A nossa zona de conforto é de facto muito ténue.
Talvez a zona de conforto seja mesmo o lugar das memórias...que são seguras porque foram vividas e temos a certeza delas.
Qualquer mudança implica a coragem de dar um passo em frente. Vivemos tanto tempo no limbo do "sim" ou do "não".
Hoje voltei ao meu lugar seguro, à minha zona de conforto - a minha infância; O retornar a mim mesma, àquela essência pequenina que nasceu comigo, mas que se foi moldando. Talvez devesse ser mais realista... talvez devesse querer saber mais do estado do mundo... mas a verdade é que o que me resta da infância é um pouco de inocência e não quero fazer nada contra ela.
Devaneios...
Apetece-me estar enroladinha qual bichinho da conta no seu canto.



Senhor...

Hoje só Te quero dizer isto:

Senhor, ensina-me todos os dias a tocar um bocadinho mais da Tua liberdade.
Ensina-me a olhar os outros com os Teus olhos.
Quero a cada dia que nasce, ser capaz de me entregar ao Teu serviço na simplicidade do Teu Amor.
Não preciso de coisas grandes, só preciso de entender-Te nas pequenas.
Mostra-me como saber esperar.
Ensina-me a medir as palavras.
Toca-me quando devo permanecer no silêncio.
Que a cada dia, seja capaz de confiar mais em Ti e despojar-me de tudo o que está a mais no coração.
Que eu saiba amar como Tu amas. Que eu saiba sempre ser-Te fiel.

Só tu sabes

"Só um gesto abre um sulco no frio.
Rasga o fundo, toca no abismo e no vazio"

Como é bom receber um beijinho inesperado seguido de um: obrigada! Sem a tua ajuda teria sido tão mais difícil!;

É a magia dos dias...(mesmo aqueles de chuva).

Deus na Fábrica



Os dias são surpresas.
Todos.
Só podemos ver quando temos o coração aberto, quando dizemos sim, quando arriscamos.
Tenho percebido de tantas maneiras como tudo se encaixa quando vivemos na confiança. Esta não é a visão inocente da vida -é, a meu ver, a coerente; "Não sei para onde vou, mas sei que o caminho será por aqui".
Hoje, permiti-me fazer uma coisa diferente (como devia permitir todos os dias). Por aqui, há um lugar chamado Lx Factory que já foi uma fábrica e que mantém o mesmo conceito, mas é utilizado como espaço de co-work. Porque não um "Deus na Fábrica"? O CUPAV resolveu levar a Eucaristia para além das paredes de uma Igreja e celebrar ali numa simplicidade (que me é) quente.
Porque não ir ouvir falar de sonhos, do vento, das sementes e do futuro? Porque não ouvir falar do Amor? Porque não re-parar aquilo em que sou pequena? Porque não rezar mais? Porquê duvidar? De repente é um turbilhão de perguntas "porque não?" e um outro turbilhão de afirmações "já agora"... e no meio da confusão, vai surgindo um sentido. É tão bom sentir aquele Amor incondicional do "Eu estou contigo venha o que vier. Eu sento-me contigo, vamos falar do que te preocupa. Não te abandono em momento algum, mesmo que não Me consigas sentir. Quero-te muito!"
Há perguntas que nos despenteiam um bocadinho por dentro. Sei que aos poucos vamos chegando às respostas. Cultivamos a paciência e aprendemos a arte do esperar. Acredito que as coisas mais bem construídas, são aquelas bem projectadas.
Sei que o que vale a pena nos torna diferentes. Sei que mudo quando sou capaz de sair do meu canto, do meu quente e lançar-me para o que é novo. Quando existem conversas que nos fazem crescer.
Por vezes tudo está à distância de um "sim".

Depois...é o sentir que Deus me segreda baixinho: sonha, que Eu sonho contigo!

