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Photograph

Sei que existo quando (ainda) me emociono com coisas simples.
Simples.
Bonitas.
Pequenas.
Sei que estou viva quando me deixo tocar pela beleza.
Sei que preciso da minha sensibilidade (não só para criar mas para poder viver e me envolver.)
É bom saber que não me importo se as lágrimas se mostram no meu aconchego ou numa biblioteca cheia de gente. Porque continuo a ser eu. Aquele eu que tantas vezes parece que perdeu a alma. Aquele eu que se deixar tocar pelas coisas bonitas.
E este é o impulso.
As palavras são o motivo e a melodia também.


Esta é só...

Eu não sei explicar.
Eu não sei explicar as partidas e as chegadas.
Sei que gosto muito de algumas pessoas que se me cruzam o caminho e, com elas, sou sem dúvida bem mais preenchida. Há sorrisos que me fazem transbordar o dia, abraços fechados que são tanto, e pequenas surpresas.
As noites à volta de uma mesa, as longas conversas, as horas ao telefone...memórias que se perdem no tempo, mas que não se perdem da alma.
Está tudo diferente, mas quase tudo na mesma. Os de sempre estão cá.
Acredito que para fazer as coisas com amor, temos que nos sentir profundamente amados. Criar implica tocar o mais fundo de nós. Encontrar dentro. Talvez aquela sensibilidade que faz a diferença, talvez aquele brilho que ilumina, que nem sempre consigo ter.
Só há uma música que me faz lembrar de toda a gente que é chão para mim.


O tempo faz, de facto, tanta coisa sem nos avisar. Os dias escorrem para um lugar onde a memória é a única coisa que nos resta.
É bom saber e sentir, quem realmente é regaço para mim.

Boca do mundo




"Se a chama chega e ninguém chega à chama, de que vale arder?
Se o barco parte sem velas, de que serve a maré?
Não se mostra o trajecto a quem parte para se perder...
Não se dá boleia a quem precisa de ir a pé.
E é como quando pensas que estás a chegar e não deste um passo.
(...)
E é todo o meu cansaço..."

Tudo posso


Posso, tudo posso naquele que me fortalece
Nada e ninguém no mundo vai me fazer desistir
Quero, tudo quero, sem medo entregar meus projetos
Deixar-me guiar nos caminhos que Deus desejou para mim e ali estar
Vou perseguir tudo aquilo que Deus já escolheu pra mim
Vou persistir, e mesmo nas marcas daquela dor
do que ficou, vou me lembrar
E realizar o sonho mais lindo que Deus sonhou
Em meu lugar estar na espera de um novo que vai chegar
Vou persistir, continuar a esperar e crer
E mesmo quando a visão se turva e o coração só chora
Mas na alma, há certeza da vitória
Eu vou sofrendo, mas seguindo enquanto tantos não entendem
Vou cantando minha história, profetizando
Que eu posso, tudo posso... Em Jesus
Pe. Fábio de Melo

O Céu é a tua casa

Olhou para mim, com o mesmo olhar meiguinho de sempre.
Já perdi a conta às vezes que repetiu este pensamento, mas é mesmo assim quando já se tem muitos anos. Ouvi novamente, como se da primeira vez se tratasse:
- Não sei como é que é possível caber tanta gente no Céu! Tem que ser muito grande...será que nos vamos encontrar todos?;
Respondi:
- Cabemos lá todos, Avó. Sabes? Quando lá chegares vais conseguir andar como quando eras nova, sem a bengala, vais voltar a ver o Avô e a Tia e todas as pessoas de quem tu gostas muito e já não estão ao pé de ti!
- Espero ir para o Céu! Mas antes ainda tenho que passar pelo purgatório para me redimir dos meus pecados!
- Tu já quase não tens pecados, Avó. Vais para o Céu, de certeza! És uma grande mulher...fazes uma coisa muito importante: rezas muito.
- Rezo por todos, muito e todos os dias!

Os 84 anos da Avó já não lhe permitem ir à rua sozinha. É das coisas que mais lhe custa.
A conversa continuou com histórias de milagres e de pessoas boas que cruzaram o caminho dela.
Chegada a casa, lembrei-me de uma letra do Padre Fábio de Melo que fala do Céu.



