A mentira

O que me irrita não é o conteúdo das mentiras.
É a falta de transparência das pessoas.
Por muito simples e inofensiva que seja a mentira, o que mexe comigo é o não sentir da outra parte a mais pura das sinceridades. Uma tentativa de agradar, de conquistar através de algo falso e fácil.


É cantando
Que Te abraço, que me tens
É cantando
Que Te falo bem de dentro
É cantando
Que me dizes para ficar
Foi cantando
Que me quiseste acordar

Mas é chorando
Que o coração Te vê
E é caindo que Te estendo a mão
E é sofrendo
Que a gente aprende a ser
Todo Teu...todo Teu!
Simplus

Recomeça

Recomeça…

Se puderes,

Sem angústia e sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro,

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,

Vai colhendo

Ilusões sucessivas no pomar

E vendo

Acordado,

O logro da aventura.

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga, Diário XIII

Precisamos de ser Santos

Precisamos de Santos sem véu ou batina.
Precisamos de Santos de calças de ganga e sapatilhas.
Precisamos de Santos que vão ao cinema,
ouvem música e passeiam com os amigos.
Precisamos de Santos que colocam Deus em
primeiro lugar, mas que também se esforcem na faculdade.
Precisamos de Santos que tenham tempo para rezar
e que saibam namorar na pureza
e castidade, ou que se consagrem na sua castidade.
Precisamos de Santos modernos, Santos do século
XXI, com uma espiritualidade inserida no nosso tempo.
Precisamos de Santos comprometidos com os pobres e
as necessárias mudanças sociais.
Precisamos de Santos que vivam no mundo, se santifiquem
no mundo, que não tenham medo de viver no mundo.
Precisamos de Santos que bebam coca-cola e comam hot-dogs,
que usem jeans, que sejam internautas, que usem walkman.
Precisamos de Santos que gostem de cinema, de teatro,
de música, de dança, de desporto.
Precisamos de Santos que amem apaixonadamente a Eucaristia
e que não tenham vergonha de tomar um ‘copo’
ou comer uma pizza no fim-de-semana com os amigos.
Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, amigos,
alegres e companheiros.
Precisamos de Santos que estejam no mundo;
e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo,
mas que não sejam mundanos."
João Paulo II

Uma causa Nobre


Todos temos sonhos. Uns maiores que outros.
Este é o meu maior sonho!
Às vezes está adormecido, mas não esquecido.
O que é que pode ser mais gratificante que "ir", ficar e aprender, entrar na cultura, transformar e remexer. Um mês...um ano... uma vida(?)
Dou por mim, tanta vez, a pensar: Mas a vida não é mais que isto? Tirar um curso, trabalhar, casar, ter filhos, morrer. Temos mesmo que ser "formigas de carreiro"? Onde está o limite?
A questão vem toda dos limites que nós pomos, ou que alguém impõe. "Agora não dá, porque tens que tirar mestrado", "agora não dá, porque tens que organizar a tua vida", "agora não dá porque namoras e isso ia dar cabo da tua relação"...tantas pedras que pomos no nosso caminho. Tantas vezes que podíamos ver mais alto e mais longe, mas há alguém a dizer: não podes!
Tudo vem da simplicidade do espírito aberto à missão e ao serviço. Penso muitas vezes nos meus dias, quando não tenho vontade de fazer alguma coisa, "Rita! Servir onde é preciso", e aí, por muita preguiça ou tédio, as coisas tomam outros contornos e andam para a frente.
A minha família sempre me ensinou que não podemos olhar só para nós e para o nosso umbigo.
A Igreja fez/faz a ligação do que Eu sou, para o que Tu és. Deus dá-nos esta dimensão de ver mais longe, do ver para dentro, e do ver para lá do que está fora.
Por isso sim...quero ir.
Os projectos de Vida são algo valioso de mais para poderem ser varridos para debaixo de um tapete. Não pode haver um medo maior que a vontade de transformar a nossa vida (transformando a dos outros).

Só espero que um dia consiga explicar porque é que fui e como voltei diferente!
Obrigada David!
Obrigada pelo teu exemplo!