Ultimos tempos

Há momentos tão preenchidos que nos levam a voar.
E há recordações e cheiros, que nos fazem simplesmente sentir bem, como se vivessemos num sonho, perdidos no tempo.
Há a prova da confiança, a dúvida e a certeza (e de repente a incerteza). Uma certa confusão alegre e leve. O limbo entre o arriscar, o ficar e o conter.
Depois há as mil coisas, as mil vidas, os mil trabalhos. Também há a onda quente que nos mistura por dentro. Os pequenos pés que saltitam e correm.
Há o chegar e o ficar.
Falar e calar.
O ler o olhar.
O ver mais fundo.
O re-parar.
E tem sido assim...

Estes dias

As saudades são memórias corrosivas.
São muito portuguesas, mas atrevo-me a dizer que são ainda mais conimbricenses.
A chuva tem um efeito qualquer, que desperta em mim toda a nostalgia de alguém que acha que o tempo, a vida passam a correr.
Hoje a nostalgia sentou-se a meu lado e deixou-se estar até me fazer abrir as dezenas de fotografias que guardo. Passeei por nomes e caras de que sinto falta. Pessoas que o quente do abraço se apagou com a distância. Para onde foram esses dias?
Senti-me pequena e frágil, com toda a sede de quem quer voltar e não pode.
Com toda a sede de alguém que percebeu que o seu lugar mudou.



Queria aninhar-me na minha mãe.
"Há árvores que secam tudo a sua volta.
Outras colonizam todo o espaço.
Mas há outras, habitualmente de crescimento mais lento, que propiciam a presença de tantas outras plantas como se se alegrassem na maior diversidade.
Imagina-te árvore...que género és?
Generosa? Fecunda?

Sê atento! Tu não vives só! Repara que as tuas palavras podem confundir a quem te ouve. Os teus gestos podem magoar. Pode acontecer que quem te rodeia seja mais frágil do que tu, menos seguro. Por isso, sê atento para ser justo"

...



"Porque um dia lhe perguntei, que queria Ele de mim."

Amizade/Amor


Ontem, estive no CUPAV (Centro Universitário Padre António Vieira). É o centro dos Jesuítas em Lisboa. Tenho a sorte de poder ouvir muitas vezes, uma das pessoas que mais sentido faz para mim - o Padre Nuno Tovar de Lemos - que escreveu um dos meus livros preferidos O Príncipe e a Lavadeira;
Fui ao Encontro Mensal, cujo o tema era "Amizade/Amor".
Como é de esperar, falámos de ligações/afectividade - "Como é que Deus permite que o nosso coração não seja correspondido, quando gostamos de alguém?"; Falámos também, das três forças essenciais que nos aproximam uns dos outros: 1. Eros (o impulso, a atracção), 2. Filia (a amizade, a sintonia) e 3. Agapé (o amor gratuito).
Tocámos também nas dimensões do Amor, da Paixão e da Dependência afectiva e de como são (e devem) ser diferentes umas das outras. De como a Paixão passa e o Amor (se bem construído) pode durar uma vida. Fiquei a perceber porque é a Verdade não está nos sentimentos. Precisamos de algo racional que em momentos de deserto, nos faça acreditar que aquilo de que estamos a duvidar numa determinada altura, é de facto real. Por exemplo...nem sempre sentimos Deus. Se nos baseássemos só naquilo que somos capazes de sentir, haveria alturas em que Deus, para nós, não existia, porque nem sempre O vemos. A Verdade tem que ir além das emoções. Assim como a Fé é uma decisão, no sentido em que eu decido pautar a minha vida pelos seus valores, assim é o Amor - uma decisão; Depois da Paixão o que resta é escolher desenhar o nosso futuro com os valores que fomos construindo ao lado da outra pessoa.
Há pessoas certas? "A pessoa certa é aquela em que tu decidires acertar". Mas como é que sabemos? Primeiro, acho, tem que haver admiração e segundo (não menos importante) deve existir um projecto de vida em comum. A nossa liberdade foi feita para nos comprometermos. Qual o sentido da nossa vida sem o compromisso?