Quem foi que disse que é o fim
que não há nada a fazer
E que o sol não vencerá a madrugada?
De onde vem esta voz
que resolveu te mentir
e que insiste em condenar teu coração?
Acima do chão existe o céu
Acima do "não" existe o "sim"
Depois dessa curva eu sei
Que existe nova estrada
Acima do medo está o amor
Acima da queda o teu Senhor
Sorrindo a dizer-te: vem, o Céu é tua casa!
Levante os olhos, vê além
Não te condenes por perder
Mais importante é ver que há luz no fim da estrada
Se no sequestro da emoção
Perdeste o próprio coração
Recorda-te que Deus te fez pra liberdade
Desconsidera o que passou
Põe teu olhar no que será
Portas abertas: vem, o céu é tua casa!
Afinal...estamos todos a caminho de casa...


Tu És




"Tu És a primeira estrela da manhã
Tu És a nossa grande saudades
Tu És o Céu claro depois,
Depois do medo de nos perdermos
E voltará a vida sobre este mar.

Tu És o rosto único da Paz
Tu És nas nossas mãos a esperança
Tu És o vento novo sobre as nossas asas,
Sobre as nossas asas soprará a vida
E encherá as velas sobre este mar...

Soprará, soprará o vento forte da vida
Soprará sobre as velas e as encherá de Ti!
Soprará, soprará o vento forte da vida
Soprará sobre as velas e as encherá de Ti."


Gosto das coisas feitas com alma.
Simples.
Cheias.
Quentes.

"Põe quanto és no mínimo que fazes".

Estes dias

As saudades são memórias corrosivas.
São muito portuguesas, mas atrevo-me a dizer que são ainda mais conimbricenses.
A chuva tem um efeito qualquer, que desperta em mim toda a nostalgia de alguém que acha que o tempo, a vida passam a correr.
Hoje a nostalgia sentou-se a meu lado e deixou-se estar até me fazer abrir as dezenas de fotografias que guardo. Passeei por nomes e caras de que sinto falta. Pessoas que o quente do abraço se apagou com a distância. Para onde foram esses dias?
Senti-me pequena e frágil, com toda a sede de quem quer voltar e não pode.
Com toda a sede de alguém que percebeu que o seu lugar mudou.



Queria aninhar-me na minha mãe.

Deixa-te ficar...

"Tenho livros e papéis,
Espalhados pelo chão...
A poeira de uma vida deve ter algum sentido
Uma pista um sinal, de qualquer recordação...
Uma frase onde te encontre e me deixe comovido.

Guardo na palma da mão o calor dos objectos,
Com as datas e locais...porque brincas? Porque ris?
E depois o arrepio...a memória dos afectos...!"

Compilação de músicas da casa em obras

Que se pode fazer na hora de almoço enquanto a nossa casa continua em obras?
Ora, pusemo-nos a adaptar músicas que se encaixam num senhor pedreiro em especial, que baptizamos de Lenio!
Aqui está a bela da compilação, quem conseguir identificar todas as músicas ganha uma bolacha!

"Foste entrando sem pedir e marcaste os teus sinais....Vasculhaste os meus segredos e (eu não deixei)...Sujaste quase tudo e quase tudo foi demais" - Ou não fosse a guitarra ter dedadas de tinta!

"A casa vai torta jamais se endireita o Lenio persegue esconde-se à espreita" - e também esconde o nosso limpa-vidros!

"E mexe remexe em tudo o que gosta" - até pode não gostar da vassoura, mas o facto é que a nossa aparece em sítios diferentes de dia para dia.

"Os dias passam devagar e noite me diz que você vai voltar. Os moveis saem do lugar e corro a casa e não consigo encontrar: o limpa-vidros, a vassoura, o edredon e até o frasco de champô!" - a verdade é que o nosso sabonete liquido está a diminuir exponencialmente!

"Eu quero-te roubar pra mim, eu que não sei pedir nada...Eu só quero saber quando é que obras acabam nesta casa!!!! AHHHHH eu só quero saber quando é as obras acabam nesta casaaaa "

"As saudades que eu já tinha da minha casa limpinha como eu a aqui deixei"

Enfim! Amanhã (esperamos) que seja o ultimo dia!

Há sempre...