Bem! Há dias mesmo cheios de vida e de histórias.
Comecei o dia a tentar descobrir uma gráfica, com a qual já tinha falado. Quando lá cheguei não pude imprimir o que queria, porque não tinha levado as coisas prontas a serem reproduzidas (que esperteza!) - "Volte amanhã sff!" - lá terá que ser!
Pude praticar um bocadinho do meu (já bastante mau) inglês, com um senhor alemão que estava com umas dúvidas relativamente ao cartão do metro/comboio - e pensar que há quatro meses atrás, estava eu no meu bom português a perguntar isso e muito mais. Agora sou eu quem as esclareço!
Lá ia no meu comboio quando uma ciganita e mãe se vêm sentar ao meu lado! A pequena mal olhou para mim desatou a fazer perguntas e mais perguntas. Quando perguntou para onde é que eu ia e lhe respondi: olha, vou trabalhar!; surgiu de imediato: Onde está a tua mamã?
- Olha, a minha mamã está a trabalhar também! - disse eu
- Hum... - e virou-se para a mãe dela e disse baixinho - acho que ela não tem mamã!
Ri-me muito com isto...então o facto de a minha mãe não estar ali comigo, para aquela criança era sinal que não tinha mãe já! Garanti-lhe que tinha mamã e papá só que não podiam estar ali comigo.
O interrogatório continuou até eu sair. Chamava-se Irene, a pequenita.
No supermercado, uma senhora velhota que estava toda carregada passou à frente da fila e veio por-se atrás de mim. Ajudei-a a pôr as coisas no tapete rolante e às tantas lembrou-se que lhe faltavam uns chocolates. Mal virou costas, a senhora que estava à minha frente diz: esta gente, só quer passar à frente e deixa os outros à espera. Enfim....; Imediatamente pensei: tens que aprender a perdoar. Tens que aprender a tirar pedras do caminho. Há pedras que já lá estão, mas há outras que somos nós a pôr. E as que pomos, a maior parte das vezes não têm sentido nenhum....
Estamos constantemente a ser confrontados com mudanças.
Com ilusões que passam à realidade.
O quente e o frio. O escolher ficar ou escolher ir.
As saudades e o sentir falta.
O alterar.
O chegar e partir, para chegar e partir outra vez.
O bom disto, são as pessoas e paisagens que trazemos de cada degrau que subimos.
Pomos à prova maturidade e experiência e achamos, muitas das vezes, que os outros não crescem quando nós crescemos.
Mas depois há as surpresas.
O desinstalar o que já estava instalado.
E construímos na medida em que queremos mais, mas quando há possibilidade de subirmos mais um bocadinho, retraimo-nos. Há sempre algum receio na mudança.
Estava tudo arrumado e organizado, e de repente desorganiza-se. E há frio no estômago de novo e encontram-se placas de direcção na estrada.
Que escolher?
Acolher o presente?
Deixar crescer?
Ficar acomodada?
Largar as ilusões?
Quebrar amarras?

Ou simplesmente... não fazer nada de nada e...aprender a confiar?

Como é que se Esquece Alguém que se Ama?

Faço minhas (mais uma vez) as palavras deste grande senhor:

"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar. "

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'
É isso!
É isto!
Nós nascemos para dar certo! Todos nós! Mas só há uma maneira de dar certo - Entregando tudo o que temos para melhorar nas mãos de Quem só quer o nosso bem!
Não podemos deixar que nos digam "Tu não consegues!", "Para teres sucesso tens que ser desta ou daquela maneira. Tens que mudar o que és". De facto não temos! A única coisa que temos que fazer é deixar que Ele nos mude e que trabalhe em nós o que há para melhorar.


Frustração no caminho


Muitas vezes, ao longo da vida, temos que lidar com a palavra "Frustração". E sim, incomoda, faz-nos chorar, faz-nos perder e...perdemos.
Mas a frustração põe-nos a mexer. Faz-nos ser pro-activos, criativos, e pessoas em busca de alternativas e de mais. E acho que realmente quando se fecha uma porta abre-se uma janela. Porque tenho experenciado isso.
Sei que uma porta se fechou (a porta que mais queria) - ou como já tenho vivido "a porta que acho que mais queria e que seria a melhor para mim", e nem sempre é assim que a coisa funciona. Nem sempre o que achamos que nos realiza, realiza de facto. Ainda não consigo ver daqui para a frente, mas acredito que a minha força de não querer estar parada me vai levar a algum lado. E não vou concerteza desistir. Abrir-se-ão outras janelas (quiçá, melhores(?)).
Como ontem me disse o Padrinho: "Esta é a altura em que estás no vale e tens um monte à tua frente. Para veres o que está do outro lado, tens que o subir. E isso leva tempo e paciência!" e é muito isto. O caminho vai-se fazendo e o que importa mais não é chegar, é ir caminhando. Portanto aqui estou.
Vou comprar umas sapatilhas fortes e resistentes (e confortáveis) para esta subida. Assim mesmo quando parar, vou saber que sou capaz de continuar a caminhar.

"Não é preciso correr, não é urgente chegar. O que é preciso é viver"

Senhor Deus, esta é a Ana - Notas de música

"Eu toda a vida toquei piano mas não sabia ler uma nota. Consigo perfeitamente tocar uma música de ouvido, mas se tivesse de a tocar por música devia sair uma marcha fúnebre!(...)
Foi portanto este o método que utilizei para ensinar qualquer coisa à Ana, mas em breve ela se lançaria à conquista dos acordes maiores, os menores, os de sétima menor, os de sétima diminuta e as inversões. Sabia muito bem os seus nomes, mais do que isso, sabia que o nome que se dava a um grupo de notas dependia do lugar onde elas eram tocadas e da forma como eram tocadas. É claro que se levantou o problema do porquê de um grupo de notas se chamar "acorde". Aí entrou ao serviço o dicionário Weekley. Ficámos então a saber que "acordes" e "harmonia" era mais ou menos a mesma coisa. Demos mais uma volta ao dicionário para vermos quais os sentidos da palavra "acorde" e chegámos à palavra "concordância". Aí parámos.
Pouco tempo depois dou com a Ana espantadíssima, olhos arregalados, boca aberta, expressão de grande surpresa. Parou subitamente de jogar com os outros miúdos e, calmamente, dirigiu-se para mim.
- Fynn - e a sua voz crescia de perplexidade -, Fynn, nós todos tocamos o mesmo acorde!
- Não me admiro nada - disse. - Mas de que é que estás a falar?
- Desses nomes diferentes que têm as religiões, Fynn.
- E o que é que isso tem a ver, com os acordes? - perguntei.
- Todos tocamos o mesmo acorde para o Senhor Deus, mas com nomes diferentes.
(...) Esta miúda tinha realmente a capacidade de analisar uma questão a fundo até descobrir o seu esquema para depois olhar em volta e reparar em esquemas semelhantes aplicados a outros campos.
- Fynn, os nomes dos acordes...- começou ela.
- O que têm? - perguntei.
- A primeira nota não pode ser o Senhor Deus senão não lhe podiamos dar nomes diferentes. Teria de ser sempre o mesmo nome - continuou.
- Acho que tens toda a razão. Então qual é a primeira nota?
- Sou eu ou tu, ou o Ali, Fynn é qualquer pessoa. Por isso é que têm todos nomes diferentes. Por isso é que há religiões tão diferentes. É por isso.
(...)