Deixo por fim, cinco dicas para crescer afectivamente (e será certamente isto que um dia ensinarei aos meus filhos):
- espaço para relações diferentes (relações de amizade, haver espaço para a família);
- saber estar sozinho (quando não sabemos estar sozinhos, corremos o risco de cair na dependência afectiva);
- ser eu mesmo em todas as relações (eu, na minha verdade);
- aprender a ser senhor de mim mesmo (vou por onde decido, tendo em conta a opinião do outro, mas não fazendo só dele o meu caminho);
- capacidade de compromisso;
Pode parecer estranho começar uma história pelo final. Mas todos os finais são também começos. Só não o sabemos no momento..."
Mitch Albom in As cinco pessoas que encontramos no Céu

O ultimo segredo

Pela cidade estão espalhados por toda a parte grandes cartazes a anunciar o novo romance de José Rodrigues dos Santos de seu nome "O ultimo segredo". Ao que parece este romance está baseado em fontes religiosas, históricas e cientificas e fala sobre a pessoa mais polémica de sempre - Jesus Cristo.
Gostava de fazer notar como é tão fácil sermos levados pelos rótulos e pelas propostas aliciantes do que será um "best seller". A minha posição em relação a livros que contestem tudo aquilo em que eu acredito é muito simples: Ignoro-os; acho que é o melhor que podemos fazer. Jesus é insultado de tantas maneiras, todos os dias...se eu dou a cara por Ele, porque hei-de eu dar o meu tempo/dinheiro a alguém que vai contra Ele, se tudo o quero na vida é ir de encontro a Ele?

Não haverá coisas melhores para ler? "Ah, mas é bom que leias para saberes do que trata" - aceito, mas mesmo assim, acho preferível ocupar o pouco tempo que tenho a fazer algo útil, em vez de o gastar com coisas que só me afastam de Deus - é a força das convicções.

Há imensas coisas todos os dias que nos afastam de Deus, porque é que hei-de dar crédito a mais uma?
Não duvido da qualidade do livro enquanto romance, enquanto objecto histórico. Nem sequer duvido das capacidades deste jornalista, nem da sua escrita. Simplesmente, estou no meu direito, tal como ele esteve no dele ao publicar o livro, de escolher se o "engulo" ou não.
No fundo, tudo se prende com a escolha de achar o que me liberta e o que me pode prender. (sim, hoje estou com a mostarda no nariz).

Termino então, só com um vídeo que achei muito interessante.
Razões para não se ir à Igreja:




"Passo a passo,
Grão a grão,
Completamos esta construção"

O meu mano

Tudo o que fazemos nos leva a algum lado.
O caminho faz-se lá atrás. Começa-se lá atrás.
"Não sei o que vem a seguir, mas quero procurar."
A distância só é sinónimo de afastamento quando queremos.
Hoje recebi uma mensagem que me derreteu por dentro e me fez ver que o amor e o carinho são laços que "o longe" não cessa. Dizia mais ou menos isto "Acabei agora mesmo de ouvir o Passo-a-rezar de hoje! Identifiquei-me com ele :) Obrigado por tudo mana, boa noite".
O J. tem 14 anos. Uma vez rezámos juntos (já vos contei).
Que dizer de uma mensagem assim?
Não há cedo nem tarde para se sentir aconchegado em Deus. Não há nada que façamos no passado que não dê frutos no presente. Eu ensinei o meu irmão a rezar...ensinei-lhe o Deus próximo que sinto e que rezo para ele sinta cada vez mais. Tenho um orgulho enorme nele e na pessoa em que se está a tornar. Espelha os valores da honestidade e integridade. Perdoem-me, é meu irmão eu sei, mas sinto uma enorme vontade de falar do orgulho que tenho nele.
No fundo, é só isto que hoje quero partilhar...
Não é preciso muito para os meus olhos brilharem e este foi sem dúvida o momento do dia que mais sentido fez!
Obrigada J. :)