Já dei quase todos os abraços que faltavam.
Como outrora, é um "até já" e não uma despedida. As malas estão feitas, as coisas preparadas. O espaço futuro ainda está vazio de mim, mas em breve irá conhecer o cheiro do movimento, da agitação, das entregas e do re-começar.
Questiono-me quando é que comecei a aprender a voar...quando fui capaz de sair do ninho? E por falar em ninho...ele agora está tão quente. Voltei a sentir-me bem por aqui e mais uma vez a vida me leva para outros rumos, a refazer outras casas e descobrir outras pessoas. Vou porque há coisas novas a construir noutros lugares, sou chamada a partilhar o que sou com outros sorrisos abertos (assim o espero). E medo? Sim, também vai comigo...mas esse, normalmente costuma desaparecer. É o que se chama "medo do desconhecido". Tenho aprendido a relativizar as situações, com o medo é o que posso fazer. Vou só torná-lo relativo. Não adianta esconder-me no: Ainda me sinto tão pequena para passos tão grandes!; No fundo, isso não é verdade. Tomei consciência que sou capaz de coisas bem mais radicais do que mudar de cidade, de caras e de casa.
É só porque...eu crio sempre raízes onde quer que vá....
Hoje descobri esta música da Mafalda que se chama "ficar mais perto". É mesmo isto. Quero ficar mais perto de mim, mais perto das coisas que aprendo e que me realizam! Aprendi que não deixo nada para trás. O que vivi é o que sou.
Há sempre uma maneira de recomeçar o que se quiser!
Eu quero. Mesmo sem vontade...hei-de encontrar um entusiasmo escondido dentro da alma.


"Deixa-me só seguir o rumo
De outro sentimento
Que acontecer
Nem tudo o que nos ata
Nos pode prender
Porque há sempre uma maneira
De recomeçar
O que se quiser
Há sempre uma maneira
De recomeçar
O que se quiser
Há sempre uma maneira
de recomeçar"

Todo o tempo do mundo

Nunca vamos conseguir ser plenamente felizes, se não aceitarmos as nossas fraquezas.
Nem sempre conseguimos perceber a dimensão das coisas em que nos propomos a dar de nós. Nem sempre entendemos que não devemos viver só para uma coisa.
Passamos os dias a correr, sem darmos o privilégio a nós mesmos de parar e olhar. Vivemos por fora, quando devíamos viver por dentro, sentir por dentro e sorrir de dentro. Impomos à nossa Vida um ritmo frenético de prazos, entregas, deadlines, coisas que têm que ser cumpridas! A pergunta é: Estás contente? És feliz?; É que estar contente é muito diferente de SER feliz.
Quando um dia re-pararmos, vemos que afinal este ritmo sufocante só nos fez mais fechados, mais pequenos e mais solitários. Precisamos de respirar.
Ser Adulto não é, e nunca será sinónimo de ser infeliz, até que nós o deixemos.
Enquanto depender de mim, não será a minha idade que me torna fechada, mas sim disponível aos outros, por saber-me uma pessoa com uma história feita de quedas mas também de vitórias.
Nunca conseguirei ser perfeita, mas hei-de conseguir ser melhor e para ser melhor, tenho que querer. E eu quero! Quero muito!
Hoje, esta música mas sobretudo esta letra andou-me muito na cabeça...
Espero que algum dia também ela faça sentido noutras vidas.



Podes-me interromper e contar a tua história
O dia que aconteceu
A tua pequena glória o teu pequeno troféu
...
Agora em tudo o que faço, o tempo é tão relativo
Podes vir por um abraço, podes vir sem ter motivo
Tens em mim o teu espaço

Até já ou...
Até sempre

Palavras...


You secretly made
Castles of sand that you hide in the shade
But you cannot hold the tides that break them
And you build them all over again

Love, ain't this enough
You push yourself down
You try to take comfort in words
But words
They cannot love
Don't waste them like that
Cus they'll bruise you more

Sem Ti


"A tua vida sem Deus fica a meias"

Linguagem Universal

Hoje percebi que não há linguagem mais universal que a música.
Podemos falar muitas línguas, mas haverá sempre uma barreira, uma forma de não nos compreendermos. Não quer dizer que não sejamos capazes de nos fazer perceber. Acontece que a música é genuína, é sentida e é expressada de uma forma tão natural que chega a qualquer um. Cada um sente o que a música lhe pode dizer...
Porquê tudo isto?
Porque hoje a Gosia (a minha amiga polaca que me veio visitar) esteve a tocar piano (um dos meus instrumentos preferidos) e nem sequer consigo pôr por palavras o que a música que ela tocou fez em mim... Sinto-me muitas vezes afectada (positivamente) pela Arte, por algo que sinto mas que não sei expressar. Sim, é fácil deixar-me tocar e emocionar-me mas há coisas que me ultrapassam completamente e me deixam tão livre quanto posso ser. Não é um sentimento de ter amarras, mas sim de uma queda livre em algo que conheço tão bem que nem consigo atribuir forma.
Esta música tem este efeito em mim...não conseguir expressar o que ela me passa, porque tudo o que poderia dizer ficaria aquém da verdade mais pura. O máximo que consigo é talvez: Inspiração; mas continua qualquer coisa em falta!
Agradeço a Deus a Música! Agradeço as pessoas que lhe sabem dar forma, cor, sentimentos...o tocar ao de leve e depois mais forte sobre as teclas brancas e pretas!
Agradeço estes momentos que fazem um dia tão valer a pena...