Acho que o Senhor Deus deve ser muito bom músico para conhecer os nomes de todos os acordes. Talvez Ele não se importe de saber que a gente lhes dá nomes diferentes desde o momento que saiba que o tocamos."

in Senhor Deus, esta é a Ana

Lisboa, Lisboa...






Aqui ficam algumas fotos do que foi o dia de hoje.
Às vezes há necessidade de termos dias só nossos. E para mim, era essencial há muito tempo que este dia acontecesse.
Daqueles dias em que fazemos o que nos apetece, às horas que nos apetece. Temos um plano do dia, ou não temos. Tanto faz... deixamo-nos ir ao acaso, porque entramos por uma rua, saímos num beco, e tudo se torna mágico e novo.
Talvez, tenha feito isto nem tanto para sentir que já faço parte deste novo lugar, mas que esse lugar já faz parte de mim. É assim que funciono. É assim que arrumo as coisas no coração.
Fui onde tive que ir...descobri o que tinha que descobrir.
Foi um dia em que os meus sentidos estiveram atentos ao que me rodeava. Observar...ouvir...sentir-me envolvida por algo, que afinal, já passou a ser meu.
Lisboa está em festa e arrasta-me com ela para toda esta cor e movimento. Sim! Isto é tipo uma Queima das Fitas onde todos entram, onde todos defendem com orgulho o seu espaço!
Eu pensava (na minha pequenez) este dia seria espectacular porque ia andar sozinha por aí, por onde quisesse de máquina na mão a fotografar. Mas afinal...voltei a bater com a mão na testa quando entrei numa Igreja em Alfama, para procurar uma "Pietà" para o avô. Não encontrei...mas encontrei lá o meu Amigo que me convidou a ficar um pouco. Então tivemos uma conversa de alguns minutos e no fim, achei por bem convidá-Lo para vir comigo. Claro está que aceitou!
Então...juntos (re)paramos em muita coisa! Fomos ver exposições, andamos numa roda "gigante", e comemos gelado! E foi mesmo bom!
Um dia cheio de sentido... um dia que começou por ser pobre, por querer ser eu a mandar em mim mesma! Mas descobri a tempo - e isso fez tudo valer a pena.
Quando finalmente, depois de deixar de sentir os pés (porque muito andei eu, hoje) cheguei a casa pensava: Ahhh a minha caminha!; Então o meu Amigo, achou que eu ainda tinha muitas coisas boas para viver HOJE!, e mandou a minha vizinha da frente desafiar-me para um pezinho de dança na festarola do bairro. Quem sou eu para recusar um pezinho de dança? (sim, mesmo quando não se sentem os pés). Então...novamente...o pezinho de dança tornou-se em algo MAIOR (como Ele costuma fazer), e tornei-me amiga de miudos do bairro, que às tantas me queriam na equipa deles (sim, eu andei a jogar ao lencinho, ao "Congela", ao macaquinho de chinês...), puxavam-me para dançar "Agora sou eu a dançar contigo!!! Mas SÓ EU!", ensinei o que sabia de danças latinas e com paciência consegui que eles aprendessem. E sim, foi uma vitória! Quando disse que tinha que me vir embora, agarram-se a mim num abraço apertado e disseram: Queriamos tanto que ficasses!
...
Acabaram por vir connosco para casa (porque moramos uns ao pé dos outros), e vim todo o caminho de mãos dadas com duas pequenas. Amanhã vêm cá, para ver os meus desenhos!
Sim... cada vez mais tenho a certeza de que o meu caminho é por aqui.
E todos, todos os dias...quando achamos que "ah...acabou, hoje já não aprendo mais nada" vem uma "vizinha", chamar-nos e desafia-nos a bem mais!
Foi realmente um...grande dia!
Ainda bem que há aquelas alturas em que nós pensamos e pensamos. E andamos nesse estado de pensar. (quase que a flutuar, e com uma calma que é estranhamente de dentro).
Há muitas coisas que me fazem pensar ultimamente. Desde o livro que estou a ler, até à paisagem que se me apresenta.
Ontem depois de uma hora a ouvir um senhor (que manteve um monólogo todo esse tempo) voltei-me a lembrar que cada um é único. Ele disse: "Sabe? A menina é única para Deus! Não há ninguém igual a si...desde o principio até agora. Nem nunca haverá mais ninguém! E o amor que Ele tem por si também é único".
Há coisas que nos atiram para o lado como um safanão. Sou única, e esqueço-me tantas vezes disso..."desde o principio até agora. Nem nunca haverá mais ninguém!".
Para me fazer pensar ainda mais, estive a ver o "Invictus", o filme sobre o Nelson Mandela. E isso ainda me atira mais ao chão, faz-me ver como ainda sou pequena, tão pequena, em tudo.
Tenho reparado em coisas como o Perdão, e como é importante perdoar para conseguirmos ser mais. Tenho visto que a história da criação acontece todos os dias, a toda a hora... o nascimento, a maldade, a beleza. Cada um de nós vai contemplando os dias que passam e que vão, à sua maneira. Há imensa vida a acontecer à nossa volta.
A amizade, e a forma como tocamos os outros também são algo de fantástico. Tantas vezes não notamos... mesmo com este constante colar e descolar dos sitios.
Tenho muitos sonhos! Tenho muita vida... mas também tenho muitas fraquezas. Mas então, vou combater aquilo em que sou fraca com o que sonho e com o que quero para mim.
Por hoje..é só.