Amar

"A base de tudo é amar" dizia ontem o Pe.Nuno Tovar de Lemos, fazendo uma analogia ao primeiro mandamento de todos.
"Amar a Deus sobre todas as coisas" e só depois "amar o próximo como a ti mesmo", que juntamos num só e no mais importante mandamento. Santo Agostinho dizia: "Ama e faz o que quiseres"...
Tenho pensado muito, que amar nem sempre é fácil. Há muitos estigmas que nos impedem de amar. Além disso, a palavra "amor" está demasiado banalizada. Perdemos o sentido do amar. Por tudo e por nada "amamos". Acho mesmo, que hoje precisamos de pouco para amar (no sentido que todos dão).
Amar, está na minha opinião, a ser demasiado confundido com "gostar"/"estar entusiasmado".
Respeito muito a palavra "amar". Tento usá-la bem, a seu tempo e com quem a devo usar. Nem sempre é fácil quando somos levados pelo entusiasmo e pelas coisas que nos fazem bater o coração.
Amar também implica uma seriedade à qual não podemos fugir, mas que nem todos os que acham que amam, querem assumir.
Penso que este mandamento do "amar" é o mais importante não por ser bom, mas sim por ser muito mais do que isso. É que no fundo, é um mandamento exigente de entrega, de sacrifício, de despojamento, de ceder (e a lista poderia continuar). É também o saber deixar partir.
Sei que somos feitos para amar, mas ninguém poderá preencher toda a sede de amor que temos, a não ser Deus, que nos faz sentir completos e em casa. É arriscado confiar? Sim, é. Mas os frutos são maiores. É o preço de viver da confiança em Alguém que não vemos, mas que no entanto nos está debaixo da pele...
E amá-Lo é tão bom!
Tão quente...
Tão nosso...
Tens que te sentar no chão.
Despojar-te!
Prostrares-te e largares o que és.
Chama o bom que podes ser!
Descalça-te.
Sente o chão.
Aprende que o serviço é uma dádiva e que podes fazer dele o teu dia-a-dia.
Sê simples...
Porque é simples!

Deixa-te ficar...

"Tenho livros e papéis,
Espalhados pelo chão...
A poeira de uma vida deve ter algum sentido
Uma pista um sinal, de qualquer recordação...
Uma frase onde te encontre e me deixe comovido.

Guardo na palma da mão o calor dos objectos,
Com as datas e locais...porque brincas? Porque ris?
E depois o arrepio...a memória dos afectos...!"
Tenho pensado nas distâncias...
Do que nos separa uns dos outros.
E definitivamente as distâncias físicas não são as mais intransponíveis, mas sim as distâncias da alma. A distância entre o dar a mão e não dar. Entre o falar ou não falar. Entre o querer estar ou não querer.
Afinal o que nos liga são os laços que criamos com as pessoas. Esses laços têm que ser alimentados muitas vezes seja com um telefonema ou com uma simples mensagem.
O lado quente da saudade, é todo aquele que mexe cá dentro quando alguém nos vem à memória.

Assumir o que é(s)



Como dizia num dos últimos textos: Ser fácil ou difícil, é diferente de correr bem ou mal.
Ontem, como muitas vezes já aconteceu, tive a experiência de falar do que eu sou e daquilo em que acredito, a pessoas que me conhecem muito pouco.
Lembrei-me daquele texto que gosto imenso, em especial da frase: "Expor os seus sentimentos é arriscar-se a expor o seu verdadeiro eu" e eu resolvi correr o risco.
Tive que mostrar a força das minhas convicções. Mostrei-o de uma forma natural, como penso que deve ser feito, respeitando a opinião de cada um, assim como respeitaram a minha e isso foi importante. A maturidade dá-nos a força de dizer o que sentimos e o que é parte de nós, com olhos de respeito.
No entanto, senti-me sozinha naquele barco, apesar de saber que não estava, continuava a ter os Três comigo, mas não fisicamente e isso às vezes custa. Mas num milésimo de segundo, vieram-me à memória imagens de dias quentes de Agosto, em que um milhão e oitocentos mil jovens gritavam: Esta es la juventud del Papa.
Tudo fez sentido e o coração ficou quentinho!