Depois disto, o Inglês é sem dúvida muito limitado para a nossa comunicação possivel! O silêncio entre nós, também tem destas coisas...

Back for good

Houve um tempo em que me preocupei em estar de acordo com o que todos achavam bonito ou na moda!
Estou a falar sobretudo de música e os gostos de cada um.
Faz parte da adolescência dizer que gostamos todos da mesma coisa, ou que isto ou aquilo não presta (mesmo que gostemos). Eu também o fiz e por vezes tenho a tentação de o voltar a fazer...acontece que agora, o mais importante para mim é a verdade e estar de acordo com o mais genuíno de mim. Isto implica muito trabalho pessoal de contrariar o que pode passar para o exterior. Implica exposição do nosso verdadeiro "eu".
Há alturas em que tenho muitas saudades da minha adolescência, se bem que tenho plena noção da época difícil que foi. Lembro-me das lutas interiores, do chorar sem saber porquê, das revoltas e do ficar bem de repente. À distância (não sei porquê) tudo parece mais bonito. É por isso que tenho saudades. Porque sei que não vou voltar a vivê-lo. Mesmo assim, não quero deixar de partilhar uma música que me apeteceu muito ouvir hoje e me lembra esses tempos. Sim, gosto dela e gosto sobretudo desta versão...
Não temos que perder a inocência, temos só que a saber viver de outra forma!

Um pouco mais de ti


Gosto quando dás um pouco mais de ti...gosto quando posso dar um pouco mais de mim!
Gosto de começar por baixo, pelo que passa do superficial ao profundo.

Coisas que eu sei

Gosto tanto, tanto de músicas que nos transportam, que nos fazem sentir cheiros e o vento na cara.
Esta capacidade de nos fazer viajar para sítios calmos e nossos.
Há músicas mesmo "físicas", que nos despertam a sensibilidade.
Sabe mesmo bem quando elas voltam para nós:



É cantando
Que Te abraço, que me tens
É cantando
Que Te falo bem de dentro
É cantando
Que me dizes para ficar
Foi cantando
Que me quiseste acordar

Mas é chorando
Que o coração Te vê
E é caindo que Te estendo a mão
E é sofrendo
Que a gente aprende a ser
Todo Teu...todo Teu!
Simplus
Já me tinha esquecido que realmente o Único que me traz a verdadeira felicidade é Jesus Cristo. Tinha-me esquecido porque quis. Porque não tenho estado aberta para O receber.
Hoje aconteceu o primeiro encontro de preparação para as Jornadas Mundiais da Juventude de Madrid e venho tão...cheia!
Foi sentir tantos jovens (300 e tal só de Coimbra) ali, a deixar o que têm para fazer num Sábado para vir ao encontro de outros iguais a eles!
É bom confiar.
É bom ouvir tanta coisa que nos toca o coração e sermos inundados desse amor.
É bom dançar e sentir que Jesus está ali connosco a dançar também!
Cada vez que me afasto e que regresso, sinto o imenso amor de Jesus, e sinto-me pequena e fraca, por ter sido opção minha deixá-Lo para trás. Não O deixar fazer coisas comigo! Estar comigo. Sentar-se ao meu lado e ouvir-me. E há muito tempo que eu não deixava. E isso angustiava-me. Afinal...só tenho Fé quando estou nestes encontros? Ando à procura...
Cheguei atrasada, mas com tanto positivismo e curiosidade é muito fácil entrarmos no espírito! Gostei de conhecer tantas pessoas novas! Afinal, há sempre lugar para mais alguém na nossa vida!
E na missa...para acabar melhor o dia, ouviu-se:


E realmente não quero mais viver sozinha! Porque não faz sentido! Quero muito voltar a saber incluir Deus nos meus projectos!
É tudo por hoje... :)