Estar dentro é melhor do que estar fora

O ASJ acabou hoje para mim.
Depois de 4 anos a dar do meu tempo e das minhas experiências de Fé e de vida.
Pintámos a cara de cor de esperança, trouxemos sorrisos, histórias, voamos bem mais alto. De semana para semana.
Quis mostrar a estes pequenos que Deus não é Alguém distante que vive dentro de uma Igreja, mas sim alguém que sai para fora e está presente sempre na nossa vida. Que se senta connosco no chão, que vai nadar connosco, que estuda ao nosso lado, que está no nosso grupo de amigos mesmo que não O vejamos. Que cada um de nós é a imagem de Deus, e que até O encontrarmos a nossa felicidade não será a felicidade completa.
O grupo de animadores foi sem dúvida algo muito importante - um grupo de amigos; A disposição de dar de si é uma coisa muito bonita, e que nós fizemos e faremos com a maior alegria.
O espírito do ASJ é algo que não se explica. É algo para se viver por dentro, tal como Deus, tal como as coisas das quais podemos falar. Viver por fora é algo limitado que não nos deixa perceber como estas são quando olhadas do ponto em que se conhecem.
Quando vejo estes meninos, lembro-me de como eu era. Sempre atenta a sinais, a tentar descobrir, a tentar aproximar-me. Rezo para que eles não percam isto nem a vontade de deixar este grupo.
Agradeço muito as sementes que fomos deixando em todos e em cada um, e as que eles deixaram em mim. Espero que daqui a uns anos se lembrem de que houve um grupo que quis plantar neles grandes árvores com frutos bonitos.
No fundo, o que sei é que estar por dentro é melhor do que estar por fora. O ASJ é mais um capitulo com histórias fantásticas que eu poderei contar.
Nós somos como "O peixe e o mar" ou como o Astrónomo na noite estrelada. Somos como o Frasco de Pedras, de areia e água. Somos como a pessoa do "Pegadas na Areia". Estamos à procura, e estaremos. Mas se confiarmos, vamos encontrar! Eu prometo, eu sei!
Sei que o impossível se pode alcançar e a tristeza jamais vencerá!!! Há um pedacinho de Deus em cada um e isso dá-nos um rumo certo ao coração.
No fundo, tem que partir de nós a vontade de conhecer e "nadar" em águas desconhecidas, mais fundas. Cabe-nos enfrentar o que for preciso para sermos felizes!
Temos necessidade de prolongar os momentos, de prolongar "o estar". Porquê? Acho que é porque quando algo está tão debaixo da pele não pode sair. Continua a morar dentro de nós, mas de maneira diferente. E assim será...
Como sempre, prefiro dizer "Até já", porque ainda não estou preparada para dizer "Adeus". Talvez, de facto, não tenha que dizer...
Sei que esta frase caminhará comigo sempre, quando vos vir realizados nas vossas vidas!
"Sozinhos vamos onde pudermos, juntos vamos onde quisermos"

O meu dia - o dia da criança

Sim!
Hoje também foi o meu dia.
E sabem que mais? Devia ser o dia da humanidade.
Qual é o problema de crescer e continuar a ter um bocadinho de criança dentro? Ser criança, abarca a inocência, a pureza e a verdade. E tenho a certeza de que se mantivéssemos 10% destas três características, que seriamos melhores adolescentes, melhores jovens, melhores adultos e melhores velhos.
O problema é que achamos que para crescer temos que deixar tudo isto para trás, enterrado na nossa história, e depois vivemos mal, e achamos que "eu não merecia isto". Se calhar não vivemos com a verdade, com a consciência de fazer o que é bom para mim, mas também bom para o outro.
Quando crescemos queremos tirar partido unicamente do que é bom para nós.
Não quero dizer que sejamos inocentes sempre - Inocência no sentido de nunca ver quando estamos a ser enganados. A inocência de que falo é aquela em que perante uma situação conseguimos tirar algo de bom logo da meta, porque é isso que as crianças fazem. À partida vêem o bom da situação.
A verdade, seria essencial que todos a tivessemos na vida inteira. Evitar-se-iam imensos problemas.
E sim...é isto que tento ser à medida que cresço (vou crescer até morrer) - verdadeira e ter a minha consciência tranquila.
Chega de paleio por hoje.
Fiz esta ilustração em especial para este dia... representa o Amor. Porque é o Amor que nos move!
E o Amor é inocente, puro e verdadeiro - quando sentido de verdade.

Senhor Deus, esta é a Ana

Vinha no comboio, a ler o livro que (re)comecei anteontem.