Compilação de músicas da casa em obras

Que se pode fazer na hora de almoço enquanto a nossa casa continua em obras?
Ora, pusemo-nos a adaptar músicas que se encaixam num senhor pedreiro em especial, que baptizamos de Lenio!
Aqui está a bela da compilação, quem conseguir identificar todas as músicas ganha uma bolacha!

"Foste entrando sem pedir e marcaste os teus sinais....Vasculhaste os meus segredos e (eu não deixei)...Sujaste quase tudo e quase tudo foi demais" - Ou não fosse a guitarra ter dedadas de tinta!

"A casa vai torta jamais se endireita o Lenio persegue esconde-se à espreita" - e também esconde o nosso limpa-vidros!

"E mexe remexe em tudo o que gosta" - até pode não gostar da vassoura, mas o facto é que a nossa aparece em sítios diferentes de dia para dia.

"Os dias passam devagar e noite me diz que você vai voltar. Os moveis saem do lugar e corro a casa e não consigo encontrar: o limpa-vidros, a vassoura, o edredon e até o frasco de champô!" - a verdade é que o nosso sabonete liquido está a diminuir exponencialmente!

"Eu quero-te roubar pra mim, eu que não sei pedir nada...Eu só quero saber quando é que obras acabam nesta casa!!!! AHHHHH eu só quero saber quando é as obras acabam nesta casaaaa "

"As saudades que eu já tinha da minha casa limpinha como eu a aqui deixei"

Enfim! Amanhã (esperamos) que seja o ultimo dia!
Os nossos objectivos de vida, têm que se prender com algo que nos liberte.
A liberdade passa pelo interior. Por fora podemos ser livres de muitas maneiras...podemos ser independentes, morar sozinhos, não dar satisfações a ninguém, ter carro e casa própria, mas é a liberdade interior que nos torna grandes por dentro.
Muitas vezes, a nossa liberdade está limitada por pré-conceitos e por falta de visão. O saber olhar é algo que se treina e se corrige em nós. Quando estamos em frente a uma árvore, não conseguimos ver o resto da floresta. Precisamos de nos afastar para poder ver o todo. Isto acontece com os nossos problemas.
Tenho aprendido a relativizar o medo. O medo fará sempre parte e estou ciente disso, mas também sei que não lhe posso dar um lugar de destaque na minha vida.
Ser fácil ou difícil é diferente do correr bem ou mal - uma coisa não implica a outra. É como o ser feliz ou estar feliz. Podemos viver uma vida que corre bem mas pode não ser fácil. Há coisas pelas quais temos que lutar e chegamos lá, por muito complicado que seja.
Amanhã começa uma nova etapa.
Confiar...
Confiar...

Há sempre...

Já dei quase todos os abraços que faltavam.
Como outrora, é um "até já" e não uma despedida. As malas estão feitas, as coisas preparadas. O espaço futuro ainda está vazio de mim, mas em breve irá conhecer o cheiro do movimento, da agitação, das entregas e do re-começar.
Questiono-me quando é que comecei a aprender a voar...quando fui capaz de sair do ninho? E por falar em ninho...ele agora está tão quente. Voltei a sentir-me bem por aqui e mais uma vez a vida me leva para outros rumos, a refazer outras casas e descobrir outras pessoas. Vou porque há coisas novas a construir noutros lugares, sou chamada a partilhar o que sou com outros sorrisos abertos (assim o espero). E medo? Sim, também vai comigo...mas esse, normalmente costuma desaparecer. É o que se chama "medo do desconhecido". Tenho aprendido a relativizar as situações, com o medo é o que posso fazer. Vou só torná-lo relativo. Não adianta esconder-me no: Ainda me sinto tão pequena para passos tão grandes!; No fundo, isso não é verdade. Tomei consciência que sou capaz de coisas bem mais radicais do que mudar de cidade, de caras e de casa.
É só porque...eu crio sempre raízes onde quer que vá....
Hoje descobri esta música da Mafalda que se chama "ficar mais perto". É mesmo isto. Quero ficar mais perto de mim, mais perto das coisas que aprendo e que me realizam! Aprendi que não deixo nada para trás. O que vivi é o que sou.
Há sempre uma maneira de recomeçar o que se quiser!
Eu quero. Mesmo sem vontade...hei-de encontrar um entusiasmo escondido dentro da alma.


