quando as coisas "são nossas" ganhamos-lhes uma estima e um carinho diferentes).
Tenho pena que as máquinas fotográficas não consigam ainda registar na perfeição o que o nosso olho vê. Estava um lindo céu estrelado e a luz da Lua incidia de tal maneira no meu terraço, que parecia uma lâmpada fluorescente. Há momentos em que só precisamos de inspirar e expirar, devagar, sem pressa.
Hoje voltei lá pela manhã e olhei o mesmo céu. Como é que num curto espaço de tempo a paisagem muda tanto? De negro estrelado passa a azul claro. O espaço é o mesmo, eu encosto a cabeça no mesmo lugar e...
Há qualquer coisa de especial na vida...
Talvez o tomar consciência da pequenez que somos. Perceber que tudo gira numa calorosa harmonia à nossa volta. E tudo isto mete Amor...
O Amor está sempre metido ao barulho. É por Amor que existe este equilíbrio, porque o próprio Amor o criou para nós. E é isso que me faz sentir pequena, mas preenchida. É isso que vai tapando ao logo do tempo as lacunas de afecto que todos temos.
De repente, este espaço tornou-se o palco das grandes conversas cá de casa - daquelas profundas e com sentido que nos despenteiam por dentro.

Do meu terraço vejo o rio, os carros, o movimento...mas, sobretudo, vejo o Céu.


Os dias

Os dias têm sido um misto do querer ser e poder ser, vividos no meio da entrega de cada momento. Das surpresas, dos sorrisos e do gostar mais.
É bom estar aqui. Sinto-me bem. É bom saber de mim e saber dos que me são queridos.
"Podes ter asas e raízes".
Vou aprendendo que o que somos, tem que transparecer. Por vezes, as maiores barreiras são erguidas por nós. Descobri que não podemos viver sem a nossa maior paixão durante muito tempo. Acabamos por bloquear em tudo o resto. Gosto muito do que faço e dá-me muito gozo estar realizada nos meus projectos. Olho para trás e vejo que tudo tinha mesmo que ser assim. As incertezas vão-se desvanecendo.
Hoje falava com a C. sobre a liberdade e, sem querer e sem pensar, saiu-me um: quanto mais sou de Deus, mais livre sou, mais livres são as minhas relações; no fundo tudo se resume a querer fazer as coisas bem, com honestidade e verdade - verdade para os outros, mas sobretudo para mim mesma.
Por aqui tenho um telhado acolhedor de onde vejo o rio e o pôr do sol. Sou tão feliz por isso! "Não é preciso correr não é urgente chegar, o que é preciso é viver".

E assim, passam os dias com a confiança que a cada passo tenho Alguém comigo.