Já o tinha na prateleira há anos, mas nunca lhe achei grande piada, até que resolvi voltar a tentar. E ainda bem! Estamos a dar-nos bem por agora.

Resolvi partilhar este excerto que achei especialmente bonito! :)

“-Fynn, tu podes amar mais do que qualquer outra pessoa no mundo, e eu também, não achas? Mas o Senhor Deus é diferente. Repara, Fynn, as pessoas só podem amar por fora, só podem beijar por fora, mas o Senhor Deus pode amar por dentro, pode beijar por dentro, portanto é diferente. O Senhor Deus n’é como nós; nós somos um bocadinho como o Senhor Deus, mas não é ainda muito(…)

- Fynn, por que é que as pessoas andam à luta, fazem guerras e essas coisas? – Expliquei-lhe o melhor que pude. – Fynn, como é que se diz quando vemos as coisas de maneira diferente? Durante um ou dois minutos tentei descobrir que expressão é que ela procurava e descobri «ponto de vista». – É essa a diferença, Fynn. Toda a gente tem um ponto de vista mas o Senhor Deus não tem. O Senhor Deus tem unicamente pontos para ver.

Neste momento só tinha uma vontade, desistir da conversa e ir dar um bom passeio a pé. Que espécie de criança era esta? Que fizera até agora? Em primeiro lugar Deus podia pôr termo às coisas e eu não. Eu podia concordar, mas o que é que isto queria dizer? Parecia-me que ela realmente tinha chegado ao conhecimento de Deus, fora dos limites do tempo e que o conseguira colocar firmemente na eternidade (…)

- ‘Tás a ver? – dizia -, ‘tás a ver? O Senhor Deus ainda tem outra diferença! – Ainda não tínhamos acabado , está visto. – O Senhor Deus pode conhecer as pessoas e as coisas por dentro. E nós só as conhecemos por fora n’é? E tu vê, Fynn, nós não podemos falar do Senhor Deus de fora; só podemos falar do Senhor Deus de dentro dele. – Mais um quarto de hora se passou para ela apurar estas teorias. No fim, rematou: - Isto é tão engraçado não é? – deu-me um beijo e aninhou-se por baixo do meu braço para dormir.”

in Senhor Deus, esta é a Ana.

Acabou.

Acabou.
Hoje trajei pela ultima vez, porque acho mesmo que não trajo mais.
Acabei de chegar da cerimónia da Benção das Pastas (que na verdade é a benção das pessoas, como elementos de uma sociedade activa).
Estou especialmente emocionada, primeiro porque sou uma pessoa que se emociona facilmente com as coisas bonitas da vida, mas também porque é o sentir que subi mais um degrau na escadaria enorme que é a vida.
O fado não se vai calar. Sinto na pele cada bocadinho da tradição e da academia.
Três anos que passaram num instante, e que de facto não nos dão ainda capacidades para o mercado de trabalho, mas que vão lentamente ajudando a descobrir o caminho de cada um. Se há inveja para sentir neste momento, será só e apenas, dos cursos que têm mais que três anos, e que prolongarão a sua vida académica por mais tempo...porque realmente estes são os melhores anos da nossa vida.
Durante a Benção pensei, que estes anos de universidade fizeram para mim, muito mais sentido porque escolhi vivê-los com Deus, e quis integrá-Lo no que fazia. O CUMN foi uma peça fundamental ( e nos ultimos tempos o CUPAV), por tanto que lá descobri e mudei as minhas formas de ver o mundo. Sei que houve momentos em que me apeteceu desistir de tudo, por problemas exteriores que me tiraram a força (pensava eu), mas afinal, e também no contexto destes três anos, aprendi com S.Paulo que, "quando sou fraco, então é que sou forte".
Houve cadeiras impossiveis de fazer, que pareciam grandes bichos contra mim. Mas é com grande orgulho e gratidão que posso dizer que não deixei nem uma para trás, com a paciência de muitos colegas que sem saber carregam dentro um bocadinho de Deus, e se dispuseram a ajudar-me.
As Queimas e Latadas...não há nada a dizer, simplesmente porque não consigo falar do que mora aqui dentro e que guardo com tanto carinho.
Quero muito agradecer aos meus avós, que têm tanto simbolismo para mim. Ofereceram-me o traje, a Filomena ofereceu-me a Pasta.
Espero ter conseguido honrar sempre o que vestida. Tenho muito orgulho em ter pertencido a esta vida com tantas tradições e histórias que é COIMBRA.
Está escrito algures, perto da Torre do Anto "Aqui vivemos aqui sorrimos, aqui perduraremos". E assim é...não sei o que vem aí, nem como nem quando. Sei que certamente será longe desta cidade, mas aqui também está um bocadinho da minha história, que é a história desta vida estudantil!

Foram os meus Verdes Anos.
Capa Negra sempre, com muita saudade. Porque só quem estuda em Coimbra e se arriscar a viver as tradições na integra é que sente o que é Saudade.
Podia deixar-vos muitos fados, mas este sem dúvida é o canto neste momento.
Que voz!