"Deixa-me só seguir o rumo
De outro sentimento
Que acontecer
Nem tudo o que nos ata
Nos pode prender
Porque há sempre uma maneira
De recomeçar
O que se quiser
Há sempre uma maneira
De recomeçar
O que se quiser
Há sempre uma maneira
de recomeçar"

Ir...e voltar

O ir e o voltar...
Sempre foi uma coisa que me fez confusão, quando se trata de estar na vida das pessoas.
Ou estamos, ou não estamos. Quando entramos, entramos para ficar. Quando temos que sair, saímos.
Não gosto da indecisão de estar ou não na vida das pessoas. Não gosto de me sentir "nem quente nem fria".
Gosto de organizar o coração e a cabeça e sentir que o faço com um propósito porque a vida a ele me levou. Continuo a achar que o tempo é relativo quando queremos bem a alguém.
Para os amigos há sempre tempo...
Mas há tantos valores trocados por aí...

Sorrir e sorrir...

Acabei de chegar de um dia fantástico!
Há uns anos em Taizé, tive uma das conversas mais marcantes na minha vida, sobre a Verdadeira Felicidade. Nessa conversa partilhava que para mim, a verdadeira felicidade só pode vir de Cristo.
Hoje, estive no encontro das pós-jornadas. Basicamente serviu para nos (re)vermos. Partilhava com a C. que a verdadeira felicidade, continua a ser para mim, a que vem de Deus, porque hoje senti mesmo uma alegria imensa. Toda aquela alegria dos dias quentes em Madrid. É tão bom abraçar as pessoas que nos marcam e sentir que esse abraço vem retribuído. É bom dizer: tive tantas saudades tuas! Como estás?;
Sinto-me tão grata pelas pessoas que tenho conhecido em Deus! Cada um me toca à sua maneira. Sobretudo saber que Ele nos ama com todos os nossos defeitos e que mesmo assim nos junta para gerarmos energia positiva!
Afinal...o que nós somos são as nossas histórias, as nossas vivências - o nosso passado. É isto que nos apaixona pelas pessoas.
Se havia partes de mim a precisar de força, acho que hoje elas foram preenchidas com a alegria do viver enraizados e edificados em Cristo.
Sinto o quentinho de cada abraço, como uma casa onde todos somos família e onde basta olharmos uns para os outros para entendermos o que sentimos.
Hoje, tenho um sorriso enorme dentro de mim que me chega ao rosto e inunda a minha vida.
Há dias em que sabemos sorrir com o coração!

Mudanças

Ando por aqui em mudanças.
Mudanças de muitas coisas...que nem sempre são fáceis de gerir. Têm sido tempos de grandes decisões e trocar as voltas.
Tenho sentido que há muitas histórias que se repetem e outras que nem sequer poderão acontecer. Há mágoas nessas decisões do dia-a-dia...há os "e se um dia..." e há dúvidas;
A minha frase preferida ultimamente tem sido o "deixa-te surpreender". Não é nada fácil perante as incertezas e os medos de um espaço novo.
Foi um dia estranho.
Foi literalmente um dia de muda(nças) (n)a Rita.
Há quatro anos atrás não me imaginava onde estou agora a chegar (se calhar nem sequer há meio ano), mas sinto que vai ser muito importante. Sobretudo, quero deixar-me chegar e quero voltar a sentir que pertenço a um espaço que é criado por mim, devagar, como eu gosto...
Começo por baixo, com calma e paciência (ou pelo menos, tento).