DESTAK


E foi este o Editorial de hoje do jornal Destak!
O que Lisboa me faz!!! Agora leio dois jornais todos os dias! O "Metro" e o "Destak".
Da ultima vez que trouxe para aqui uma noticia deste jornal, dei-lhe o título de "Valores precisam-se", mas para mim, sem dúvida que este Jornal tem qualidade.
Perante este Editorial, quero simplesmente sentir-me grata por haver pessoas à frente destas grandes formas de divulgação, que não têm medo de trazer para o mundo os valores que defendem! Sinto-me grata pela Isabel Stilwell ter feito uma critica tão apreciativa deste acto, sem medo de mostrar os SEUS valores. Espero que muita gente tenha lido o DESTAK de hoje.
Talvez se todos tivessemos a atitude deste senhor da Florida, eu não assistisse a cenas como a de hoje de ver dois rapazes (deviam ter 16/17 anos) a espancarem-se a toda a força no meio da rua, ficando um a sangrar da boca e o outro cheio de mazelas na cara. E talvez não tivesse que ver as pessoas do lado a olhar para a situação e a rir-se.

"Mas quando nos comportamos como aqueles que desprezamos, tornamo-nos iguais a eles. Ao rezar por ele, o paroquiano da Florida provou que Bin Laden não triunfou".
Já me tinha esquecido que realmente o Único que me traz a verdadeira felicidade é Jesus Cristo. Tinha-me esquecido porque quis. Porque não tenho estado aberta para O receber.
Hoje aconteceu o primeiro encontro de preparação para as Jornadas Mundiais da Juventude de Madrid e venho tão...cheia!
Foi sentir tantos jovens (300 e tal só de Coimbra) ali, a deixar o que têm para fazer num Sábado para vir ao encontro de outros iguais a eles!
É bom confiar.
É bom ouvir tanta coisa que nos toca o coração e sermos inundados desse amor.
É bom dançar e sentir que Jesus está ali connosco a dançar também!
Cada vez que me afasto e que regresso, sinto o imenso amor de Jesus, e sinto-me pequena e fraca, por ter sido opção minha deixá-Lo para trás. Não O deixar fazer coisas comigo! Estar comigo. Sentar-se ao meu lado e ouvir-me. E há muito tempo que eu não deixava. E isso angustiava-me. Afinal...só tenho Fé quando estou nestes encontros? Ando à procura...
Cheguei atrasada, mas com tanto positivismo e curiosidade é muito fácil entrarmos no espírito! Gostei de conhecer tantas pessoas novas! Afinal, há sempre lugar para mais alguém na nossa vida!
E na missa...para acabar melhor o dia, ouviu-se:


E realmente não quero mais viver sozinha! Porque não faz sentido! Quero muito voltar a saber incluir Deus nos meus projectos!
É tudo por hoje... :)

Há dias perdidos e outros sem fim

Não foi nem um caso nem outro.
Foi daqueles dias em que custou muito tirar os pés da cama. Em que se saio de casa e está a chover torrencialmente na rua. Em que não se apanha o autocarro (porque vai demorar muito) e se decide descer a rua a pé. E nessa descida se vai constantemente a escorregar no chão molhado e se vai a descer há cinco minutos e um dos autocarros que ia demorar muito tempo passa ao nosso lado!
Daqueles dias em que o altifalante que anuncia a próxima paragem de Metro está em altos berros, e nós vamos ao pé da coluna, e só nos apetece gritar: Fala baixo!!!;
Em que se pede um café e por muito açúcar que se ponha ele parece sempre amargo!
Daqueles dias em que se entorna iogurte liquido para cima da roupa!
Daqueles dias em que perdemos a esperança e a capacidade de sonhar em como conseguimos ser alguém na vida, a fazer aquilo que gostamos e que nos realiza. Daqueles dias em que achamos que não somos capazes de fazer nada, porque o que gostávamos de fazer não chega para nos sustentar! (a frustração de quase acabar um curso)
É o chegar a casa e querer muito trabalhar num "ralatório de estágio" e ficar-se bloqueado porque não se percebe o que é pedido, e poucas são as ajudas!
Mas...existem! E existiram! E nem tudo é mau!

Ao fim ao cabo, foi só mais um dia de chuva....
Amanhã já volto a sonhar!

P.s. - Eu ando a pensar no que hei-de escrever sobre esta queima! Ainda não me "deixei chegar" completamente!

Frustração vs Força (?)

O que é que uma pessoa sente, quando lhe dizem que ainda não parou de crescer (de há quatro anos para cá), e mesmo com esta certeza comprovada por exames médicos, não vê nenhuma diferença?
O que é que uma pessoa sente, quando por causa de uma operação não pode realizar um dos maiores sonhos que tem?
O que é que uma pessoa sente, quando acha que tem o problema a começar a ser resolvido, e afinal recebe a resposta de: Não podemos fazer nada...ainda não paraste de crescer! Volta cá daqui a UM ANO!
O que é que uma pessoa sente quando olha para os outros e vê que ELES podem e ELA não?
E porquê a mim?
E porque é que eu tenho sonhos que dependem do estado da minha saúde? Ou por outra...porque é que é condição, ter um problema de saúde resolvido para poder realizar um dos maiores projectos de vida que tenho?
Tanta gente que não sabe o que quer fazer da vida! Que não faz nada de útil, que não se preocupa com nada...

Não percebo! Não sei o que sinto! Raiva? Frustração? Tristeza?
Algo por aí...
No entanto, sei que nunca ninguém prometeu que a vida ia ser fácil. E aqui estou para fazer frente ao problema. Não posso é deixar de me sentir assim neste choque inicial...a única coisa que posso querer é que Deus resolva isto comigo, faça das minhas dores forças para enfrentar as adversidades. Há-de haver forma de os meus sonhos não dependerem desta maneira da minha saúde.
Queria que não fosse assim? Queria! Queria que não fosse nada comigo...mas....é!
Mesmo assim, não consigo deixar de me lembrar da frase:
"Quando Me dás os teus pecados, dás-Me a alegria de ser o teu Salvador", e eu oiço:
"Quando Me dás a tua vida (com as angústias, os medos, as tristezas), dás-Me a alegria de estar a teu lado e ajudar-te pegando-te ao colo quando te fores abaixo!"

E é só disto que preciso...que faças isto comigo.

É pelo sonho que vamos

É tempo de despedidas...
De dar espaço a novas coisas, e guardar outras.
É tempo de escrever nas fitas e de ter as minhas fitas escritas. E com isto, é tempo de deitar a lágrima da saudade cá para fora. É tempo de sonhar mais, e estar atenta ao que me rodeia, e sobretudo valorizar o que às vezes é menos-prezado!
Então hoje, a minha Amiga escrevia-me um poema... e o poema dizia:

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?
Partimos.

Vamos.

Somos.

Sebastião da Gama


E é pelo sonho que EU vou, desta feita com mais (muito mais) na bagagem, para as entregas de cada dia! Porque sem o sonho, sem a ambição de chegar a alguma parte, não sairei do lugar. E é tempo também, de aceitar as partidas.

Tempo de (des)colar!

P.s. - Obrigada Catarina

Outra margem de mim


Também faz parte do "Crescer", sabermos olhar para trás e percebermos o que se passou connosco, com as nossas relações e com o mundo em geral.
À medida que fui crescendo, tenho-me apercebido de que uma amizade não nasce do primeiro olhar, nem da segunda conversa. A amizade, tal como o nosso corpo, vai crescendo se alimentada, se bem tratada.
O que me custa quando tenho que mudar de vida é começar do zero, sobretudo com as pessoas. E é isso que sempre dá trabalho quando se olha para trás e se pensa: Hey! Nós só tinhamos aquelas confiança? (nota: aquela confiança = a nenhuma); E lembro-me sempre daquela matéria de Filosofia que tanto me fez pensar: A sociabilidade insocial do Homem;
A nossa vertente social versus a nossa vertente introvertida. E eu sou tanto disto... do... por vezes fechar-me na minha vertente introvertida e não querer sair dela. Preferir algumas viagens sozinha, eu e a minha música. Pois...e ninguém acredita.
Isto tudo para dizer que quando se ultrapassa esta barreira dos primeiros tempos de conhecimento, e se fica quase à vontade, consigo verdadeiramente ser eu! E no fundo, é só isto que me angustia: O não conseguir ser eu logo no primeiro contacto;
E não consigo, porque é expor demasiado aquilo que sou. É o medo de passar ideias erradas sobre mim. Aquilo que eu SOU é aquilo que construí e fruto das minhas experiências.
Costumam dizer que o mais importante não é a meta, mas o caminho que se percorreu até chegarmos a ela. E sim, é verdade. Se bem que muitas vezes gostaria de chegar à meta antes do caminho para saber como acaba....mas....

....não estaria a viver!

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim" "Não é preciso correr, não é urgente chegar...o que é preciso é viver"

Valores precisam-se!

Esta foi a noticia que apanhei no jornal "DESTAK" durante uma das viagens de comboio, que todos os dias faço.
Há muito tempo que queria escrever sobre isto, porque é uma notícia que me deixa perplexa. Perplexa talvez, porque na minha inocência, não pensei que existisse algo assim, perplexa com o mundo em que eu (afinal) vivo.
Todos sabemos que as redes sociais, hoje em dia movem montanhas. E isso é bom quando bem feito e usado para algo produtivo.
Esta pequena notícia faz-me re-pensar nos valores da sociedade de hoje em dia, do assumir compromissos, do querer assumir as consequências dos actos.
Esperem, ali diz mesmo "REDE SOCIAL DE INFIDELIDADES"?
É que me custa a acreditar...então...vai mesmo existir no nosso país uma rede onde pessoas se inscrevem voluntariamente para poderem trair a pessoa com quem estão? Acho isto degradante... afinal, se não há busca do compromisso, para quê haver uma rede deste género que proporcione a traição? É a lei da libertinagem, que a maioria dos jovens da minha idade, procuram.
Ultrapassado o choque do título, mais abaixo diz que esta rede tem feito um enorme sucesso.
Afinal o que procuram as pessoas de hoje? A felicidade? Se sim, não estarão à procura nos sítios errados? Não será apenas isto, o prazer momentâneo? E depois? O que fica?
Afinal o que são valores e onde é que as pessoas os meteram?
Uma coisa é errar uma vez, todos erramos (apesar de erros deste tipo não me caberem na cabeça), mas poderá dar-se o beneficio da dúvida. Do que tratamos aqui é algo diferente. É um sitio onde criamos um perfil porque temos uma relação e não estamos bem nela.
Os valores de"Família", "Casamento", "Fidelidade" são coisas que estão em extinção. O mundo só oferece facilidades. Ninguém acredita já, em nenhum dos três. E porquê? Porque já não é possível em pleno século XXI construir coisas a sério? Coisas que apesar das dificuldades nos trazem o melhor para a nossa vida?
Não me conformo. Não me conformo que o mundo onde viva seja assim...e mais...a tendência seja a ser cada vez pior.
Ninguém procura encontrar um equilíbrio, ninguém procura valores. Sempre ouvi dizer "a minha liberdade acaba onde começa a tua", mas hoje poder-se-ia mudar este "lema" para "a minha liberdade começa onde eu quiser, e a tua que se lixe - desenrasca-te".
O ideal era poder abrir-se uma lojinha de valores, mas o país está tão em crise que era mais que certo também esta vir à falência.