"Não há decisão que não implique deixar algo.
Escolher um caminho é sempre optar por não percorrer o outro.
Mas o Amor tem sempre um lado de cruz, o Amor pede fidelidade mesmo quando é difícil ou não apetece.
Seguir Jesus implica abraçar a cruz. Deixar egoísmos e preocupações próprias e abraçar as preocupações e dificuldades dos demais
Isto é o perder a vida para que outros tenham vida."

Oração de S.Francisco

Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz;
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé;
Onde houver erros, que eu leve a verdade;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei com que eu procure mais consolar,
que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado;
Pois é dando que se recebe;
É perdoando, que se é perdoado;
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

Todo o tempo do mundo

Nunca vamos conseguir ser plenamente felizes, se não aceitarmos as nossas fraquezas.
Nem sempre conseguimos perceber a dimensão das coisas em que nos propomos a dar de nós. Nem sempre entendemos que não devemos viver só para uma coisa.
Passamos os dias a correr, sem darmos o privilégio a nós mesmos de parar e olhar. Vivemos por fora, quando devíamos viver por dentro, sentir por dentro e sorrir de dentro. Impomos à nossa Vida um ritmo frenético de prazos, entregas, deadlines, coisas que têm que ser cumpridas! A pergunta é: Estás contente? És feliz?; É que estar contente é muito diferente de SER feliz.
Quando um dia re-pararmos, vemos que afinal este ritmo sufocante só nos fez mais fechados, mais pequenos e mais solitários. Precisamos de respirar.
Ser Adulto não é, e nunca será sinónimo de ser infeliz, até que nós o deixemos.
Enquanto depender de mim, não será a minha idade que me torna fechada, mas sim disponível aos outros, por saber-me uma pessoa com uma história feita de quedas mas também de vitórias.
Nunca conseguirei ser perfeita, mas hei-de conseguir ser melhor e para ser melhor, tenho que querer. E eu quero! Quero muito!
Hoje, esta música mas sobretudo esta letra andou-me muito na cabeça...
Espero que algum dia também ela faça sentido noutras vidas.



Podes-me interromper e contar a tua história
O dia que aconteceu
A tua pequena glória o teu pequeno troféu
...
Agora em tudo o que faço, o tempo é tão relativo
Podes vir por um abraço, podes vir sem ter motivo
Tens em mim o teu espaço

Até já ou...
Até sempre
Há uns tempos achava que trabalhava bem sob stress.
Ultimamente tenho reparado que a sobrecarga me deixa exausta e completamente deitada por terra.
A minha convicção em cumprir prazos e não deixar os outros na mão está sinceramente a deixar-me muito cansada. Até já comprei uma agenda, porque não sou capaz de memorizar tudo como antigamente.
Tenho saudades da calma.
Daqueles dias lânguidos em que via filmes e desenhava sem ter a obrigação de entregar o que imaginava.
Talvez não esteja a racionalizar bem as coisas. Há dias mesmo muito complicados em que não vemos nada de positivo.
O meu exercício tem sido sair de mim e olhar-me. Conseguir minimizar o problema. Visto de fora é sempre mais fácil.
Gosto do que faço e espero fazê-lo para toda a vida...
Tudo o que preciso é de desligar...só assim...uma semana!

Palavras...


You secretly made
Castles of sand that you hide in the shade
But you cannot hold the tides that break them
And you build them all over again

Love, ain't this enough
You push yourself down
You try to take comfort in words
But words
They cannot love
Don't waste them like that
Cus they'll bruise you more
Há um espaço que controlas e dominas.
Foges do que não te está nas mãos.
És grande.
Vives da correria dos dias.
O sono é escasso.
Esqueceste da felicidade da simplicidade de não ter pressa.
E eu...que pequena sou, continuo a pensar cada vez que te olho: Para que corres afinal? Para onde corres? Onde queres chegar?