A pergunta que fica é: Havia mesmo necessidade disto?

Olá de novo


Não tenho tido quase tempo no meio destas mudanças todas que a minha vida anda a levar. Por isso não tenho escrito. Não é sinónimo que não tenha deixado de pensar. Aliás, tenho pensado muito até.
Cheguei há dois dias do meu ultimo acantonamento como animadora. Sim, chorei muito e com muita vontade, porque foram 8 anos de muito crescimento e muita volta na minha vida. Quando chegamos não pensamos nunca que um dia acaba. E de facto acaba! Recebi cartas lindas, com palavras sentidas.
Penso muito nas pessoas que se afastaram. E gostava que não se tivessem afastado.
Senti muitas coisas durante os últimos tempos. Uma delas, foi o facto de nem toda a gente crescer ao mesmo tempo. Sinto que há situações em que levo as coisas a sério, e há pessoas que ainda as levam para a brincadeira. Não digo que seja mau, acho só que neste momento estou a notar isso.
Tudo acontece no devido tempo. E noto muito isso. Noto que as coisas que acontecem estão a ser preparadas já há muito tempo. E se cada um de nós olhar para trás, para a sucessão que levou umas coisas às outras vai notar que nada foi por acaso.
Hoje faz um ano que tirei a carta, e sinto-me verdadeiramente agradecida por isso! Foi um passo muito importante para a minha autonomia! Foi das horas mais dificeis da minha vida, mas sinto-me orgulhosa porque as consegui passar e bem!

A música não é por nada em especial, é só mesmo porque a ando a ouvir muito e gosto verdadeiramente dela. Espero em breve ver o Invictus. Quando tiver tempo...que é coisa que não tenho há mais de um mês. Hoje decidi começar o relatório de estágio, o que ainda me deixa com menos tempo para mim.
E é assim que ando...um bocadinho indefinida e baralhada.
Que estarei eu a fazer daqui a um ano?
Não faço ideia....

O que ganhas quando dás?


Olá amigos!
Sei que não tenho andado por aqui. Tem acontecido tanta coisa que me deixa cansada que não tenho tido vontade de me "deixar chegar".
No entanto quero partilhar esta alegria que é a de ver o primeiro livro com coisas nossas editado! E aqui está ele! E está lindo! Obrigada à Helga e ao David por terem ajudado.
Podem comprá-lo no Justiça e Paz em Coimbra, o preço é 10€ que reverterá exclusivamente para ajudar estudantes com dificuldades económicas!
Mais aqui

Olá, aDeus

Só porque não venho aqui há muito tempo...e há muita muita coisa para dizer, mas o tempo e a oportunidade são escassos. E tenho saudades!
Por isso...vou muito brevemente, vou deixar aqui na maior das simplicidades o que tem feito eco nas ultimas duas/três horas (apesar da crise de fé, das dúvidas, das tentações, do coração fechado).
Até posso andar longe, mas não posso afastar-me de Algo que está de baixo da pele.



Il Signore ti ristora. Dio non allontana.
Il Signore viene ad incontrarti. Viene ad incontrarti.

"Eu fui para longe e Tu estavas aí" Santo Agostinho. ( e eu sei que estás....nalgum lugar perdido vais esperar sempre por mim).
Se calhar muitas vezes começamos mal logo de inicio.
Lançamos o pé errado na hora certa. E o pé certo na hora errada!
Andamos a tentar cativar com uma imagem projectada, do que achamos que os outros gostavam para eles, quando no fundo o essencial que deviamos ser é que devia tomar lugar.
E depois....há momentos de deserto. De bater com a mão na testa e pensar: Bolas! E se tivesse sido eu? Em vez de andar ocupada a tentar mostrar algo que não sou....; Teria resultado?
E alguém nos passa à frente porque conseguiu ser logo, desde a meta, a pessoa que vive em si mesma.
Não mata mas mói. E mói e mói...e cada vez que penso volta a moer. Mas que fazer senão aceitar?

E com isto se aprende...e se ganham lições!

Dias



É o ir o chegar, o partir de novo. O autocarro, o metro, comboio, é o pouco exercício, o comer demais, são as lembranças. É o chegar na Sexta e partir Domingo. É o cozinhar, aspirar, ir comprar coisas que fazem falta, dar boleias, pensar nas coisas, mais coisas ainda para fazer! É o não saborear as coisas, é o nunca parar em cima da cama para pensar como ando, são as crises de Fé, mas o perceber que desistir não é solução. É a vontade de ir, mas ter que ficar. É olhar para a guitarra e não lhe tocar. É o crescer, o desenrascar. É o nunca parar. É o nunca parar. É sentir a falta.

E depois disto...é sentir que a escolha foi minha, e que estou muito feliz com ela! A viver cada dia como se fosse o primeiro!

...mas terrivelmente cansada.... e hoje lá vou eu de novo.